O controle territorial no Rio de Janeiro voltou ao centro do debate depois da megaoperação policial no Complexo da Penha, reduto do Comando Vermelho. Especialistas em segurança pública advertem que o fenômeno não se limita à capital fluminense: cerca de um quarto do território nacional e 23 milhões de brasileiros vivem, hoje, sob a autoridade direta de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conflito territorial transforma favelas em fortalezas
A disputa envolve três atores principais: o Estado, o CV e o PCC. Cada grupo busca impor regras, cobrar “tributos” locais e garantir monopólio sobre atividades ilegais. Nos morros cariocas, a topografia favorece as facções. Ruas estreitas e encostas íngremes dificultam manobras de batalhões convencionais, enquanto posições elevadas oferecem vantagem defensiva. Cálculos das próprias forças de segurança indicam a necessidade de, pelo menos, quatro agentes para cada criminoso a fim de retomar áreas dominadas.
Esse tipo de cenário lembra a persistência de pequenos territórios montanhosos na Europa, como Liechtenstein ou Andorra, que resistiram a conquistas militares justamente pela geografia. Situação semelhante se repete nos Andes, onde grupos ligados ao narcotráfico mantêm espaço no Peru, na Bolívia e na Colômbia.
No Rio, o recuo deliberado do poder público abriu espaço para a expansão criminosa. Sem presença contínua do Estado, facções assumem serviços de “segurança”, abastecimento e até resolução de conflitos comunitários. Em troca, impõem taxas sobre moradores e comerciantes, reforçando o ciclo de financiamento para armamentos e drogas.
Indicadores internacionais sinalizam fragilidade estatal
O Índice dos Estados Frágeis, que mede a capacidade de governos de controlar território e prover serviços, coloca o Brasil na 78.ª posição entre 179 países. Pontuações negativas concentram-se em divisão social, legitimidade política e oferta de serviços básicos. Esses fatores pioram desde 2006, acompanhados de perda do monopólio da força, requisito clássico de soberania definido por Max Weber.
Países vizinhos atravessam quadro semelhante. Colômbia, Venezuela e Equador já são classificados por analistas como narcoestados. Bolívia e Brasil compartilham tendência de retração estatal em regiões inteiras, consolidando corredores de produção, refino e distribuição de entorpecentes.


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Falta de arrecadação e infiltração favorecem avanço do crime
O economista David Friedman sustenta que a extensão territorial de um país está vinculada à capacidade de cobrar impostos. Onde essa cobrança falha, abre-se espaço para grupos que garantam presença física e recolham suas próprias “taxas”. Nas comunidades dominadas por facções, o Estado mal consegue fiscalizar atividade econômica, enquanto o crime organizado financia a própria defesa com recursos obtidos localmente.

Imagem: Tânia Rego
Estudiosos da área apontam ainda conexões entre integrantes do poder público e lideranças criminosas, fator que dificultaria operações de longo prazo. Segundo análises, se grupos terroristas estrangeiros controlassem o mesmo território, a reação governamental seria diferente pela ausência de vínculos políticos ou econômicos internos.
Enquanto isso, órgãos federais concentram esforços em agendas como regulação de redes sociais, combate a “desinformação” e punição de supostos crimes de opinião. Para especialistas, a mudança de foco contribui para reduzir ainda mais a pressão contra as facções.
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Em síntese, a retirada do Estado de áreas estratégicas, somada à vantagem geográfica das favelas e à capacidade financeira das facções, consolida um quadro de perda territorial que atinge milhões de brasileiros. Monitorar indicadores internacionais, reforçar presença permanente de segurança e cortar fontes de financiamento criminoso aparecem como medidas centrais para reverter essa tendência. Continue informado e compartilhe este conteúdo para ampliar o debate sobre segurança pública.
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