O ministro Luiz Fux, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), iniciou nesta terça-feira (21) seu voto no julgamento do chamado núcleo 4 dos eventos de 8 de janeiro. Ao contrário do relator Alexandre de Moraes, Fux sinalizou pela absolvição dos sete réus e apontou deficiências na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ministro vê ausência de provas individuais
Durante a leitura do voto, ainda em andamento, Fux argumentou que o Ministério Público não comprovou o nexo de causalidade entre as condutas atribuídas aos acusados e os crimes narrados. Na avaliação do magistrado, a PGR falhou ao não individualizar a participação de cada réu, requisito considerado essencial para a responsabilização penal.
Segundo o ministro, a materialidade dos fatos não basta para justificar condenações amplas se não houver ligação direta entre o ato praticado e o resultado pretendido. “Sem a demonstração objetiva da contribuição de cada um, qualquer punição se afasta do devido processo legal”, observou.
A posição contrasta com julgamentos anteriores, quando a Primeira Turma condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, integrantes do chamado núcleo principal e militares como o general Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid. Naquelas ocasiões, Fux votou pela condenação de parte dos acusados, mas agora apontou a necessidade de rever entendimentos que, segundo ele, “incorreram em injustiças”.
Autocrítica sobre decisões passadas
Antes de analisar as provas, Fux fez reflexão sobre a mudança de entendimento. Ele reconheceu que o julgamento, realizado em clima de urgência, pode ter conduzido a erros. “Há mais coragem em ser justo parecendo ser injusto do que ser injusto para salvaguardar as aparências da Justiça”, afirmou, indicando que a revisão não representa fraqueza, mas respeito ao Estado de Direito.
O ministro ressaltou a importância de a magistratura ter capacidade de corrigir equívocos e resistir a pressões externas, especialmente em momentos de comoção nacional. “Nessas horas, a precipitação se traveste de prudência e o rigor se confunde com firmeza”, declarou, lembrando que a responsabilidade do Supremo é garantir o equilíbrio institucional, mesmo sob forte cobrança da opinião pública.


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Divergência crescente dentro da Primeira Turma
Com o voto, Fux reforça a distância em relação a Alexandre de Moraes, relator dos processos relativos ao 8 de janeiro. Moraes defende condenações por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, enquanto Fux sustenta que o Ministério Público deve detalhar, caso a caso, qual foi a efetiva participação dos réus.
No núcleo 4, os sete acusados são apontados por suposta participação em um plano para subverter a ordem institucional. Fux considera, contudo, que há lacunas que impedem responsabilização. A Procuradoria ainda não apresentou provas concretas que vinculem cada investigado às condutas delituosas descritas na denúncia, de acordo com o ministro.
Princípios constitucionais em debate
A posição de Fux coloca novamente em evidência o debate sobre a necessidade de observar princípios como ampla defesa e presunção de inocência. Para ele, o STF deve assegurar que punições sejam sustentadas por provas robustas, evitando decisões que possam ser questionadas futuramente ou abrir precedentes para a criminalização de atos sem lastro probatório.

Imagem: Internet
Ao citar que “o tempo dissipa as brumas da paixão”, o ministro defendeu que a Corte não pode sacrificar garantias individuais em nome da rapidez. O entendimento ecoa preocupações de juristas que apontam risco de generalizações nos processos relacionados ao 8 de janeiro.
Expectativa para conclusão do julgamento
A expectativa é que o voto de Fux seja concluído na próxima sessão da Primeira Turma. Caso a divergência prevaleça, os sete réus do núcleo 4 podem ser absolvidos. Se a maioria acompanhar Moraes, as penas podem variar de acordo com a acusação, repetindo a linha adotada nos julgamentos anteriores.
Mesmo antes do término, o posicionamento abre debate sobre a atuação da PGR e a condução dos inquéritos. A revisão de Fux indica que, no Supremo, ainda há espaço para questionamentos sobre a consistência das evidências e a proporcionalidade das punições propostas.
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Resumo: Luiz Fux contestou a denúncia da PGR ao apontar falhas na individualização das condutas e sinalizou voto pela absolvição dos sete réus do núcleo 4. O ministro reforçou a importância de correções judiciais quando há risco de injustiça. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta matéria para ampliar o debate sobre o devido processo legal.
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