O Palácio do Planalto abriu a carteira para reforçar sua presença nas redes sociais após a megaoperação contra o narcotráfico no Rio de Janeiro. Entre quarta-feira (29) e a manhã de sábado (1.º), o governo federal desembolsou R$ 454 mil em impulsionamento de três publicações sobre segurança pública no ecossistema da Meta, que inclui Facebook e Instagram.
Impulso financeiro para disputar narrativa
Os dados constam do relatório de transparência da própria plataforma e foram confirmados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). O objetivo declarado é ampliar o alcance de conteúdos institucionais, mas o movimento ocorre no momento em que a gestão petista tenta conter críticas ao seu desempenho na área de segurança.
A megaoperação no Rio, liderada por forças estaduais, ganhou repercussão nacional e reavivou o debate sobre a estratégia de enfrentamento ao crime organizado. Governadores alinhados à oposição, especialmente Cláudio Castro (PL-RJ), utilizam o episódio para apresentar resultados concretos de policiamento ostensivo. No Planalto, a avaliação é que a direita ganhou novo fôlego e pode explorar eleitoreiramente a pauta, considerada ponto sensível para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Conteúdo promovido: PEC da Segurança e “combate inteligente”
Entre as três peças publicitárias bancadas pela União, duas merecem destaque. A primeira defende a PEC da Segurança, apresentada em abril, que pretende incluir o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição e impor diretrizes de atuação integrada entre União, estados e municípios. O texto aguarda parecer na Comissão Especial da Câmara e deve seguir ao plenário até o fim do ano.
A segunda publicação sustenta que “matar criminosos não é solução” e prega o uso de inteligência para “atacar o crime na cabeça, mas não de pessoas”. O tom, ainda que sem menção direta, contrasta com ações mais agressivas do governo fluminense, que resultaram em confrontos armados e forte presença policial em comunidades.
Já o vídeo mais recente divulga o projeto de lei antifacção, encaminhado ao Congresso na sexta-feira (31). A proposta cria o crime de “organização criminosa qualificada”, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão, focando facções com estrutura hierárquica e atuação interestadual ou internacional. A peça recorda uma operação conjunta do Ministério Público e da Receita Federal, deflagrada em agosto, que mirou o PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro.


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Gastos digitais disparam em 2025
A ofensiva recente é parte de estratégia mais ampla. De janeiro a outubro de 2025, o governo federal já investiu R$ 69 milhões em publicidade online — alta de 110 % em relação ao mesmo período de 2024. Apenas em ações específicas na Meta, mais de R$ 1 milhão foi destinado no início do ano.
Segundo a Secom, o foco é “equilibrar” o ambiente digital, tradicionalmente dominado por perfis de direita. O plano prevê redução gradual dos recursos para televisão e aumento progressivo no meio online, além da contratação de influenciadores digitais para alcançar públicos que pouco consomem mídia convencional.

Imagem: Valter Campanato
A aceleração do gasto ocorre em ano pré-eleitoral, quando partidos já ajustam discursos de olho nas urnas de 2026. Para o Planalto, manter controle do debate sobre segurança é crucial para evitar desgaste e consolidar percepções positivas que Lula vinha registrando em pesquisas recentes.
Repercussão e próximos passos no Congresso
No Parlamento, a base governista trabalha para acelerar a tramitação tanto da PEC da Segurança quanto do projeto antifacção. A expectativa é entregar respostas legislativas antes do recesso, reforçando o discurso de que o Executivo age de forma planejada, não apenas reativa a operações isoladas.
Paralelamente, a oposição promete intensificar cobranças por ações mais enérgicas contra facções, defendendo inclusive mudanças nas regras de engajamento das forças federais. O governador Cláudio Castro, por exemplo, já anunciou que encaminhará ao Senado proposta para ampliar o emprego de agentes da Força Nacional no Rio.
Como já registramos em outras reportagens da seção de política do nosso portal, o embate sobre segurança pública tende a se intensificar nos próximos meses. Para acompanhar a cobertura completa, visite a página de Política.
Em síntese, o governo Lula aposta pesado em anúncios nas redes para defender sua agenda de segurança e neutralizar críticas. Fique atento às atualizações e compartilhe esta reportagem para ampliar o debate sobre o uso de recursos públicos na comunicação oficial.
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