Brasília, 3 nov. 2025 — A determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de empregar tropas federais em Belém durante a COP 30 reaqueceu a tensão entre Palácio do Planalto e oposição. Líderes parlamentares de direita acusam o chefe do Executivo de priorizar um evento internacional em detrimento da crise de segurança pública que aflige o Rio de Janeiro.
GLO exclusiva para Belém
O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi publicado nesta segunda-feira (3). Ele autoriza o emprego das Forças Armadas na capital paraense entre 7 e 17 de novembro, período que abrange a conferência climática da ONU. O pedido partiu do governador Helder Barbalho (MDB), aliado do presidente.
Segundo o texto, militares protegerão infraestrutura considerada crítica — usinas hidrelétricas, portos, aeroportos, estações de tratamento de água — e farão a segurança das 140 delegações estrangeiras e mais de 50 chefes de Estado esperados. O Exército atuará em pontos estratégicos, enquanto Marinha e Aeronáutica reforçarão áreas fluvial e aérea.
Três negativas ao Rio de Janeiro
Parlamentares de oposição lembram que o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), solicitou operação semelhante em três ocasiões ao longo de 2025. O objetivo era conter o avanço do Comando Vermelho em comunidades da Zona Norte e Baixada Fluminense. Os pedidos foram protocolados em fevereiro, junho e setembro, sem resposta favorável.
Na ausência de apoio federal, o governo estadual mobilizou 4,2 mil agentes em uma megaoperação na semana passada. O balanço oficial aponta 113 prisões e 121 mortos — a maioria, segundo a secretaria de Segurança, ligada ao crime organizado. A ação recuperou 78 fuzis, 212 pistolas e 6,5 toneladas de drogas.
Para o deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, a disparidade comprova “dois pesos e duas medidas” na política de segurança do Planalto. “Quando a vida de brasileiros está em risco, o governo lava as mãos; mas se apressa a proteger autoridades estrangeiras”, afirmou em nota.


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Críticas ao custo e à prioridade
Zucco classificou a destinação de recursos militares à COP 30 como “incoerente” e “desprezo pela segurança cotidiana”. Ele aponta gastos superiores a R$ 1,2 bilhão para logística, hospedagem e estrutura bélica em Belém, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta recorde de letalidade violenta.
Outros parlamentares repetiram o discurso. A deputada Carla Zambelli (PL-SP) questionou se o governo “trata o tráfico como vítima” e “abandona policiais e trabalhadores”. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou em “Brasil de duas castas: autoridades protegidas e população exposta”.
Justificativa do Planalto
Fontes do Ministério da Defesa alegam que a COP 30 possui status de evento protegido por acordos internacionais, obrigação que exige segurança reforçada. A pasta sustenta que pedidos estaduais de GLO devem obedecer critérios técnicos, entre eles a exaustão de recursos locais — condição, diz o governo, ainda não demonstrada pelo Rio.
Auxiliares de Lula destacam que o estado fluminense já recebe apoio da Força Nacional de Segurança desde janeiro, além de repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública para compra de blindados e câmeras corporais. A oposição rebate, alegando que “contingentes simbólicos” não substituem uma operação robusta das Forças Armadas.

Imagem: reprodução
Interesse político em jogo
Para analistas do Congresso, o apoio a Barbalho fortalece um aliado que preside o MDB no Pará, partido crucial para votações governistas. Já o governador Cláudio Castro faz oposição ao Planalto e integra a base do ex-presidente Jair Bolsonaro, adversário direto de Lula.
Deputados federais prometem convocar o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para explicar os critérios usados na negativa ao Rio e a autorização à Belém. Líderes da minoria articulam requerimento de informações ainda esta semana.
Próximos passos
A GLO na capital paraense entrará em vigor quatro dias antes da abertura oficial da conferência da ONU, prevista para 10 de novembro. O efetivo será definido pelo Comando Conjunto da Amazônia, mas a estimativa inicial gira em torno de 5 mil militares.
No Rio de Janeiro, Cláudio Castro pretende manter operações estaduais de alta intensidade. O plano estratégico inclui bloqueio de rodovias usadas por traficantes, monitoramento de favelas por drones e reforço de batalhões de choque.
O embate sobre a presença das Forças Armadas expõe a divisão política em torno da segurança pública e coloca o tema no centro do debate legislativo. A oposição aposta na repercussão do caso para pressionar o Palácio do Planalto a rever a postura em relação ao Rio e adotar linha mais dura contra o crime.
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Em síntese, Lula autorizou GLO para a COP 30 em Belém após solicitação de aliado, enquanto segue recusando pedidos semelhantes do Rio. Oposição vê seletividade, questiona prioridades e promete levar o debate ao Congresso. Acompanhe nossas próximas atualizações e compartilhe esta matéria para ampliar a discussão sobre segurança pública.
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