A decisão recente da China de restringir a exportação de terras raras reacendeu o debate sobre o potencial brasileiro nesse mercado estratégico. Com 23% das reservas conhecidas desses 17 elementos químicos, o Brasil encontra-se diante de uma oportunidade rara: deixar de ser simples fornecedor de matéria-prima e assumir posição de relevância na cadeia global de alta tecnologia.
China limita exportações e pressiona cadeias de suprimento
Em 9 de outubro, Pequim impôs novas exigências para a venda externa de terras raras, abrangendo tanto o minério bruto quanto produtos industrializados que utilizem tecnologia chinesa de extração, fundição ou reciclagem. Qualquer comprador precisará solicitar autorização prévia do governo chinês, mesmo quando o processamento final ocorra fora do país.
A medida incomodou Washington. No dia seguinte, o presidente norte-americano anunciou tarifas adicionais de 100% sobre itens chineses, somando-se aos tributos já em vigor. Os Estados Unidos dependem da China para mais de 70% das terras raras utilizadas, especialmente em setores de defesa. Um caça F-35, por exemplo, concentra cerca de 418 quilos desses minerais em sistemas eletrônicos e magnéticos; contratorpedeiros da classe Arleigh Burke requerem 2,6 toneladas; e submarinos da classe Virginia, 4,6 toneladas. O aumento no custo ou na indisponibilidade desses insumos representa ameaça direta à segurança nacional americana.
Brasil detém reservas, mas participa pouco do mercado
De acordo com o relatório norte-americano Mineral Commodity Summaries, o território brasileiro abriga quase um quarto das reservas globais de terras raras, atrás apenas da própria China. Apesar disso, a presença nacional na oferta mundial não passa de 1%. Hoje, apenas uma mina opera comercialmente, em Minaçu (GO), voltada principalmente a terras raras pesadas.
A baixa utilização do potencial interno se explica pela complexidade do refino, pela carência de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e pela falta de políticas industriais voltadas à agregação de valor. Sem domínio das etapas de separação e produção de ligas magnéticas, o país limita-se a exportar minério in natura ou produtos com baixo índice de transformação.
Oportunidade para autonomia tecnológica
A restrição chinesa evidencia a necessidade de fornecedores alternativos. Nesse cenário, o Brasil aparece como opção promissora. Para se posicionar, contudo, serão indispensáveis:


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• Investimentos em ciência e tecnologia: centros de pesquisa precisam dominar processos de separação e purificação que hoje concentram-se na Ásia.
• Formação de mão de obra especializada: geólogos, químicos e engenheiros metalúrgicos são peças-chave para ampliar a capacidade interna.
• Indústria de transformação: produção local de ímãs permanentes, motores elétricos e componentes eletrônicos aumentaria o valor agregado, impulsionando empregos qualificados.
• Ambiente regulatório seguro: clareza jurídica atrai capital privado e reduz o risco de paralisações.
Com esses passos, o país pode converter riqueza mineral em autonomia tecnológica, tanto para o setor de energia renovável quanto para aplicações militares e aeroespaciais.

Imagem: criada utilizando Chatgpt
Riscos geopolíticos exigem decisão estratégica
A escalada tarifária sino-americana ocorreu depois de quatro rodadas de negociações que haviam reduzido tensões comerciais. O novo impasse pode se estender a áreas financeira e tecnológica, pressionando economias dependentes. Caso o conflito avance, fornecedores alternativos de terras raras ganharão relevância ainda maior.
Para o Brasil, manter-se espectador significa continuar vulnerável à volatilidade dos preços e às decisões externas. Tornar-se protagonista, por outro lado, reforça a soberania econômica e reduz a dependência de mercados concentrados.
Perspectivas
A abundância de reservas confere ao Brasil vantagem natural. Convertê-la em poder exige visão de longo prazo, alinhada à necessidade global por fontes confiáveis de insumos críticos. Com política adequada, o país pode suprir parte da demanda internacional e fortalecer setores industriais estratégicos, ocupando espaço que hoje pertence quase exclusivamente à China.
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Em síntese, a restrição chinesa cria janela rara para o Brasil mostrar capacidade de liderança em terras raras. Investir em tecnologia, capacitação e industrialização pode transformar o subsolo brasileiro em alavanca de desenvolvimento e influência global. Aproveite as próximas atualizações e compartilhe este conteúdo.
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