Brasília, 6 nov. 2025 – O cenário econômico brasileiro registrou, nesta quarta-feira, dois movimentos de grande alcance para consumidores, investidores e para o próprio governo federal. De um lado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, contrariando a ofensiva do Palácio do Planalto por cortes mais rápidos. De outro, o Senado aprovou projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para salários de até R$ 5 mil, aliviando a carga para a base da pirâmide de contribuintes.
Copom sustenta Selic em 15% e reforça independência do BC
O Copom encerrou a reunião de novembro confirmando a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano. A decisão foi unânime e veio após semanas de pressão pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrava cortes para estimular a atividade. Segundo a nota divulgada, a autoridade monetária avaliou que a conjuntura fiscal continua incerta e que a inflação, embora em trajetória de queda, ainda exige cautela.
Na avaliação técnica do Banco Central, o cenário externo, marcado pela política mais rígida de juros nos Estados Unidos, somado ao avanço modesto da consolidação fiscal no Brasil, recomenda preservar a taxa atual. Com isso, a Selic permanece no patamar mais elevado desde 2016, servindo como âncora para a expectativa inflacionária de longo prazo.
Senado aprova nova faixa de isenção do IR
Enquanto o Copom segurava os juros, o Senado aprovou, por ampla maioria, o projeto que isenta do IR pessoas físicas com rendimento mensal de até R$ 5 mil. A medida beneficia assalariados de renda média e deverá custar cerca de R$ 19 bilhões anuais aos cofres federais, segundo estimativa da Consultoria Legislativa. O texto segue agora para a Câmara, onde líderes sinalizaram acelerar a votação.
Relator da proposta, o senador Carlos Viana (PL-MG) justificou que o reajuste na tabela corrige parte das perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos. A equipe econômica, no entanto, ainda não apresentou compensações integrais para a renúncia de receita. O Ministério da Fazenda informou que avaliará ajustes para preservar a meta de resultado primário.
Banco Central encerra projeto Drex
No mesmo dia, o Banco Central comunicou a descontinuação do Drex, moeda digital que vinha sendo testada em ambiente restrito. O órgão não detalhou motivos, apenas indicou “mudança de prioridades”. O cancelamento põe fim a meses de expectativa sobre o Real Digital, visto pelo mercado como possível plataforma para acelerar pagamentos de atacado.


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Haddad refuta risco fiscal
Logo após o anúncio do Copom, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de evento sobre exportações em Brasília. Perguntado sobre o impacto das medidas no equilíbrio das contas públicas, Haddad afirmou que falar em crise fiscal “é delírio” e atribuiu a narrativa a setores da imprensa. O ministro reiterou que o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária garantirão sustentabilidade da dívida.
Câmara corre para regulamentar aplicativos
Na área trabalhista, a Câmara dos Deputados acelerou discussões sobre a regulamentação de motoristas e entregadores por aplicativo. O objetivo é votar um texto antes de eventual decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre vínculo empregatício. Internamente, o governo defende aplicar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ao setor, medida que geraria novos encargos para as plataformas.

Imagem: André Borges
Itamaraty agenda encontro com senador norte-americano
No campo diplomático, o chanceler Mauro Vieira confirmou reunião no Canadá com o senador norte-americano Marco Rubio. O encontro ocorre na gestão do presidente Donald Trump e tem como pauta comércio, segurança e meio ambiente. A aproximação sinaliza tentativa de ampliar o diálogo bilateral após tensões iniciais.
Os acontecimentos deste 6 de novembro evidenciam a divisão de prioridades entre o Banco Central, focado na estabilidade de preços, e o Executivo, empenhado em expandir gastos e aliviar impostos. A manutenção da Selic protege a moeda e contém pressões inflacionárias, enquanto a isenção do IR busca atender à demanda popular por alívio tributário, ainda que sem fonte definida de compensação.
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Em resumo, Copom, Senado e Banco Central tomaram decisões que afetam tanto o bolso do trabalhador quanto o planejamento de empresas. Acompanhe nossas próximas reportagens e receba alertas sobre mudanças que podem impactar seu dia a dia.
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