Os gastos com viagens de parlamentares federais explodiram em 2025 e, até outubro, alcançaram R$ 7,8 milhões. O montante inclui passagens aéreas, diárias internacionais e voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) usados pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e pelo vice, Altineu Côrtes. O valor já ultrapassa, com folga, os R$ 3,7 milhões desembolsados durante todo o ano passado.
Fórum em Lisboa lidera ranking de despesas
O evento que mais pesou no bolso do contribuinte foi o Fórum Jurídico de Lisboa, realizado anualmente pela Faculdade de Direito da capital portuguesa em parceria com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Ao todo, 27 deputados desembolsaram R$ 498 mil para participar do encontro.
Entre as passagens, os preços ficaram distantes da realidade da maioria da população. Elcione Barbalho (MDB-PA) gastou R$ 26,4 mil apenas nos bilhetes de classe executiva; com diárias, a conta dela chegou a R$ 37,2 mil. Luciano Vieira (Republicanos-RJ) desembolsou R$ 28,3 mil em passagens e totalizou R$ 39,2 mil. Já Robson Faria (PP-RN) somou R$ 35 mil.
Na outra ponta, algumas despesas foram relativamente menores. Gilvan Máximo (Republicanos-DF) encontrou passagem por R$ 4,2 mil e, com diárias, totalizou R$ 9,5 mil. Pedro Paulo (PSD-RJ) pagou R$ 2,4 mil pelo trecho aéreo e recebeu R$ 10,9 mil em diárias, chegando a R$ 13,3 mil.
Voos da FAB pressionam orçamento da presidência da Câmara
O presidente da Câmara, Hugo Motta, viajou a Lisboa em aeronave da FAB. Somente o deslocamento de ida e volta custou R$ 237 mil, valor acrescido de R$ 14 mil em diárias. Em maio, Motta liderou missão oficial a Nova York para participar de encontros com investidores e executivos. A despesa do presidente — novamente em jato da FAB — ficou em R$ 223 mil, enquanto as passagens dos demais integrantes consumiram R$ 134 mil.
Em outra agenda, desta vez na Suíça, Motta optou por voos comerciais. A ida a Genebra para encontro com o representante brasileiro na ONU e para a Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos saiu por R$ 42,6 mil, com passagens de R$ 28 mil — cifra ainda elevada, porém bem inferior aos custos de um jato oficial.


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Nova York, Singapura e Uzbequistão concentram roteiros
Somaram 25 as idas de deputados a Nova York neste ano, totalizando R$ 446 mil. Em agosto, 12 parlamentares desembarcaram em Singapura para reuniões com órgãos educacionais locais. As passagens, todas em classe econômica, alcançaram R$ 115 mil; o gasto total chegou a R$ 236 mil.
Em abril, sete deputados participaram em Tashkent, capital do Uzbequistão, das reuniões do Comitê Executivo da União Interparlamentar. O deslocamento custou R$ 216 mil em passagens e R$ 85 mil em diárias, fechando a conta em R$ 301 mil. Houve ainda visita oficial de quatro parlamentares a Hanói, no Vietnã, ao custo de R$ 100 mil.
Viagens individuais também exibiram valores fora do padrão. Henrique Gagim (União-TO) desembolsou R$ 48 mil em passagem para Guangzhou, na China, onde participou da Feira de Cantão; com diárias, o total atingiu R$ 60 mil. Júlio Cesar Ribeiro gastou R$ 12 mil em diárias para acompanhar os Jogos Mundiais Universitários de Verão, sem registro de passagens.

Imagem: Marina Ramos
Classe executiva e reembolso público
Pela norma interna, presidentes de comissões, integrantes da Mesa Diretora e chefes de missões oficiais podem emitir bilhetes em classe executiva. Se o parlamentar quiser fazer o upgrade sem se enquadrar nessas posições, basta pagar a diferença com a própria Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). No entanto, a CEAP também é formada por recursos do Tesouro, o que, na prática, mantém o ônus sobre o contribuinte.
Comparativo anual revela escalada de custos
Em 2024, o orçamento da Câmara registrou R$ 3,7 milhões em viagens. Em dez meses de 2025, a despesa já avança 110%, chegando aos atuais R$ 7,8 milhões. A diferença reforça a crítica recorrente sobre o uso de dinheiro público para deslocamentos que, muitas vezes, oferecem retorno questionável à sociedade.
O salto nos gastos reacende o debate sobre a necessidade de regras mais rígidas e de maior transparência. Embora as viagens sejam justificadas como missões oficiais, a frequência de eventos em destinos turísticos, a preferência por classes premium e o uso de jatinhos oficiais apontam para uma rotina distante da realidade da maioria dos brasileiros, que arca com o custo final.
Quem acompanha o dia a dia do Congresso busca entender se haverá mudanças nos dispositivos que autorizam essas emissões. Sem alterações, a projeção é de que a conta ultrapasse R$ 9 milhões até dezembro.
Para analisar mais assuntos sobre o cenário político, o leitor pode conferir outras reportagens na seção dedicada do nosso site em Política.
Em resumo, a escalada de despesas com viagens parlamentares expõe uma realidade de custos elevados em tempos de ajuste fiscal. Acompanhe nossas atualizações e fique informado: assine as notificações e receba novos conteúdos diretamente no seu dispositivo.
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