Rio de Janeiro, 30 out. 2025 — Seis governadores de oposição e a vice-governadora do Distrito Federal oficializaram a criação do “consórcio da paz”, iniciativa voltada à integração de esforços em segurança pública sem a mediação direta do Palácio do Planalto. O anúncio ocorreu após reunião no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, conduzida por Cláudio Castro (PL).
Aliança estadual foca em integração de segurança
Estiveram presencialmente no encontro Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC) e Eduardo Riedel (PP-MS), além da vice-governadora do DF, Celina Leão (PP). Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) participou por videoconferência. A motivação imediata foi a operação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio, que terminou com 121 suspeitos mortos.
Segundo Castro, o consórcio atuará em três frentes principais: inteligência integrada, compartilhamento de logística e suporte de contingente entre forças estaduais. “A ideia é replicar formatos de consórcios já existentes em outras áreas para enfrentar o crime organizado”, afirmou o governador, sem antecipar detalhes operacionais.
Chefes das polícias Militar e Civil do Rio, bem como o secretário de Segurança Pública do estado, participaram das discussões. A equipe técnica agora elabora um cronograma de intercâmbio de informações, aquisições conjuntas e emprego coordenado de efetivo em missões interestaduais.
Os governadores sinalizaram que a adesão não ficará restrita aos estados presentes. Um convite formal será encaminhado a outras unidades da federação, inclusive a administrações que não compõem a oposição, caso desejem aderir à política de integração.
Críticas à PEC da Segurança Pública impulsionam movimento
Durante a coletiva, Ronaldo Caiado atribuiu o surgimento do consórcio ao que qualificou como tentativa federal de “subtrair a autonomia” dos estados. Ele reagiu especificamente à Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, enviada pelo governo Lula em abril, que institui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




“A Constituição de 1988 estabelece que a segurança pública é dever prioritário dos estados. A PEC quer transferir a diretriz geral ao Ministério da Justiça, restringindo nossa ação direta”, declarou o governador goiano, acrescentando que a ausência de coordenação nacional efetiva também pesou na decisão de criar o novo bloco.
Romeu Zema endossou a crítica. Ao comentar a operação fluminense, classificou como “bem-sucedida” a ação que eliminou 121 suspeitos e observou não haver registro de óbitos de inocentes. Para ele, números elevados de baixas entre criminosos resultam da postura de enfrentamento firme adotada pelas forças estaduais, postura que poderia ser cerceada caso Brasília passe a definir protocolos.
Jorginho Mello destacou que o consórcio permitirá emprestar recursos materiais e financeiros de um estado a outro de forma célere, sem depender de repasses federais. Eduardo Riedel apontou que a integração tecnológica será prioridade inicial, com a criação de um banco de dados compartilhado sobre facções e mandados de prisão.
Cellina Leão, representando o DF, avaliou que a convergência de linhas de ação facilitará operações em áreas de fronteira e divisas rodoviárias, locais apontados como rota de armas e drogas. Já Tarcísio de Freitas, de São Paulo, manifestou confiança de que o modelo “aumentará a eficiência e reduzirá custos operacionais”.

Imagem: Internet
Para acompanhar outras iniciativas estaduais em defesa de prerrogativas constitucionais, o leitor pode visitar a seção de Política do Geral de Notícias.
Próximos passos e ampliação do bloco
Cláudio Castro anunciou que o Rio de Janeiro servirá como “laboratório” para as primeiras medidas do consórcio. Em até 60 dias, equipes técnicas deverão apresentar um protocolo de intervenção conjunta em áreas de risco, definindo cadeia de comando, regras de engajamento e custeio proporcional.
Uma nova reunião está agendada para as próximas semanas, quando será formalizado o estatuto da aliança e convidadas demais unidades da federação. Governadores presentes afirmaram que a participação não implicará qualquer vínculo financeiro obrigatório — cada estado decidirá quanto aportar em equipamentos, treinamento ou efetivo.
Embora o consórcio nasça como frente de oposição, seus integrantes afirmam que não haverá restrição partidária para futuras adesões. Ainda assim, o movimento reforça a articulação de governadores críticos a iniciativas de centralização do Executivo federal, especialmente após operações policiais de grande repercussão.
O consórcio surge também no contexto de debate sobre indicadores de letalidade policial. Enquanto entidades de direitos humanos questionam o número de mortes, gestores estaduais enfatizam a eficiência operacional e a ausência de vítimas civis. A divergência acentua o contraste de enfoques entre governos estaduais e Ministério da Justiça, que defende padronização nacional com ênfase em redução de mortes.
Em síntese, a união dos governadores pretende consolidar uma linha de ação coordenada, voltada ao fortalecimento da inteligência e ao apoio mútuo, reafirmando a competência constitucional dos estados no combate ao crime. O desempenho do “consórcio da paz” nas primeiras missões será decisivo para medir sua capacidade de influenciar a política de segurança pública no país.
Resumo e convite: Governadores de oposição lançaram no Rio um consórcio para integrar recursos de segurança sem depender do governo federal. A iniciativa mira troca de inteligência, apoio logístico e resistência à PEC que concentra poder em Brasília. Continue acompanhando o tema e compartilhe este conteúdo para manter o debate sobre a autonomia dos estados vivo.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

