Brasília, 7 nov. 2025 – A Petrobras comunicou que distribuirá R$ 12,1 bilhões em dividendos relativos ao terceiro trimestre de 2025, após registrar lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no período. O montante será pago ainda neste ano e representa a continuidade da política de remuneração aos acionistas, mesmo diante das críticas de integrantes do governo federal.
Lucro se mantém apesar da retração do Brent
De julho a setembro, a petroleira estatal anotou aumento de 0,5 % no lucro líquido em comparação com o mesmo intervalo de 2024. Já o lucro recorrente, que exclui itens extraordinários, recuou 6,1 %, alcançando R$ 28,5 bilhões. O principal fator para a redução do resultado ajustado foi a queda de US$ 11 no preço médio do barril de petróleo Brent em 12 meses, refletindo a desvalorização da commodity no mercado internacional.
A receita de vendas totalizou R$ 127,9 bilhões, leve retração de 1,3 % em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o Ebitda avançou 0,4 %, somando R$ 63,9 bilhões, impulsionado pela valorização do real, que gerou impacto positivo de R$ 5,6 bilhões no trimestre.
De acordo com o diretor financeiro Fernando Melgarejo, “a companhia segue gerando resultados robustos e retorno consistente ao acionista, apesar do novo patamar de preços do petróleo”. O executivo salientou que a estratégia de disciplina de capital permanece inalterada.
Produção bate recorde histórico
No mesmo trimestre, a produção total de óleo e gás alcançou 3,14 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 3,19 % e novo recorde para a estatal. O volume superou a marca anterior, de 3,09 milhões de barris diários registrada em 2019, elevando também as exportações de petróleo cru para 814 mil barris por dia. Considerando derivados, o total exportado superou 1 milhão de barris diários.
Embora o desempenho operacional tenha sido forte, a fabricação de combustíveis recuou 1,5 %, fechando em 1,79 milhão de barris por dia. A redução ocorreu pela maior adição de etanol na gasolina, o que diminui a participação do derivado fóssil. Mesmo com menor produção, as vendas internas subiram 1,9 %, alcançando 1,8 milhão de barris diários.


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O segmento de exploração e produção registrou lucro de R$ 28,1 bilhões, queda de 6,2 % na comparação anual. Em contrapartida, o setor de refino, transporte e comercialização mais que dobrou o desempenho, atingindo lucro de R$ 3,1 bilhões, favorecido por exportações maiores e câmbio favorável.
Dividendos mantêm ritmo, apesar das críticas
Com o anúncio, a Petrobras chegará a R$ 32,4 bilhões em dividendos distribuídos ao longo de 2025. A cifra já havia sido alvo de questionamentos de autoridades ligadas ao Palácio do Planalto. A ministra Gleisi Hoffmann, por exemplo, classificou pagamentos anteriores como “saque” ao patrimônio nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar, em 2024, que a estatal “não deve pensar só nos acionistas”. Até o momento, não houve manifestação oficial do governo sobre a nova distribuição.

Imagem: Fernando Frazão
Mesmo sob pressão política, a administração da companhia manteve a política de remuneração prevista em estatuto, que prevê pagamentos trimestrais baseados na geração de caixa. Investidores avaliaram positivamente a decisão, visto que a petroleira não anunciou dividendos extraordinários em 2024, gerando protestos no mercado financeiro.
Preços dos combustíveis e investimentos em alta
Durante o trimestre, a Petrobras manteve defasagem nos preços do diesel, comercializado abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina foi vendida acima da referência global. O ajuste ocorreu somente em outubro, já fora do trimestre, com redução de 4,9 % no preço do diesel nas refinarias.
O preço médio de venda dos derivados ficou em R$ 460,54 por barril, queda de 5,7 % ante o mesmo período de 2024. Apesar da pressão sobre margens, os investimentos somaram US$ 5,5 bilhões (R$ 30 bilhões), alta de 23,7 % no trimestre, sendo ênfase em exploração, plataformas e sistemas submarinos. No acumulado de 2025, os aportes já atingem US$ 14 bilhões, expansão de 28,9 % frente ao ano anterior.
Para quem acompanha de perto a relação entre estatais e governo, a manutenção dos dividendos reforça a importância do controle de gastos públicos e do respeito ao acionista minoritário. Em nosso caderno de política, há mais detalhes sobre as discussões em torno da gestão das empresas estatais; acesse em Política.
Em síntese, a Petrobras encerra o terceiro trimestre com lucro sólido, recorde de produção e pagamento de dividendos compatível com seu desempenho operacional, sinalizando resiliência mesmo com a volatilidade do mercado de petróleo e as críticas do Planalto. Continue acompanhando nossas atualizações e receba alertas em tempo real sobre economia e energia.
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