Quem estava à frente da operação? A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na terça-feira (28) a Operação Contenção nos complexos do Alemão e da Penha. O balanço oficial aponta 119 mortos, incluindo quatro policiais, 81 prisões e a apreensão de 93 fuzis.
Governo federal surpreendido pela escala da ação
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta quarta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou “estarrecido” com o número de óbitos e também com a falta de comunicação prévia por parte do governo estadual. Segundo Lewandowski, nem o Ministério da Justiça nem a Polícia Federal foram informados sobre a dimensão da investida contra integrantes do Comando Vermelho.
Diante do cenário, Lewandowski e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, devem viajar ao Rio de Janeiro para se reunir com autoridades locais e oferecer suporte técnico e operacional. O ministro evitou antecipar eventual envio de tropa federal, mas assegurou que “toda ajuda necessária” será apresentada.
Cláudio Castro adota tom firme e cobra integração
Um dia após a operação, o governador Cláudio Castro (PL) convocou coletiva no Palácio Guanabara. Ele elogiou a ação das forças estaduais, reiterou que o Rio enfrenta o crime organizado praticamente sozinho e mandou recado a Brasília: “Quem quiser somar é bem-vindo; quem vier para fazer politicagem, some”.
Castro afirmou ter solicitado à União dez vagas em presídios federais de segurança máxima para transferir líderes do Comando Vermelho, reforçando a necessidade de integração na área penitenciária. De acordo com o governador, a solicitação ainda aguarda resposta formal do Ministério da Justiça.
Sobre reforços militares, Castro lembrou que três pedidos anteriores para uso de blindados das Forças Armadas foram negados sob a justificativa de inexistência de decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). “Já entendemos que a política deles é de não ceder. Não vamos ficar chorando pelos cantos”, disse.


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Disputa de versões sobre apoio federal
Em nota, o Ministério da Justiça declarou que todas as onze solicitações de presença da Força Nacional no Rio desde 2023 foram integralmente atendidas. O governo federal também ressaltou que, sem pedido expresso de GLO, a participação das Forças Armadas continua juridicamente inviável.
Castro contesta essa leitura. Para o governador, os blindados da Marinha teriam capacidade de romper barricadas erguidas pelo tráfico em becos estreitos, tornando a operação mais segura para policiais e moradores. “Se dá para ajudar, ajuda; se não dá, seguimos adiante”, resumiu.
Contexto da megaoperação
A ação começou na madrugada de terça-feira, após levantamento de inteligência apontar forte concentração de criminosos armados nas comunidades. O confronto prolongou-se por mais de 12 horas, inclusive em área de mata entre o Alemão e a Penha, onde foram localizados vários corpos alinhados ao amanhecer.
A Polícia Civil classificou o resultado como o maior golpe recente contra o Comando Vermelho, dada a quantidade de armas retiradas de circulação e o número de presos. Entidades de direitos humanos, contudo, questionam a proporcionalidade do uso da força e pedem investigação independente.

Imagem: Internet
Próximos passos
Lewandowski planeja reunião emergencial no Rio ainda nesta semana, com participação do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Na pauta, estarão a solicitação de vagas em presídios federais, a eventual ampliação da Força Nacional e a análise de novas estratégias conjuntas de segurança.
Enquanto isso, o governo estadual mantém a Operação Contenção em ritmo reduzido, priorizando busca por foragidos e retirada de barricadas. A Secretaria de Segurança fluminense informou que o efetivo continuará reforçado nos pontos críticos por tempo indeterminado.
Ao mesmo tempo em que o Palácio do Planalto manifesta surpresa, o Palácio Guanabara reforça a autonomia das forças locais. A divergência deixa evidente o impasse histórico sobre responsabilidades no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
Para quem acompanha de perto a agenda de segurança pública, a expectativa recai sobre a visita de Lewandowski: ela mostrará se o governo federal pretende, de fato, oferecer novos meios materiais ou se continuará restringindo a cooperação a ações pontuais da Força Nacional.
Seja qual for a solução, os números da Operação Contenção — 119 mortos, 81 presos e 93 fuzis apreendidos — ampliam a pressão por resultados concretos e por uma estratégia integrada que contenha o avanço das facções.
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Em resumo, a megaoperação expôs novamente o conflito de competências entre União e Estado. A visita do ministro Lewandowski promete definir se haverá reforço federal consistente ou se o governo fluminense continuará agindo praticamente só. Continue acompanhando nossas publicações e mantenha-se informado sobre os próximos desdobramentos.
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