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Câmara aprova limite a decisões individuais no STF e Toffoli chama crítica de “mentira deslavada”

Política

Brasília, 27 de outubro de 2025 – A Câmara dos Deputados aprovou, por ampla maioria, o Projeto de Lei 3.640/23, que impõe regras claras às decisões monocráticas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo dia, o ministro Dias Toffoli classificou como “mentira deslavada” a afirmação de que a Corte decide majoritariamente de forma individual. O texto agora segue para análise do Senado.

O que prevê o PL 3.640/23

A proposta determina que cada decisão monocrática de ministro deverá ser fundamentada por escrito e submetida ao plenário já na sessão seguinte. Se isso não ocorrer, o parecer individual perde automaticamente a validade. A medida pretende restringir o alcance de despachos solitários em temas de grande repercussão, prática criticada por parlamentares e por parte expressiva da sociedade brasileira.

Na última semana, um recurso do partido Novo, que tentava levar a matéria ao plenário para nova votação, foi rejeitado por 344 votos contra 95. Com a derrubada do recurso, a tramitação foi encerrada na Câmara de forma conclusiva, demonstrando forte respaldo político ao texto.

Toffoli defende colegiado e critica acusações

Durante audiência pública sobre direitos autorais, o ministro Dias Toffoli reagiu à ofensiva legislativa. “É uma lenda urbana dizer que a Corte Suprema do Brasil é uma Corte monocrática. Isso é uma mentira deslavada”, afirmou. Segundo ele, o Supremo julga mais de 14 mil processos por ano em sessões colegiadas, número que, na avaliação do ministro, comprovaria a atuação coletiva do tribunal.

Toffoli comparou a carga de trabalho do STF a cortes de outros países. Para ilustrar, citou que a Suprema Corte dos Estados Unidos julga entre 100 e 120 casos anuais; a da Alemanha, cerca de 100; e a francesa, no máximo 500. “Não há nenhuma Suprema Corte no mundo que julgue esse volume de processos”, declarou, reforçando que o Judiciário brasileiro “dá conta do recado”.

Dino segue a mesma linha

O ministro Flávio Dino, também integrante do Supremo, endossou o discurso do colega. Em evento realizado na quinta-feira (23), ele ironizou os críticos: “Vocês podem até xingar o vizinho de monocrático, mas as decisões relevantes do Supremo são colegiadas”. Dino reforçou que, em sua visão, não existe base factual para sustentar a tese de que o STF seja dominado por despachos isolados.

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Contexto político e reação do Congresso

O avanço do PL 3.640/23 ocorre em meio a debates sobre equilíbrio entre Poderes. Parlamentares argumentam que decisões individuais de ministros afetam políticas públicas, criam insegurança jurídica e ultrapassam a função típica de julgar. Ao delimitar prazos e exigir análise colegiada, o projeto busca, segundo seus defensores, aumentar a transparência e a legitimidade das decisões da Corte.

A votação expressiva na Câmara demonstra que a preocupação é suprapartidária. Para os proponentes, a medida corrige distorções e fortalece a separação de poderes, posição que encontra apoio em setores conservadores, empresariais e na opinião pública que cobra maior previsibilidade do STF.

Próximos passos no Senado

O texto será apreciado pelas comissões temáticas do Senado e, em seguida, poderá ir ao plenário da Casa. A expectativa é de que a discussão ocorra ainda neste semestre. Caso seja aprovado sem alterações, seguirá para sanção ou veto presidencial. Se houver mudanças, retornará à Câmara para deliberação final.

Os ministros do Supremo, por sua vez, continuam defendendo a atual estrutura de trabalho, alegando que o grande volume processual exige decisões urgentes que, muitas vezes, partem de um único magistrado. Contudo, com o avanço célere do projeto e o apoio expressivo no Congresso, o Judiciário poderá ter de se adaptar a um novo marco legal.

Para acompanhar outras movimentações legislativas que impactam diretamente as competências do STF, acesse a seção de política do nosso site: https://geraldenoticias.com.br/category/politica.

Em resumo, a Câmara deu um passo decisivo para limitar decisões monocráticas, enquanto Toffoli e Dino defendem o modelo atual. A palavra final agora está com o Senado. Acompanhe nossos próximos artigos e mantenha-se informado sobre o desfecho dessa disputa.

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