A Fundação Casa de Rui Barbosa, vinculada ao Ministério da Cultura, divulgou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-ministro petista José Dirceu estão na lista de agraciados com a Medalha Rui Barbosa de 2025. A cerimônia de entrega ocorrerá na próxima sexta-feira, 7 de novembro, na sede da instituição, no Rio de Janeiro.
Cerimônia marcada para 7 de novembro
Criada em 1949, a Medalha Rui Barbosa reconhece personalidades e entidades que, segundo a fundação, contribuem para “o fortalecimento da cultura brasileira, a diversidade de expressões culturais e a memória histórica do país”. A edição de 2025 foi anunciada em nota oficial assinada pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, que definiu a premiação como “celebração do valor da cultura como pilar da democracia e da cidadania”.
Alexandre Santini, presidente da Casa de Rui Barbosa, afirmou que a escolha deste ano pretende destacar “o compromisso com a cultura, a democracia e os princípios humanistas de Rui Barbosa”. Além de Moraes e Dirceu, o colegiado selecionou outros nomes:
- Deputados federais Chico Alencar (PSOL-RJ) e Daniel Soranz (PSD-RJ);
- Teólogo e escritor Frei Betto;
- Associação Juízes e Juízas pela Democracia;
- Campanha “Sem Memória Não Há Democracia”, dedicada à criação de um centro de memória no antigo DOPS;
- A artista e liderança indígena Daiara Tukano;
- Instituto Cultural da Feira de São Cristóvão;
- João Jorge Rodrigues, presidente da Fundação Cultural Palmares;
- A professora Lúcia Lippi, do CPDOC/FGV;
- Mestre Paulão Kikongo, presidente da Associação de Capoeira Kilombarte.
Histórico de José Dirceu volta ao centro das atenções
José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil entre 2003 e 2005, teve o mandato de deputado cassado em 2005 após o escândalo do Mensalão. Em 2013, foi condenado a 7 anos e 11 meses por participação no esquema de compra de apoio parlamentar entre 2003 e 2004. Três anos depois, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, anulou a sentença. Em outubro de 2024, o ministro Gilmar Mendes invalidou todos os atos processuais da Operação Lava Jato relacionados ao ex-ministro.
Com as decisões favoráveis, Dirceu cogita disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A inclusão de seu nome na lista de homenageados reforça a projeção pública que o ex-ministro busca recuperar após duas décadas de processos judiciais e repercussão negativa.
Trajetória de Alexandre de Moraes na Suprema Corte
Alexandre de Moraes ocupa cadeira no STF desde 2017, indicado pelo então presidente Michel Temer. Nos últimos anos, tornou-se figura central em inquéritos que investigam atos antidemocráticos, desinformação nas redes sociais e manifestações contrárias às instituições. À frente dessas investigações, Moraes ganhou destaque nacional e passou a concentrar protagonismo no Judiciário, situação que divide opiniões no meio político.


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Objetivos declarados da premiação
De acordo com a fundação, o prêmio busca “reconhecer trajetórias que reflitam ética pública, pensamento crítico e compromisso com a cultura enquanto dimensão essencial da vida democrática”. Nos critérios divulgados, a entidade ressalta valores republicanos e humanistas associados a Rui Barbosa, jurista que defendeu o federalismo e a separação de poderes na Primeira República.
Organizadores afirmam que a honraria tem caráter anual e pretende manter viva a discussão sobre memória, cidadania e pluralidade cultural. No entanto, a escolha de figuras com histórico de condenações posteriormente anuladas, como Dirceu, deve gerar questionamentos sobre a coerência entre os princípios enumerados pela fundação e o perfil de alguns premiados.
Outros homenageados e áreas de atuação
Entre os demais agraciados, o deputado Chico Alencar possui trajetória no campo da educação e dos direitos humanos, enquanto Daniel Soranz é médico e ex-secretário municipal de Saúde no Rio de Janeiro. O teólogo Frei Betto, defensor da Teologia da Libertação, figura em diversas iniciativas ligadas à segurança alimentar.

Imagem: Rosinei Coutinho
A premiação também reconhece coletivos e instituições: a Associação Juízes e Juízas pela Democracia, que se posiciona em temas de acesso à Justiça; a campanha “Sem Memória Não Há Democracia”, voltada à preservação de arquivos sobre o período militar; o Instituto Cultural da Feira de São Cristóvão, tradicional polo de divulgação da cultura nordestina; e a Fundação Cultural Palmares, atualizada sob gestão de João Jorge Rodrigues.
Na esfera acadêmica, a professora Lúcia Lippi, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas, recebe menção pela contribuição à história política brasileira. Já Mestre Paulão Kikongo é reconhecido pela difusão da capoeira como patrimônio cultural.
Com a solenidade marcada, o Ministério da Cultura aposta na premiação para reforçar a pauta de diversidade cultural. Entretanto, a presença de líderes com histórico de conflitos judiciais tende a estimular debate sobre critérios e mensagens transmitidas ao público.
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Em resumo, a Medalha Rui Barbosa 2025 será entregue a nomes de peso do Judiciário e da política, incluindo Alexandre de Moraes e José Dirceu, reforçando a estratégia do governo de destacar pluralidade cultural. Continue ligado e acompanhe nossos próximos conteúdos para entender os desdobramentos e impactos dessa escolha.
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