Brasília, 5 de novembro de 2025 – O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, de forma unânime, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. A decisão preserva o patamar mais alto da Selic desde julho de 2006, mesmo diante da ofensiva pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por cortes imediatos.
Copom alega cautela para conter inflação resistente
Em comunicado, o Banco Central avaliou que a manutenção prolongada da Selic é “suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”. A diretoria ressaltou que, caso necessário, “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste”, sinalizando que novas altas continuam no radar caso o cenário se deteriore.
O Copom apontou cinco fatores para justificar a postura cautelosa:
1) expectativas de inflação desancoradas;
2) projeções de preços ainda acima da meta;
3) atividade econômica resiliente;
4) pressões no mercado de trabalho;
5) incertezas externas, especialmente após o anúncio de tarifas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Segundo o colegiado, esse conjunto de variáveis exige uma política monetária “significativamente contracionista por período bastante prolongado”. O órgão também ressaltou que, embora os índices de preços tenham mostrado “algum arrefecimento”, o nível geral permanece acima do objetivo fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Pressão do Planalto por redução imediata dos juros
A decisão do Copom ocorre dois dias depois de o ministro Fernando Haddad afirmar que, se estivesse no comando do Banco Central, votaria por corte na Selic. Um dia antes, o presidente Lula declarou em evento no Palácio do Planalto que “o Banco Central vai precisar começar a baixar o juro” e prometeu implementar uma “política monetária mais séria”.


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As declarações reforçam a ofensiva do governo federal iniciada no início do mandato, quando o Executivo passou a cobrar redução rápida dos juros em meio a um quadro fiscal ainda indefinido. Mesmo diante das críticas, a diretoria do BC segue defendendo independência e enfatiza que a credibilidade da política monetária depende do cumprimento estrito da meta de inflação.
Contexto fiscal e riscos externos seguem no radar
No comunicado, o Copom voltou a mencionar os impactos da política fiscal doméstica sobre a inflação. O colegiado monitora atentamente os projetos em tramitação no Congresso, que podem elevar gastos obrigatórios e, consequentemente, exigir compensação via política monetária mais restritiva.
Além disso, a instituição citou o aumento de incertezas no cenário internacional, destacando as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Esse tipo de medida, avalia o Banco Central, tende a pressionar as cadeias produtivas e pode afetar o câmbio, repassando custos ao consumidor final.
Mercado aguarda próximos passos
Analistas do setor financeiro já trabalhavam com a manutenção da Selic nesta reunião, mas avaliam que o tom do comunicado fechou a porta para cortes no curto prazo. A possibilidade de retorno do ciclo de alta, mencionada explicitamente pelo Copom, foi lida como um sinal de que a autoridade monetária não cederá a pressões políticas enquanto a inflação não convergir.

Imagem: Rovena Rosa
Para as próximas reuniões, economistas projetam que o BC seguirá dependente dos dados. Caso a inflação mensal volte a acelerar ou a política fiscal avance sem contrapartidas críveis, há chance de a Selic permanecer em 15% até 2026.
Reações no governo
Questionado após a divulgação da ata, o ministro Fernando Haddad reafirmou que “há espaço técnico” para cortes, mas disse respeitar a autonomia do Banco Central. Integrantes do Ministério do Planejamento, por sua vez, reforçaram que a equipe econômica seguirá negociando com o Congresso para aprovar medidas de controle de gastos.
Parlamentares da base governista criticaram a decisão, alegando que juros elevados inibem investimentos e retardam a recuperação do emprego. Já oposicionistas defenderam a manutenção da Selic como “freio necessário” para conter a escalada de preços.
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O Banco Central reforçou que o próximo encontro do Copom ocorrerá em 21 e 22 de janeiro de 2026, quando novos dados de inflação e atividade serão avaliados. Até lá, a instituição promete continuar monitorando de forma “permanente e vigilante” todos os indicadores.
Em resumo, a manutenção da Selic em 15% reflete a estratégia do Banco Central de priorizar o controle inflacionário, mesmo diante da pressão direta do Palácio do Planalto por juros menores. Se você quer se manter informado sobre os próximos movimentos na política monetária e fiscal, acompanhe nossas atualizações e receba os alertas em primeira mão.
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