A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, declarou nesta sexta-feira (17) que o Brasil integrará o grupo de países que prepara o envio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. O anúncio foi feito em Roma, durante o encerramento do Fórum Mundial da Alimentação, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Iniciativa parte da orientação direta do presidente Lula
Segundo a própria Janja, a decisão de aderir à operação internacional partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mandatário, que desde o início do conflito acusa Israel de promover um “genocídio” em Gaza, determinou que o Ministério das Relações Exteriores e demais órgãos federais se mobilizassem para enviar suprimentos à população palestina. A primeira-dama não divulgou prazos detalhados, mas informou que a remessa “sairá nos próximos dias”.
O Itamaraty ainda não especificou a quantidade de alimentos, medicamentos ou itens de primeira necessidade que comporão o carregamento. Tampouco indicou a logística a ser utilizada até a passagem de Rafah, principal porta de entrada de mantimentos na região. Apesar da ausência de números, Janja afirmou que o gesto brasileiro busca “materializar o cessar-fogo acordado” e demonstrar solidariedade “para além das palavras”.
Agenda internacional ampliada para a primeira-dama
Janja está em Roma desde terça-feira (14), cumprindo uma agenda de cerca de dez compromissos focados em segurança alimentar e combate à fome. A convite da FAO, ela participou de painéis e reuniões paralelas, abrigada na Embaixada do Brasil instalada no histórico Palácio Pamphilj, na Piazza Navona.
Ao discursar no encerramento do fórum, a primeira-dama enfatizou o “impacto humano da crise” e defendeu ações concretas. “Milhões de palestinos voltam às ruínas de suas casas. Eles precisam mais do que solidariedade, precisam de apoio material e político”, declarou.
O roteiro europeu continua. Após concluir a estadia na Itália, Janja seguirá para Paris, onde representará o Brasil no seminário “Diálogos Transatlânticos: Transição Energética, Educação Ambiental e ODS”, na Universidade de Sorbonne, de 19 a 21 de outubro. O evento reunirá autoridades e especialistas de vários países.


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Viagem autorizada por Alckmin sem custos adicionais, segundo Planalto
Com Lula fora do país, o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), assinou o decreto que autoriza a viagem da primeira-dama. De acordo com o Palácio do Planalto, não haverá despesas extras para os cofres públicos, uma vez que a FAO custeia passagem e hospedagem.
Ainda assim, a presença constante de Janja em agendas internacionais chama atenção pela ampliação do papel da primeira-dama. Mesmo sem cargo eletivo, ela tem representado o governo em fóruns sobre alimentação, meio ambiente e direitos sociais. Na prática, a atuação reforça a estratégia do Palácio do Planalto de atribuir voz de relevância política à esposa de Lula.
Contexto da crise e expectativas para a operação brasileira
O envio de ajuda ocorre em meio a sucessivos apelos da comunidade internacional para aliviar a situação humanitária em Gaza. Desde o reinício das hostilidades, hospitais, escolas e infraestrutura básica foram severamente afetados, elevando as demandas por alimentos, água potável e insumos médicos.

Imagem: Rafa Neddermeyer
No caso brasileiro, a expectativa é de que o primeiro lote de suprimentos inclua cestas de alimentos não perecíveis, kits de purificação de água e medicamentos essenciais. A Força Aérea Brasileira ou navios da Marinha podem ser acionados, dependendo dos corredores humanitários disponíveis. O governo, entretanto, não forneceu detalhes logísticos nem estimou custos totais da operação.
Lideranças de oposição avaliam com reserva o protagonismo da primeira-dama em temas de política externa, argumentando que a Constituição delega tal atribuição ao presidente e ao Ministério das Relações Exteriores. Mesmo assim, o Itamaraty reforça que Janja atua “a convite de organismos multilaterais” e “em perfeita sintonia” com a chancelaria.
Próximos passos e repercussão
Nas próximas semanas, a chancelaria deverá formalizar, junto aos parceiros internacionais, o calendário de chegada dos suprimentos brasileiros. Organizações humanitárias ligadas à ONU já indicaram que o volume de remessas precisa aumentar para evitar novo colapso nos serviços básicos em Gaza.
No campo político interno, o anúncio reforça a narrativa do governo Lula de protagonismo sul-americano em assuntos humanitários. Entretanto, o gesto também recoloca em debate a prioridade de recursos públicos em meio a demandas domésticas de saúde, segurança e infraestrutura.
Para acompanhar os desdobramentos dessa operação e outras decisões que impactam a política externa, visite nossa seção dedicada em Política.
Em resumo, o Palácio do Planalto aposta no envio de ajuda humanitária como instrumento de influência internacional, delegando à primeira-dama o papel de porta-voz. A concretização da missão, porém, dependerá da logística em zona de conflito e da cooperação com outros países. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba em primeira mão como o Brasil se posiciona no cenário global.
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