Movimentos de pré-campanha para 2026 colocam antigos aliados da esquerda em busca de espaço no campo conservador. O Partido Liberal, principal legenda de Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de negociações que envolvem nomes historicamente ligados a Luiz Inácio Lula da Silva. O contraste entre o avanço de Ciro Gomes no Ceará e a rejeição a Eduardo Paes no Rio de Janeiro ilustra o desafio de alinhar interesses regionais com a polarização nacional.
Acordo fechado no Ceará
Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e duas vezes candidato à Presidência da República, filiou-se novamente ao PSDB após uma década no PDT. A mudança foi acompanhada da confirmação de apoio do PL à sua possível candidatura ao governo estadual em 2026. O aval partiu de Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, e do próprio Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar e inelegível.
O anúncio ocorreu em Fortaleza com a presença do deputado federal André Fernandes (PL-CE), uma das principais lideranças bolsonaristas locais. Na ocasião, Ciro chamou Fernandes de “jovem talento” e minimizou antigas divergências: “Do Ceará para frente é quase tudo afinidade”, afirmou.
Para viabilizar a coalizão, processos judiciais entre Ciro, Valdemar e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) foram retirados. Wagner, hoje presidente estadual do União Brasil, também embarcou na composição e admitiu que os ataques anteriores deviam-se à lealdade de Ciro ao irmão senador Cid Gomes (PSB), que tende a apoiar a reeleição do governador petista Elmano de Freitas. A aliança agora une PL, PSDB e União Brasil contra o PT no estado.
Resistência no Rio de Janeiro
No Rio, a situação se mostra inversa. O prefeito Eduardo Paes (PSD) sinalizou interesse em contar com o PL em sua eventual candidatura ao Palácio Guanabara. Participou de ato do PSDB ao lado de Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, e defendeu o pastor Silas Malafaia, liderança evangélica próxima a Bolsonaro. O gesto, porém, não convenceu a base conservadora fluminense.
O deputado estadual Filippe Poubel (PL-RJ), líder do partido na Assembleia Legislativa, avisou que deixará a legenda se Paes for o escolhido: “Água e óleo não se misturam”. Ele afirma existir risco de debandada de parlamentares caso o pacto avance. A avaliação é partilhada pelo líder governista Rodrigo Amorim (União Brasil), aliado da família Bolsonaro, que define Paes como “camaleão” e critica a postura do prefeito diante da segurança pública.


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Polarização persiste até 2030, diz analista
Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, os arranjos demonstram que a polarização atual segue predominante. “Quem se distancia de um lado acaba empurrado para o outro. É difícil surgir terceira via legítima”, avalia. Segundo ele, os partidos adaptam estratégias de acordo com circunstâncias locais, frequentemente sobrepondo divergências nacionais.
Segurança pública como trunfo eleitoral
Rio e Ceará enfrentam avanço de facções criminosas, fator que deve dominar o debate de 2026. Fortaleza registrou recentemente operação que resultou em sete suspeitos mortos ligados ao Comando Vermelho. Já no Rio de Janeiro, megaoperações mobilizam forças estaduais e federais nos morros da capital.
Ciro Gomes qualificou o domínio territorial das facções como “assustador” e defendeu um “movimento jovem comprometido com a paz”. André Fernandes rebate críticas de setores conservadores cearenses ao acordo com Ciro apontando que “mais arriscado é o que o povo do Ceará enfrenta quando sai de casa”.

Imagem: Fernando Bizerra Jr.
Em território fluminense, Rodrigo Amorim acusa Paes de omissão: o prefeito teria falhado em ações de ordenamento urbano e remoção de barricadas erguidas por criminosos, apesar de prometer uma Guarda Municipal armada.
Impactos para 2026
O avanço de Ciro Gomes com o PL sinaliza pragmatismo eleitoral na oposição ao PT no Nordeste. Já no Sudeste, a resistência a Paes reforça que a memória bolsonarista segue forte no eleitorado conservador. Caso o prefeito não consiga romper esse bloqueio, o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil) desponta como opção para encabeçar a coligação de direita no Rio.
Nos dois estados, a pauta da segurança tende a pesar mais que alianças ideológicas clássicas. A capacidade de articular soluções concretas contra o crime organizado pode definir quem somará apoios no eleitorado conservador e no centro pragmático.
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Em síntese, enquanto Ciro Gomes avança com o PL para enfrentar o PT no Ceará, Eduardo Paes encontra barreiras entre bolsonaristas no Rio. O tema da segurança pública, comum aos dois estados, deverá ser decisivo para consolidar apoios à direita em 2026. Continue acompanhando nossas atualizações e participe: compartilhe este conteúdo e deixe sua opinião nos comentários.
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