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Gilmar Mendes leva fórum jurídico a Buenos Aires e reúne ministros, políticos e banqueiros

Política

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), transfere nesta semana para a América do Sul o evento que se tornou conhecido como “Gilmarpalooza”. A primeira edição fora de Lisboa foi batizada de Fórum de Buenos Aires e ocorrerá de 5 a 7 de junho na capital argentina, mantendo o mesmo modelo de debates que, ao longo de 13 anos, atraiu a elite política, jurídica e empresarial em Portugal.

Fórum estreia na América do Sul

O encontro começa na próxima quarta-feira (5) em um hotel de Buenos Aires e pretende discutir temas ligados à governança pública, economia e sistema de Justiça. Gilmar Mendes assume a coordenação das mesas, repetindo o formato de painéis curtos seguidos de rodadas de networking que caracterizam a versão portuguesa.

Segundo a organização, o objetivo é aproximar gestores públicos, magistrados e executivos em ambiente “acadêmico”. A iniciativa ocorre poucos meses depois de autoridades brasileiras enfrentarem sanções impostas pelos Estados Unidos, inclusive a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, que terá visto norte-americano cancelado.

A escolha da Argentina, em meio à recente guinada liberal do governo Javier Milei, também chama atenção. Nos bastidores, a mudança de sede sinaliza o desejo de ampliar a influência do fórum em toda a região, consolidando-o como espaço de diálogo sul-americano para políticas públicas e ambiente de negócios.

Presenças do Judiciário, Executivo e mercado financeiro

A lista de convidados reúne nomes de peso dos três Poderes e do setor privado. Além de Gilmar Mendes, o STF estará representado por Alexandre de Moraes, que falará sobre “proteção à democracia em tempos de crise”. O governo Lula enviará os ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), responsáveis por painéis ligados à segurança alimentar e transição energética.

No Congresso, confirmaram presença o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o deputado Marcos Pereira, líder do Republicanos. Já o setor financeiro contará com Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho do Bradesco, e André Esteves, chairman do BTG Pactual. O ex-presidente colombiano Iván Duque e o CEO da Light, Alexandre Nogueira, completam a lista internacional.

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Completam a relação o senador Eduardo Gomes, primeiro vice-presidente do Senado, e o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luís Felipe Salomão. Ao todo, mais de 30 expositores participarão de mesas sobre segurança jurídica, investimento estrangeiro e reformas estruturais.

Críticas sobre proximidade entre magistrados e empresários

Apesar do prestígio, o evento coleciona críticas recorrentes de entidades que apontam possíveis conflitos de interesse quando magistrados dividem painéis e almoços com executivos que possuem processos em tramitação no STF. Especialistas em ética pública alertam para o risco de “porta giratória” e ausência de transparência na relação entre julgadores e partes interessadas.

A organização afirma que todas as atividades têm caráter acadêmico e que não há discussões sobre casos específicos. Mesmo assim, a presença de banqueiros influentes alimenta questionamentos sobre a linha que separa networking legítimo de influência indevida.

Outro ponto levantado por críticos diz respeito aos custos. Embora patrocinadores privados arquem com parte das despesas, não há divulgação detalhada dos valores investidos nem dos critérios de seleção dos convidados. A falta de clareza reforça cobranças por maior publicidade sobre financiadores e contrapartidas.

Agenda, temática e expectativas

O Fórum de Buenos Aires será dividido em seis blocos temáticos. Entre os assuntos previstos estão segurança alimentar, transição energética, combate à corrupção, independência das instituições e ambiente macroeconômico da América Latina. Cada painel reservou espaço para perguntas da plateia, composta por cerca de 250 participantes, segundo estimativa dos organizadores.

Ao final dos trabalhos, na sexta-feira (7), Gilmar Mendes deve anunciar a continuidade do modelo itinerante. Há negociações para edições futuras em cidades da Colômbia e do Chile, com vistas a integrar representantes de diferentes correntes políticas.

No contexto brasileiro, o deslocamento do fórum ocorre em meio a derrotas do governo no Congresso e a movimentos de pressão sobre o Judiciário. A presença simultânea de ministros da Corte, parlamentares e executivos reforça a percepção de que o evento serve como espaço estratégico para articulações de alto nível.

Para acompanhar outras pautas do cenário institucional do país, acesse também a seção de Política do Geral de Notícias.

Este resumo apresentou os principais pontos do Fórum de Buenos Aires, desde a agenda até as críticas sobre transparência. Continue acompanhando nossas atualizações e receba em primeira mão as movimentações que impactam o poder e a economia.

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