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Boulos assume Secretaria-Geral e inicia posse com minuto de silêncio por ação policial no Rio

Política

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) tomou posse, na quarta-feira (29), como ministro da Secretaria-Geral da Presidência. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, e foi aberta por um minuto de silêncio solicitado pelo novo titular da pasta em homenagem às vítimas da megaoperação conduzida pelas forças de segurança no Rio de Janeiro.

Referência direta à operação contra o crime no Rio

Boulos justificou o pedido de silêncio afirmando que “policiais, moradores, todos eles” foram afetados pela ação deflagrada um dia antes na capital fluminense. A operação teve como alvo a facção Criminoso Vermelho e mobilizou agentes estaduais e federais. Ao mencionar as mortes registradas, o ministro colocou lado a lado servidores públicos e civis residentes em comunidades, sem distinguir a participação de cada grupo no confronto.

A cerimônia chegou a ter o adiamento cogitado por integrantes do governo, devido ao clima de tensão gerado pelo alto número de mortos e feridos. Ainda assim, o Planalto manteve a agenda original e empossou o parlamentar do PSOL, que passa a integrar formalmente a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Críticas ao mercado financeiro e limite para o diálogo

No discurso, Boulos atacou a estrutura econômica que, segundo ele, sustenta o crime organizado. O ministro afirmou que “a cabeça do crime” não estaria “num barraco de favela”, mas na lavagem de dinheiro “na Faria Lima”, avenida símbolo do mercado financeiro em São Paulo. Para embasar a declaração, citou a operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que investiga supostos fluxos ilícitos de capitais.

Boulos declarou que recebeu de Lula a missão de “colocar o governo na rua” para aproximar a administração federal da população. Disse que pretende dialogar com trabalhadores de aplicativos, motoristas de transporte individual, pequenos empreendedores, católicos, evangélicos e representantes de diversas religiões. Porém, estabeleceu um ponto que classificou como inegociável: “não tem diálogo com quem ataca a democracia e trai o Brasil”. Sem citar nomes, afirmou que “esses queriam ver a gente morto”.

Pautas econômicas e cobranças ao Congresso

Entre as propostas anunciadas, Boulos defendeu a redução da jornada de trabalho, atacou a chamada escala 61 e cobrou do Congresso o avanço de projetos que, segundo ele, enfrentam privilégios de “bilionários”. O ministro instou parlamentares a apoiar a taxação de grandes fortunas e de casas de apostas on-line, bandeiras que vêm sendo discutidas pela equipe econômica chefiada por Fernando Haddad (Fazenda).

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O novo titular da Secretaria-Geral também prometeu reagir a “mentiras” e “hipocrisias” de opositores, afirmando que sua pasta terá a função de “desmentir” versões que considerou distorcidas. Ao longo do discurso, Boulos manteve tom combativo, preservando a retórica que o tornou conhecido em movimentos de moradia.

Contexto político e repercussão

A posse ocorre num momento em que o governo enfrenta pressão para demonstrar capacidade de conter a violência urbana e reforçar a presença do Estado em áreas dominadas pelo tráfico. A megaoperação no Rio, que motivou o pedido de silêncio, foi criticada por organizações de direitos humanos e elogiada por parte da opinião pública que defende ações contundentes contra facções.

Para setores conservadores, o posicionamento de Boulos ao colocar policiais e suspeitos no mesmo patamar de “vítimas” reforça uma narrativa que relativiza o papel das forças de segurança. Já grupos alinhados à esquerda elogiam o gesto como sinal de preocupação com moradores de comunidades.

Com a entrada de Guilherme Boulos, a Secretaria-Geral passa a ser ocupada por um nome historicamente associado a movimentos sociais de perfil radical. A expectativa interna é de que a pasta intensifique agendas voltadas à participação popular, enquanto parlamentares da oposição prometem vigilância redobrada sobre eventuais choques entre militância e instituições.

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O novo ministro inicia sua jornada com promessas de diálogo seletivo, críticas ao sistema financeiro e cobranças dirigidas aos parlamentares. Resta acompanhar como essas diretrizes serão aplicadas na prática e quais efeitos terão no equilíbrio político de Brasília. Continue ligado no Geral de Notícias e receba em primeira mão as principais novidades do cenário nacional.

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