Quarenta anos após o ataque que incendiou o Palácio da Justiça de Bogotá, a América Latina continua a conceder poder político a personagens diretamente ligados a organizações armadas do passado. O caso mais recente é o da Colômbia, onde o ex-integrante do M-19, Gustavo Petro, ocupa a presidência. Esse fenômeno expõe um padrão regional em que antigos militantes assumem o governo sem romper com a lógica que associou ideologia revolucionária e crime organizado.
O ataque de 1985 e seus ecos atuais
Em 6 e 7 de novembro de 1985, membros do M-19 invadiram o Palácio da Justiça colombiano, mantendo magistrados reféns e provocando um incêndio que resultou em mais de cem mortes. O episódio foi condenado internacionalmente como atentado ao Estado de Direito. Quatro décadas depois, um dos participantes daquela guerrilha dirige o país, evidenciando o contraste entre a gravidade do crime e a atual normalização política de seus autores.
Gustavo Petro construiu sua trajetória pública defendendo causas ambientais e sociais, mas evita classificar como terrorismo a ação do grupo que integrou. Sob seu governo, a área destinada ao cultivo de coca atingiu 253 mil hectares, recorde que recoloca a Colômbia na rota do narcotráfico. A reação dos Estados Unidos incluiu suspensão de repasses financeiros e aumento da presença militar na costa do Caribe, sinalizando desconfiança em relação à política antidrogas atual.
Brasil reforça a rede de alianças à esquerda
No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva mantém proximidade com Petro e reitera apoio institucional ao vizinho. A parceria reforça a formação de um bloco regional que inclui Venezuela e Nicarágua, países governados por lideranças também alinhadas ao Foro de São Paulo, articulado nos anos 1990 para reorganizar partidos de esquerda latino-americanos. A convergência de discursos sobre justiça social, direitos humanos e combate ao “imperialismo” amplia a cooperação diplomática e econômica entre esses governos.
Para observadores norte-americanos mais conservadores, a amizade entre os dois presidentes legitima a fusão de interesses políticos e operações ilícitas. Donald Trump, possível candidato à Casa Branca em 2028, classificou Petro publicamente como “criminoso”, sustentando que a resiliência do narcotráfico na Colômbia decorre da leniência estatal. Embora encarada como ofensa pessoal em Bogotá, a declaração expõe a divergência entre Washington e parte da América Latina sobre segurança regional.
Crime organizado e retórica humanitária
O caso colombiano demonstra como reivindicações humanitárias podem encobrir práticas que fortalecem redes criminosas. A justificativa de “inclusão social” serve de escudo político para desmobilizar forças de segurança e flexibilizar o combate às drogas. Dados oficiais apontam crescimento consistente na produção de coca desde 2023, acelerado pela suspensão da fumigação aérea e pela negociação com dissidências armadas.


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No plano simbólico, a transformação de ex-guerrilheiros em chefes de Estado produz narrativa que relativiza o impacto da violência revolucionária. Ao não exigir responsabilização plena, o continente projeta a mensagem de que atos cometidos em nome de ideais igualitários são toleráveis. Esse entendimento fragiliza instituições, pois mina a distinção entre combate político legítimo e violação deliberada da lei.

Imagem: Ricardo Stuckert
Desafios à frente
Analistas de direita defendem que os Estados latino-americanos resgatem o princípio da memória histórica para evitar a repetição de ciclos de violência. Afirmam que reconhecer crimes do passado, sem apelidos mitigadores, é passo essencial para reverter a expansão do narcotráfico e recompor a credibilidade internacional.
Nesse contexto, os Estados Unidos usam instrumentos diplomáticos e comerciais para pressionar a Colômbia, enquanto organizações multilaterais discutem condicionalidades para financiamentos. A efetividade dessas medidas dependerá da disposição dos governos locais de dissociar-se de parceiros envolvidos em atividades ilícitas e de adotar políticas robustas de segurança.
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Em síntese, a ascensão de líderes com passado insurgente reforça a sensação de que o crime compensa na América Latina quando revestido de discurso progressista. A manutenção desse padrão ameaça a estabilidade institucional e aprofunda a desconfiança externa. Acompanhe nossa cobertura e compartilhe este artigo para ampliar o debate sobre responsabilidade e governança no continente.
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