BRASÍLIA, 19 de outubro de 2025 — O pesquisador de segurança pública Roberto Motta sustenta que a atual arquitetura político-eleitoral brasileira cria incentivos perversos: recompensa discursos populistas, desestimula a responsabilidade fiscal e pune candidatos que apresentam propostas realistas. A constatação, divulgada em artigo recente, coloca em xeque a ideia de que a simples escolha de “bons nomes” nas urnas seria suficiente para corrigir os rumos do País.
Modelo proporcional e financiamento público favorecem a máquina partidária
Motta chama atenção para o voto proporcional e obrigatório aliado a partidos robustos, financiados com recursos do Tesouro. Nesse arranjo, explica ele, sobreviver politicamente depende mais de alianças com quem detém tempo de televisão, cabos eleitorais e verbas de campanha do que de projetos para o eleitorado. “Fazer o certo custa caro demais; mentir sai barato”, resume.
O autor lembra que, nas eleições de 2022, somente o estado de São Paulo registrou 1.540 candidatos a deputado federal e 2.059 a estadual. A multiplicidade de nomes, aponta o pesquisador, inviabiliza a análise detalhada por parte do cidadão comum. Sem tempo nem recursos para comparar currículos e ideias, o eleitor acaba influenciado por slogans, jingles e estratégias de marketing.
Nesse cenário, a reeleição converte-se em prioridade absoluta. Cortes de gastos, revisão de benefícios ou combate a privilégios — medidas consideradas vitais para o equilíbrio fiscal — ficam fora do radar. Quem se arrisca a defender tais pautas corre o risco de ser abandonado não apenas por eleitores, mas também por lideranças partidárias interessadas em preservar a própria posição.
Emoção supera razão e alimenta populismo
Segundo Motta, a política tornou-se espetáculo. Marqueteiros moldam candidatos como produtos: frases curtas, gestos ensaiados e promessas grandiosas substituem argumentos detalhados. A emoção domina o debate; memes, escândalos e narrativas simplistas sobressaem a avaliações técnicas. “Responsabilidade fiscal vira sinônimo de suicídio eleitoral”, afirma.
Esse ambiente, acrescenta o pesquisador, provoca um processo de “seleção natural” às avessas. Em poucas eleições, perfis dispostos a lidar com temas impopulares se afastam, enquanto oradores hábeis em manipular sentimentos ganham espaço. O resultado é a perpetuação de um elenco político que se alterna nas cadeiras, mas mantém o mesmo roteiro: arrecadar recursos públicos, distribuir favores e cultivar bases eleitorais dependentes do Estado.


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Eleitor exausto não encontra alternativa
O estudo observa que a fadiga do eleitor é menos fruto de ignorância e mais consequência de um sistema que multiplica barreiras. A obrigação de votar, a quantidade de cargos em disputa e a avalanche de informação prejudicam a tomada de decisão consciente. Muitos eleitores, descreve Motta, acabam “escolhendo no escuro” ou anulando o voto por mero cansaço.
Enquanto isso, a narrativa dominante transfere ao cidadão a culpa por maus governantes. “Disseram a ele que tudo se resolve escolhendo melhor”, ironiza o autor. Sem mecanismos eficazes de cobrança entre eleições e diante de burocracias que dificultam a fiscalização, o eleitor financia — por meio de impostos e fundos partidários — o mesmo grupo que o decepciona.

Imagem: criada utilizando Open AI
Alternância de poder vira formalidade
A rotatividade nos cargos, destaca Motta, não se traduz em mudanças estruturais. As siglas se revezam, mas compromissos fiscais continuam negligenciados e reformas centrais permanecem adiadas. A economia moral criada pelas regras em vigor — votação proporcional, coligações, fundo eleitoral bilionário e televisão obrigatória — premia quem domina o jogo da retórica e distribui promessas impossíveis.
Para o pesquisador, enquanto as regras permanecerem intactas, qualquer tentativa de moralizar a política enfrentará altos custos e baixa probabilidade de sucesso. Ele defende, porém, que parte da sociedade permanece vigilante e busca alternativas, ainda que minoritária. A esperança, conclui, está em reformas que simplifiquem o sistema, reduzam o número de legendas e restabeleçam a ligação direta entre eleitor e representante.
Este panorama expõe um ciclo vicioso: eleitores sobrecarregados, candidatos dependentes da máquina partidária e incentivos que premiam a demagogia. A crítica de Roberto Motta ecoa entre analistas que cobram mudanças institucionais para conter o avanço do populismo e recuperar princípios de eficiência e responsabilidade nos gastos públicos.
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Em síntese, o estudo de Roberto Motta evidencia como a estrutura político-eleitoral brasileira cria terreno fértil para a demagogia e dificulta a ascensão de vozes responsáveis. Compartilhe este conteúdo e participe do debate sobre as reformas necessárias para fortalecer a representação e o equilíbrio fiscal.
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