A rápida expansão da inteligência artificial (IA) pode provocar uma ruptura sem precedentes no mercado de trabalho brasileiro e global. O economista Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e integrante da equipe econômica no governo Jair Bolsonaro, projeta um “tsunami” de desemprego nos próximos quatro anos. O alerta foi detalhado no e-book Princípios de economia e os desafios da inteligência artificial: a economia na era do preço zero, publicado em 30 de outubro de 2025.
Impacto comparável à primeira Revolução Industrial
Sachsida sustenta que a atual revolução tecnológica, capitaneada pela IA, tem poder disruptivo semelhante ao avanço das máquinas a vapor entre 1760 e 1850. Naquela época, fábricas inglesas dispensaram grandes contingentes de trabalhadores, gerando forte tensão social até que a economia absorvesse a mão de obra em novas frentes produtivas. A diferença agora reside na velocidade: segundo o economista, a transição impulsionada por algoritmos ocorrerá em intervalo muito menor, exigindo adaptação quase imediata.
Como exemplo, documentos internos da Amazon indicam a substituição de cerca de 500 mil funcionários por sistemas automatizados “nos próximos anos”. Para Sachsida, esse tipo de movimento demonstra que não apenas atividades braçais se tornarão obsoletas; ocupações de alta qualificação também estarão sob pressão.
Tarefas sob maior risco de automação
O estudo lista profissões e setores que podem sofrer impacto direto:
- Profissionais liberais e de alta qualificação: advogados, economistas, contadores, programadores e professores. Escritórios que mantinham dezenas de advogados poderão operar com pequenos núcleos encarregados de supervisionar relatórios gerados por IA.
- Classe média-baixa: porteiros, secretárias, motoristas e atendentes. Portarias virtuais, já disponíveis em alguns condomínios, tendem a reduzir significativamente a contratação de vigilantes presenciais.
- Setores específicos: escolas de idiomas, dublagem de filmes e tradução de textos enfrentam queda de demanda graças à tradução simultânea em tempo real. O mercado financeiro também figura na lista, com provável corte de caixas, gerentes de agência e atendentes.
Nesses casos, a repetição de tarefas padronizadas facilita a aplicação de softwares avançados, que já contam com aprendizado contínuo e custo marginal próximo de zero. O autor destaca que a combinação entre IA, hardware mais barato e evolução de processamento de dados torna economicamente viável automatizar rotinas antes inviáveis.
Equilíbrio entre mercado e intervenção estatal
Embora afirme que falhas de governo costumam ser mais danosas do que falhas de mercado, Sachsida reconhece a necessidade de medidas públicas pontuais para conter um pico de desemprego imediato. Entre as sugestões, o economista propõe ajustes em políticas educacionais e assistenciais que proporcionem requalificação rápida. Ele cita, ainda, a possibilidade de instaurar uma renda básica universal (RBU) como amortecedor temporário, justamente para ganhar tempo enquanto novos postos emergem.


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Para o ex-ministro, a prioridade é evitar tensões sociais decorrentes da demora na recolocação profissional de milhões de trabalhadores. Ele sustenta que a intervenção deve ser focada e pautada em resultados para não comprometer a eficiência econômica. A longo prazo, a inovação tende a elevar produtividade e renda; no curto prazo, entretanto, a realocação de mão de obra é vista como o “calcanhar de Aquiles” da revolução da IA.

Imagem: criada utilizando Dall-E
Sachsida frisa que o poder público precisará agir antes que o ciclo de demissões em massa se consolide. Ferramentas como o ChatGPT, lançado em novembro de 2022, já evoluíram para versões muito mais potentes em menos de três anos, evidenciando a velocidade do fenômeno. A pressa se justifica: quanto maior o espaço entre a perda de postos e a criação de novas oportunidades, maior o risco de queda no bem-estar da população.
O debate sobre a forma de mitigar impactos avança em paralelo às ondas de inovação. Enquanto congressistas discutem eventuais marcos regulatórios, empresas correm para modernizar processos e reduzir custos. O resultado, segundo o economista, será sentido primeiro na classe média, que verá profissões tradicionalmente estáveis perderem espaço para algoritmos treinados em bases de dados gigantescas.
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Em resumo, a inteligência artificial avança em ritmo acelerado e impõe desafios inéditos à força de trabalho, especialmente à classe média. Ajustes educacionais, requalificação profissional e soluções de renda temporária surgem como caminhos para amortecer o choque enquanto a economia se reorganiza. Continue acompanhando nossas publicações e esteja sempre preparado para as mudanças que vêm pela frente.
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