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Operação Contenção expõe domínio do crime no Rio e pressiona governo Lula

Política

O confronto entre forças de segurança e traficantes durante a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, recolocou a segurança pública no centro do debate nacional. A investida, deflagrada na primeira semana de novembro, resultou na morte de quatro policiais e 117 suspeitos ligados ao Comando Vermelho, além de cenas de guerra urbana com drones lançando explosivos e criminosos armados com fuzis de uso restrito.

Cresce o controle territorial de facções

A ofensiva ocorreu em comunidades da zona norte e baixada fluminense, áreas estratégicas para o tráfico. Relatórios da polícia apontam que as quadrilhas ampliaram o uso de tecnologia militar, como aeronaves não tripuladas adaptadas para transportar artefatos caseiros. A tática surpreendeu agentes no terreno e exigiu apoio aéreo para neutralizar os equipamentos.

Casos semelhantes se repetem em outros estados. No Ceará, facções expulsaram moradores de 49 bairros de Fortaleza, impondo toque de recolher e cobrança de “taxas de segurança”. Especialistas veem nesses episódios a confirmação de que porções relevantes do território nacional estão sob lei paralela, com poder de fogo superior ao das corporações locais.

Ausência de estratégia federal amplia críticas

Durante a preparação da Operação Contenção, o governo do Rio solicitou reforço logístico ao Palácio do Planalto, incluindo veículos blindados e sistemas de monitoramento. O pedido foi negado, gerando desconforto entre governadores que enfrentam problemas semelhantes. Somente após a repercussão das mortes de agentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas emergenciais.

Entre as ações divulgadas está a sanção da Lei 15.245/2025, de autoria do senador Sergio Moro (União-PR), que agrava penas para atentados ou conspirações contra servidores da segurança. Além disso, o Executivo enviou ao Congresso o Projeto de Lei Antifacção, previsto há meses no Ministério da Justiça. O texto tipifica o comando de organizações criminosas e prevê bloqueio de ativos financeiros, porém enfrenta questionamentos sobre efetividade e alcance.

Moro classificou a postura do governo como “omissa” e criticou o que chama de “coitadismo penal” — visão segundo a qual o criminoso seria vítima da sociedade. Segundo o senador, a declaração de Lula, dias antes da operação, de que traficantes “são vítimas dos usuários”, reforça a tolerância com o crime organizado e enfraquece o moral das forças de segurança.

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Operação expõe desafio histórico

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país possui hoje mais de 60 organizações criminosas atuando em 22 unidades da federação. O Comando Vermelho, protagonista do confronto no Rio, registra células nos estados do Norte e Nordeste, competindo espaço com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e grupos regionais.

Analistas apontam três fatores para a expansão das facções: fronteiras porosas ao tráfico de armas, legislação processual que favorece a progressão de regime e investimentos federais insuficientes em inteligência. Enquanto isso, policiais civis e militares relatam defasagem de efetivo e equipamentos, situação que agrava o risco operacional.

Próximos passos no Congresso

Líderes governistas prometem votar o PL Antifacção ainda neste mês. Se aprovado sem mudanças, o texto criará o “crime de comando”, punindo líderes com até 30 anos de reclusão, e permitirá a federalização de investigações quando houver ameaça à ordem pública. A oposição pressiona por ampliação das causas de aumento de pena e inclusão de banco nacional de perfis balísticos.

Governadores cobram, ainda, aporte financeiro do Fundo Nacional de Segurança Pública para aquisição de sistemas anti-drones, coletes de nível IV e fuzis de precisão. Sem esses recursos, advertem, novas operações poderão repetir o saldo da Contenção.

Reação da sociedade

Entidades de policiais organizaram atos em memória dos quatro agentes mortos, reivindicando seguro especial e assistência às famílias. Nas redes, a hashtag #ChegaDeBandidos alcançou milhões de menções, refletindo apoio popular às ações de enfrentamento direto.

Já movimentos alinhados à esquerda acusam “excessos” e pedem investigação sobre as 117 mortes registradas. A Ouvidoria da Defensoria Pública do Rio recebeu denúncias de supostos abusos, embora laudos preliminares indiquem que a maioria dos mortos portava armas de calibre restrito.

O acirramento do debate pressiona o Planalto a definir posição clara. Enquanto a violência avança para outras capitais, agentes cobram respaldo legal e material imediato, sob pena de crescimento ainda maior do poder das facções.

Para acompanhar outras pautas sobre segurança e política em Brasília, acesse nossa seção dedicada em Geral de Notícias – Política.

Em síntese, a Operação Contenção revelou a capacidade bélica dos criminosos e expôs lacunas na estratégia federal. A aprovação de leis mais duras e o fortalecimento da atuação policial são passos cobrados por amplos setores da sociedade. Continue conectado ao Geral de Notícias e receba atualizações em tempo real.

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