O deputado licenciado Guilherme Boulos tomou posse como ministro da Secretaria-Geral da Presidência nesta segunda-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pouco menos de 20 minutos de discurso, o novo titular da pasta deixou exposta a estratégia política que pretende adotar no período que antecede as próximas eleições.
Críticas diretas à Faria Lima e promessa de confronto
Boulos abriu fogo verbal contra o setor financeiro ao afirmar que “a cabeça do crime organizado deste país muitas vezes está na lavagem de dinheiro da Faria Lima”. A declaração, feita enquanto comentava a operação policial que resultou em 119 mortes no Rio de Janeiro, arrancou aplausos de militantes de movimentos sociais que lotaram o salão principal do Planalto.
Ao garantir que dialogará com “amplos setores da sociedade”, o ministro colocou um limite explícito: não fará concessões a grupos que, segundo ele, “atacam a democracia e traem o Brasil”. Nesse ponto, foi interrompido por gritos de “sem anistia” entoados pelo público. Boulos repetiu o coro e deixou o recado de que responderá a cada ataque de adversários com igual intensidade.
“Que eles saibam: a cada ataque vai ter uma resposta”, declarou, reforçando a disposição para o embate. A fala delineia uma postura de enfrentamento permanente, sobretudo contra setores do mercado que ele associa ao “crime organizado financeiro”.
Agenda eleitoral antecipada
O ministro aproveitou a posse para defender temas que Lula pretende levar às urnas. Ele chamou a jornada de trabalho 6×1 de “escala vergonhosa” e advertiu que pretende “expor hipocrisias” de opositores que se apresentam como contrários ao sistema, mas rejeitam a taxação de grandes fortunas e de casas de apostas esportivas.
Ao situar-se como “atacante mais avançado” de Lula, Boulos sinalizou que a Secretaria-Geral será usada como plataforma de mobilização social. A pasta, que dispõe de gabinete dentro do Palácio do Planalto, concentra a articulação com movimentos populares e deve servir de vitrine para bandeiras que o presidente deseja consolidar até o próximo pleito.


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Embora tenha prometido dialogar, Boulos reforçou em diversas passagens que não aceitará “desaforo”. A mensagem, dirigida a críticos do governo e a grupos que ele associa ao mercado financeiro, indica que o ministério poderá ampliar o tom de confrontação na arena pública, com foco em disputar narrativas sobre segurança pública, distribuição de renda e regulação de apostas.
Plateia alinhada e recado interno
A cerimônia contou com forte presença de movimentos sociais, líderes partidários e parlamentares da base governista. A atmosfera favorável permitiu a Boulos falar em “inimigos do país” sem contestação no recinto. Ao ecoar “sem anistia”, o novo ministro reforçou a linha já adotada pelo governo de responsabilizar quem considera responsável por atos antidemocráticos.
Durante a posse, Lula manteve-se ao lado de Boulos e ouviu sem intervenções as críticas ao mercado. A postura sinaliza aval do Planalto à narrativa que associa crimes financeiros a elites concentradas na Avenida Faria Lima, endereço simbólico do sistema bancário e de investimentos. O presidente não discursou, limitando-se a assinar o ato de nomeação e cumprimentar aliados.
O comando da Secretaria-Geral vinha sendo ocupado interinamente pelo secretário-executivo, após a saída de Márcio Macêdo. Com a posse de Boulos, a pasta retoma protagonismo político, agora com um ministro que tem mandato parlamentar e visibilidade nacional. A missão inclui articulação com movimentos populares, preparação de pautas sociais e defesa da imagem do governo.

Imagem: Internet
Próximos passos
Nos próximos dias, Boulos deve anunciar a equipe que o auxiliará na formulação de políticas para movimentos sociais e na comunicação direta com a base militante. A expectativa é de que reuniões com líderes de centrais sindicais, entidades estudantis e organizações de moradia ocorram ainda nesta semana.
Há previsão de agendas com representantes da área econômica para discutir a proposta de taxar grandes fortunas e regulamentar apostas esportivas, temas que o novo ministro considera prioritários. Na avaliação de interlocutores do Planalto, a aprovação de medidas que alcancem esses setores pode funcionar como vitrine de campanha.
Diante do tom adotado na posse, parlamentares da oposição preparam discursos de reação no Congresso. A bancada liberal promete questionar a equiparação entre mercado financeiro e crime organizado, além de cobrar esclarecimentos sobre eventuais impactos econômicos das propostas de tributação.
Com a posse de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral, o governo Lula ganha um porta-voz combativo que pretende confrontar críticos e impulsionar pautas voltadas para a próxima eleição. Resta saber como o mercado e a oposição reagirão a um ministro que, já na estreia, colocou a Faria Lima no centro do debate.
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Em resumo, a posse de Boulos expôs um roteiro de embates que promete dominar o noticiário nos próximos meses. Continue acompanhando nossos conteúdos e fortaleça sua informação assinando as notificações do site.
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