A ofensiva realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, na capital fluminense, provocou 121 mortes — quatro delas de policiais — e resultou em 113 prisões. Especialistas em segurança pública afirmam que a dimensão do golpe impõe ao Comando Vermelho (CV) o desafio de reagir para preservar prestígio interno, o que coloca autoridades em todo o país em estado de atenção.
Estado contabiliza apreensões e planeja novas investidas
Classificada pelo governador Cláudio Castro como “sucesso operacional”, a operação retirou das ruas 118 armas e cerca de uma tonelada de drogas. O Palácio Guanabara já confirmou que “mais de uma dezena” de ações semelhantes está em fase de planejamento, sinalizando política de enfrentamento contínuo. A postura firme atende ao apoio popular captado por pesquisas recentes e chancelada por vozes como a do senador Sergio Moro (União-PR), que defendeu a ofensiva ressaltando que “quem gosta de traficante é a esquerda; o trabalhador quer segurança”.
Enquanto o governo fluminense anuncia novas incursões, organismos de inteligência monitoram movimentações do CV em ao menos 23 unidades federativas. Analistas apontam três frentes prováveis de resposta da facção: rebeliões prisionais, atentados contra alvos simbólicos do Estado e tentativas de retomada territorial em comunidades do Rio.
Risco real de ações coordenadas fora do Rio
Relatórios repassados ao Ministério da Justiça sugerem que o grupo pode descentralizar retaliações para dispersar o foco da repressão. Pará, Amazonas, Ceará e Mato Grosso do Sul aparecem como áreas sensíveis. No Pará, onde ocorrerá a COP-30, uma concessionária de energia recebeu ameaça atribuída a suposto integrante do CV. Não há confirmação de ordem direta da cúpula da facção, mas o episódio ilustra o clima de tensão.
Nas palavras do investigador federal aposentado Sérgio Leonardo Gomes, “o serviço de contrainteligência tornou-se essencial; depois de perder logística, homens e reputação, o CV tende a buscar alvos de alto impacto para reequilibrar o jogo”. Entre as táticas historicamente empregadas estão bloqueios de vias, incêndio de ônibus e ataques a bases policiais.
Presídios sob vigilância redobrada
O coronel da reserva Alex Erno Breunig avalia que motins simultâneos em penitenciárias podem inaugurar a reação. Levantamento do Ministério da Justiça confirma integrantes do CV detidos em praticamente todo o sistema prisional, exigindo prontidão das forças estaduais. “Se rebeliões ocorrerem, a resposta precisa ser imediata; caso contrário, o crime ganha narrativa de força”, alerta.


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Além do risco interno, fronteiras tornam-se ponto estratégico. Brasil, Argentina e Paraguai intensificaram o patrulhamento após alerta conjunto do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira. Três brasileiros suspeitos de ligação com o CV foram presos na província argentina de Misiones enquanto tentavam cruzar passagem clandestina. Segundo a polícia local, dois já tinham antecedentes por tráfico.
Campanha informacional e uso de ONGs
Pesquisadores apontam que a resposta do CV não se limita à violência física. Há indicativos de atuação indireta em organismos que classificam a ação policial como “chacina”. O cientista político Marcelo Almeida observa que a narrativa de “violência estatal” pode servir para legitimar futuras vinganças, minar o apoio popular às operações e pressionar o Judiciário.
Entidades de direitos humanos e ONGs críticas à iniciativa são vistas por setores da direita como canais explorados pelo crime para corroer a legitimidade do Estado. O alinhamento com discursos de partidos de esquerda reforça a tese de guerra de informação, ampliando o debate além da esfera policial.

Imagem: Antio Lacerda
Três etapas previstas para a retomada criminosa
Fontes de segurança descrevem um roteiro habitual após grandes baixas:
- Reorganização interna — reposição rápida de “material humano” e redistribuição de recursos;
- Ações simbólicas — atentados seletivos contra policiais, instalações públicas ou serviços essenciais para restaurar moral;
- Reconquista territorial — retomada de comunidades esvaziadas pela presença do Estado.
O sociólogo Gustavo Alves frisa que a operação só se consolida se vier acompanhada de ocupação permanente. “Quando a polícia sai, o tráfico volta mais violento e melhor armado”, pontua.
Política e Justiça como pilares do enfrentamento
Especialistas convergem em que a força policial precisa de respaldo jurídico e político para se manter eficiente. Sérgio Leonardo Gomes recorda o desmonte da Operação Lava Jato como exemplo de iniciativa que se perdeu sem sustentação institucional. No mesmo sentido, Breunig defende “vontade política e jurídica” para impedir que tribunais ou setores ideológicos desmontem as ações em curso.
Combinando pressão dentro e fora das fronteiras, campanhas narrativas e possíveis ataques de alto impacto, o CV busca demonstrar vitalidade. Resta ao Estado responder de forma coordenada para impedir que o crime capitalize o resultado trágico da operação.
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Em resumo, a megaoperação representou um duro revés ao Comando Vermelho, mas abre fase crítica: rebeliões, atentados e disputa de narrativas estão no radar. Mantenha-se informado e compartilhe esta reportagem para ampliar o debate sobre segurança pública no Brasil.
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