Brasília — Agências dos Correios em centenas de municípios brasileiros estão sendo despejadas por falta de pagamento de aluguel, segundo relatos de prefeituras e proprietários de imóveis. Caminhões da estatal têm retirado mobiliário, equipamentos e documentos dos prédios, que precisam ser devolvidos aos locadores após sucessivos meses de inadimplência.
Lucratividade recorde perdeu força em três anos
Em 2021, último ano completo do governo anterior, os Correios reportaram lucro líquido de R$ 3,7 bilhões, resultado considerado histórico para a companhia. O desempenho positivo foi creditado a ajustes de custos, contenção de despesas administrativas e aumento da demanda por encomendas durante o auge das compras online.
Desde 2023, já sob a atual administração federal, o balanço reverteu para o campo negativo. Dados internos indicam prejuízo acumulado superior a R$ 4 bilhões. Entre os fatores apontados estão a queda do volume de correspondências, a concorrência de serviços digitais e o crescimento das despesas operacionais, cenário que reduziu a capacidade de honrar compromissos, inclusive os contratos de locação de imóveis.
Estatal busca R$ 20 bilhões em bancos públicos
Diante da deterioração das contas, a direção dos Correios confirmou a intenção de solicitar até R$ 20 bilhões em empréstimos subsidiados junto a bancos controlados pela União. O valor seria destinado à quitação de obrigações de curto prazo, modernização da infraestrutura logística e reforço do capital de giro.
A medida tende a transferir parte do risco financeiro para o Tesouro, já que as instituições credoras também pertencem ao governo. Especialistas em finanças públicas alertam que a operação aumenta a exposição do contribuinte em caso de inadimplência futura.
Prefeituras pressionadas a ceder prédios públicos
A crise imobiliária da companhia alcançou a esfera municipal. Relatos de prefeitos dão conta de solicitações para que salas hoje usadas em postos de saúde, secretarias ou escolas sejam cedidas gratuitamente às agências despejadas. Gestores locais afirmam não dispor de espaço ocioso e consideram a transferência de patrimônio público para abrigar uma estatal endividada um ônus adicional aos cofres municipais.


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Impacto nos serviços ao cidadão
Com a desocupação forçada de unidades, moradores de cidades pequenas relatam aumento do deslocamento para enviar encomendas ou utilizar serviços bancários postais. Em localidades sem agência própria, a alternativa tem sido recorrer às cidades vizinhas, alongando prazos de entrega e gerando custos extras para comerciantes que dependem de remessas regulares.
Entidades representativas do comércio eletrônico observam risco de atrasos generalizados na alta temporada de final de ano, caso o cronograma de realocação de unidades não seja concluído rapidamente.

Imagem: Ricardo Stuckert
Correios em busca de estabilidade
Em nota, a empresa estatal informou que planeja renegociar contratos com locadores, reduzir áreas subutilizadas e priorizar investimentos em automação de centros de distribuição. A direção também estuda parcerias com redes varejistas privadas para instalar balcões de coleta e entrega em lojas de fácil acesso.
O plano estratégico prevê, ainda, acelerar a digitalização de serviços tradicionais, como avisos de recebimento e postagem de documentos oficiais, a fim de compensar a retração nas receitas originadas da venda de selos e remessas impressas.
Embora a privatização integral da empresa continue sem data definida, o debate ganha força entre parlamentares que defendem a redução do tamanho do Estado e a transferência de ativos à iniciativa privada como forma de preservar empregos, melhorar o atendimento e evitar novos aportes do Tesouro.
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Em resumo, a combinação de prejuízo bilionário, despejos por inadimplência e dependência de crédito subsidiado coloca os Correios diante de um dos maiores desafios de sua história. Continue acompanhando nossas atualizações e fique informado sobre os próximos capítulos dessa crise.
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