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Inadimplência avança 26% em 10 anos e compromete 43% dos adultos

Econômia

O número de brasileiros com contas em atraso voltou a bater recorde em 2025. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 71,86 milhões de consumidores iniciaram outubro com o nome negativado, o equivalente a 43,1% da população adulta. Em 2015, a inadimplência alcançava 57 milhões de pessoas (38,8%). A diferença representa alta de 26,1% em uma década.

Valores baixos concentram a maioria das dívidas

Apesar do volume de devedores, a maior parte das pendências envolve montantes reduzidos. Três em cada dez inadimplentes devem até R$ 500, e 43,6% carregam dívidas de, no máximo, R$ 1.000. Em média, cada consumidor atrasado responde por R$ 4.801,45 divididos entre 2,22 credores. O indicador reflete um perfil de endividamento pulverizado e recorrente, que pressiona juros e eleva o custo do crédito para toda a cadeia produtiva.

Entre os registros analisados, compromissos com atraso de 1 a 3 anos representam 36% do total, enquanto obrigações vencidas de 3 a 4 anos concentram 20,4%. A tendência confirma desorganização financeira persistente e indica dificuldade de renegociação, sobretudo em períodos de juros altos e renda comprimida.

Faixas etárias e regiões mais atingidas

O peso da inadimplência recai principalmente sobre brasileiros entre 30 e 39 anos, responsáveis por 23,5% dos débitos. Na sequência aparecem os grupos de 40 a 49 anos (21,1%) e de 50 a 64 anos (20,1%). A presença de jovens de 18 a 24 anos (8%) evidencia que o problema também se multiplica entre quem está no início da vida laboral, etapa crucial para construir histórico de crédito.

A divisão por gênero mantém equilíbrio: 51,18% das dívidas pertencem a mulheres, 48,8% a homens. No recorte geográfico, o Centro-Oeste lidera a taxa de inadimplentes — 46,6% dos adultos negativados — seguido pelo Norte, com 46%. Sudeste e Nordeste registram índices próximos de 43%, patamar alinhado à média nacional.

Quatro fatores sustentam o endividamento crônico

Ao comentar o levantamento, o presidente da CNDL, José César da Costa, destacou quatro elementos que mantêm o quadro de inadimplência elevado: número absoluto elevado de devedores, concentração em valores pequenos, alta reincidência e recuperação lenta. Segundo ele, sem ações conjuntas entre governo e iniciativa privada para reduzir o custo do crédito, o sistema seguirá caro e restritivo.

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Roque Pelizzaro Junior, presidente do SPC Brasil, associou o avanço do endividamento às compras impulsivas nas redes sociais. De acordo com o executivo, as plataformas mapeiam preferências de consumo e, ao exibir anúncios personalizados, estimulam gastos além da capacidade de pagamento. Como caminho imediato, ele recomenda reduzir a exposição digital, desinstalar aplicativos de compras e sair de grupos promocionais para promover hábitos de poupança.

Impactos para a economia real

O crescimento da inadimplência produz efeito direto sobre a oferta de crédito, encarece linhas de financiamento e desestimula investimentos produtivos. Empresas de menor porte, dependentes de capital de giro, enfrentam juros superiores justamente por operarem em ambiente com inadimplência estrutural. A falta de previsibilidade dificulta a expansão de negócios e interfere na geração de empregos formais.

Analistas enxergam espaço para medidas que ataquem o cerne do problema: simplificação regulatória, fomento à concorrência entre instituições financeiras e incentivo à educação financeira na base escolar. A combinação pode reduzir custos, fortalecer a disciplina de pagamento e atenuar a dependência de empréstimos caros, estratégia essencial para ampliar o consumo de forma sustentável.

Educação financeira ganha protagonismo

Embora parte dos débitos concentre-se em valores inferiores a R$ 1.000, o efeito cumulativo das dívidas impede a regularização do nome e dificulta acesso a serviços básicos, como aluguel e contratação de telefonia. Por isso, especialistas reforçam a necessidade de programas de orientação que ajudem o cidadão a planejar orçamento, priorizar despesas essenciais e poupar para emergências.

Ferramentas de negociação on-line, registradas nos mutirões de renegociação promovidos por órgãos públicos e entidades privadas, têm reduzido taxas e oferecido parcelamentos alongados. No entanto, sem mudança de comportamento de consumo, o risco de retorno à lista de inadimplentes permanece elevado.

Para acompanhar outras pautas econômicas e políticas, acesse a nossa editoria de Política.

Em síntese, a inadimplência atinge patamar histórico e exige soluções que equilibrem responsabilidade fiscal, estímulo à concorrência e promoção da educação financeira. Fique atento às próximas atualizações e informe-se continuamente para tomar decisões conscientes sobre o seu dinheiro.

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