O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) no Paraná avançou 0,7 % em outubro e atingiu 91,3 pontos, segundo levantamento conjunto da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio PR). O resultado marca a segunda alta mensal consecutiva no Estado e contrasta com o movimento observado no cenário nacional, onde o indicador vem recuando desde agosto e fechou o mesmo período em 101 pontos.
Alta modesta, mas em sentido contrário ao cenário nacional
De acordo com o estudo, três componentes explicam a elevação do ICF paranaense: Perspectiva de Consumo, com incremento de 3,5 %; Nível de Consumo Atual, que avançou 2,5 %; e Renda Atual, com ganho de 1,7 %. Esses dados sugerem que, mesmo diante de um ambiente de juros ainda elevados, parte dos lares do Estado conseguiu preservar capacidade de compra e expectativas para os próximos meses.
Na outra ponta, os componentes Acesso ao Crédito (-1,6 %), Emprego Atual (-0,9 %), Perspectiva Profissional (-0,8 %) e Momento para Duráveis (-0,4 %) registraram retração na variação mensal. A cautela em relação a financiamentos e aquisição de bens de maior valor reflete o impacto dos custos de crédito e um mercado de trabalho que, embora estável, não acelera o ritmo de contratações no mesmo compasso de anos anteriores.
Na comparação anual, a fotografia muda: frente a outubro de 2024, o ICF do Paraná encolheu 6,3 %. O recuo indica percepção mais conservadora das famílias sobre condições financeiras, possivelmente influenciada pela desaceleração da economia e pela persistência de pressões inflacionárias em itens essenciais. A única variável positiva no confronto de 12 meses foi Perspectiva Profissional, que saltou 13,7 % e demonstra confiança de parte da mão de obra qualificada em avançar na carreira ou mudar para postos mais bem remunerados.
Desempenho por faixa de renda
A pesquisa detalha ainda a evolução do índice de acordo com o rendimento mensal dos lares. Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, o ICF subiu 0,7 %, chegando a 89,9 pontos. Embora o resultado permaneça abaixo da fronteira dos 100 pontos — limite que separa avaliação negativa de positiva —, o avanço sugere leve alívio na gestão do orçamento doméstico e na capacidade de consumo imediato.
Já entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, o indicador aumentou 0,4 %, alcançando 98,1 pontos. Neste grupo, a proximidade do patamar de otimismo confirma maior resiliência frente às oscilações macroeconômicas, além de um colchão financeiro que garante, ainda que de forma comedida, manutenção dos planos de compra a médio prazo.


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O que explica a evolução do indicador
A Fecomércio PR atribui a reação principalmente ao movimento de recomposição da renda formal, impulsionado por negociações salariais, pelo pagamento de bônus e pela leve flexibilização em políticas de estímulo ao consumo no período. Ainda assim, o Acesso ao Crédito negativo evidencia que as restrições impostas pelas taxas de juros seguem sendo obstáculo para a aquisição de bens duráveis — comportamento típico de um mercado que busca manter disciplina orçamentária.

Imagem: Gabriel Rosa
No âmbito nacional, o recuo contínuo do ICF desde agosto reforça a percepção de que o ritmo de recuperação não é uniforme entre as unidades da federação. Estados com maior diversificação produtiva, como o Paraná, apresentam sinais de vigor, enquanto regiões mais dependentes de transferências de renda ou do setor público encontram dificuldades adicionais para sustentar o consumo.
Perspectivas para os próximos meses
Os analistas da Fecomércio PR projetam que o indicador estadual pode permanecer em trajetória de alta moderada até o fim do ano, apoiado na sazonalidade típica de Natal e Ano-Novo. O desempenho, porém, dependerá de fatores como manutenção do nível de emprego, evolução da inflação de alimentos e eventual ajuste de política monetária. O patamar inferior a 100 pontos sinaliza que a confiança ainda não voltou ao terreno claramente positivo, exigindo cautela de empresários e consumidores.
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Em síntese, o consumo das famílias paranaenses mostrou reação em outubro, superou a tendência nacional e indica que o Estado mantém fôlego próprio. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique por dentro das próximas atualizações do cenário econômico.
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