RIO DE JANEIRO – A megaoperação realizada nesta terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, reduto do Comando Vermelho, terminou com 81 presos, ao menos 60 criminosos mortos, quatro policiais mortos, dois moradores feridos e mais de 90 fuzis apreendidos. Com cerca de 2.500 agentes, 32 blindados, 12 tratores e dois helicópteros, a ação foi apontada por especialistas como inevitável e necessária diante do avanço do crime organizado no estado.
Confronto inevitável diante do poder bélico do Comando Vermelho
Analistas em segurança pública afirmam que operações desse porte, embora não eliminem o domínio territorial de facções, impedem a consolidação de “Estados paralelos” em comunidades estratégicas. O coronel da reserva Fernando Montenegro, que comandou a ocupação militar da região em 2010, lembrou que criminosos de outros estados buscam abrigo nos morros cariocas porque, historicamente, a polícia encontra dificuldade para cumprir mandados de prisão na área.
Para o especialista Alessandro Visacro, autor de obras sobre guerras irregulares, era impossível evitar o alto número de baixas. “Estamos falando de centenas de homens armados com o que há de mais moderno no tráfico internacional. Sem manter esses líderes presos, o confronto será sempre sangrento”, avaliou.
O governador Cláudio Castro informou que a ofensiva foi planejada durante 60 dias e resultou na captura de pelo menos dois chefes da facção. Segundo ele, a Justiça expediu cerca de cem mandados, tornando a incursão inadiável. Criminosos chegaram a usar drones improvisados para lançar explosivos, recurso incomum que elevou o risco para as forças de segurança.
Disputa política e falta de apoio federal ampliam crise
A operação rapidamente virou tema no Congresso. Parlamentares da direita cobraram a convocação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para explicar a ausência de apoio federal. Castro afirmou ter solicitado, por três vezes, blindados das Forças Armadas e ouvido negativas. O Ministério da Defesa respondeu que somente recebeu pedido em janeiro, relacionado a outra ocorrência, e que o empréstimo exigiria decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrário a essa medida desde o início do mandato.
O ministro Lewandowski, em viagem ao Ceará, criticou o planejamento estadual e defendeu maior uso de inteligência. Deputados governistas reforçaram a linha do Planalto, acusando o governador de buscar palanque eleitoral com uma “operação de guerra”. Já a oposição afirmou que o discurso federal de “vítima do usuário” enfraquece o combate ao tráfico e fortalece facções.


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Especialistas ouvidos sustentam que a participação das Forças Armadas poderia ter aumentado o efeito dissuasório. Equipamentos de guerra eletrônica seriam capazes de neutralizar drones criminosos, enquanto helicópteros militares poderiam desembarcar tropas em pontos altos, fechando o cerco. Em 2010, quando 2.600 agentes – entre policiais e militares – entraram na mesma região, traficantes preferiram fugir a enfrentar o poder de fogo conjunto.

Imagem: Luis Kawaguti Aline Rechmann Wesle
Sem “solução mágica”, mas com ações coordenadas
Visacro alerta que decisões pontuais – como uso de câmeras corporais ou aumento de penas – não resolverão o problema isoladamente. Ele defende abordagem de contrainsurgência, combinando presença policial, políticas sociais e continuidade de operações para impedir que facções restabeleçam a estrutura de poder. “Falta liderança e coordenação nacional. Enquanto isso, o Estado do Rio age sozinho”, resumiu.
Diante do cenário, o governo fluminense promete novas investidas. A expectativa é manter a pressão sobre o Comando Vermelho e evitar que os complexos da Penha e do Alemão voltem a servir de santuário para criminosos de outros estados.
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Em síntese, a operação demonstrou a capacidade das forças estaduais de enfrentar o crime organizado mesmo sem respaldo federal, evidenciou a necessidade de ações frequentes e escancarou o vazio deixado pelo governo central. Continue conosco e receba atualizações objetivas sobre segurança e política.
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