A Alemanha confirmou, nesta sexta-feira (7), que participará do Tropical Forests Forever Fund (TFFF), mecanismo capitaneado pelo governo brasileiro para remunerar países que mantêm áreas verdes preservadas. O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou em Belém (PA) que o aporte será “expressivo”, porém evitou divulgar o montante. A postura contrariou a expectativa do Palácio do Planalto, que contava com uma cifra concreta para impulsionar a arrecadação antes da COP 30, marcada para 2025.
Alemanha entra no grupo de apoiadores, mas sem cifra definida
O anúncio aconteceu após reunião entre Merz e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o encontro preparatório de chefes de Estado para a conferência do clima. A Alemanha soma-se ao Reino Unido e a outros 52 países que declararam endosso político ao fundo, mas ainda não firmaram compromissos financeiros. Segundo Merz, detalhes sobre o valor “serão discutidos nos próximos dias”, sem qualquer previsão exata.
Nos bastidores, auxiliares de Lula esperavam um gesto mais concreto para fortalecer a campanha de arrecadação. O Ministério das Relações Exteriores calcula que o TFFF já recebeu promessas de aproximadamente US$ 5,5 bilhões. A meta oficial é atingir US$ 10 bilhões até dezembro, patamar considerado mínimo para viabilizar a operação plena do mecanismo.
Até agora, a Noruega surge como principal potencial doador. Oslo sinalizou um aporte de US$ 3 bilhões, condicionado, porém, ao cumprimento da meta global de captação. Sem cifras definidas de Berlim e Londres, a meta segue distante.
Histórico de promessas não cumpridas pesa sobre o TFFF
O desafio brasileiro não se resume à ausência de números. Analistas apontam um clima de desconfiança generalizada após sucessivos atrasos em metas internacionais de financiamento climático. Em 2009, na COP 15, países desenvolvidos prometeram mobilizar US$ 100 bilhões anuais até 2020. O objetivo só foi alcançado com dois anos de atraso, gerando questionamentos sobre a capacidade de entrega dessas economias.
A consultora de comércio exterior Ana Paula Abritta, da BMJ Consultores Associados, observa que a atual discussão inclui uma nova meta global de US$ 3,4 trilhões até 2030. “Falta consenso político para amarrar compromissos”, afirma. Nesse cenário, o Brasil tenta assumir protagonismo ambiental, mas depende de capital externo que ainda não saiu do papel.


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Para o Itamaraty, a presença de mais de 50 países signatários garante capital político ao fundo. Contudo, a ausência de cheques assinados gera incerteza e amplia a pressão sobre o governo Lula, que usa o tema ambiental como vitrine internacional. Sem valores confirmados, críticos apontam risco de o TFFF entrar na lista de projetos grandiosos que ficam no discurso.
Próximos passos até a COP 30
O governo brasileiro trabalha para apresentar números robustos até o início da COP 30, agendada para novembro de 2025 em Belém. Técnicos preparam um cronograma de chamadas de capital que inclui reuniões bilaterais com Estados Unidos, França, Japão e União Europeia ainda neste semestre. A estratégia inclui oferecer relatórios de monitoramento satelital e indicadores de desempenho para atrair investidores públicos e privados.
Enquanto isso, nos bastidores, diplomatas avaliam que a Alemanha pode anunciar seu aporte apenas após definição do orçamento federal de 2026, condicionado à aprovação do Bundestag. O mesmo raciocínio vale para o Reino Unido, que aprovou recentemente cortes em ajuda externa.

Imagem: Ricardo Stuckert
No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente prevê lançar editais-piloto com recursos já comprometidos, a fim de exibir resultados práticos e envolver comunidades locais. Contudo, sem os valores de Berlim, parte da programação pode ficar comprometida.
A indefinição também repercute no Congresso Nacional. Parlamentares de oposição solicitam detalhes sobre garantias de desempenho e mecanismos de transparência. Aliados do Planalto sustentam que o fundo criará incentivos financeiros diretos para conservação, mas reconhecem que a viabilização depende de doadores estrangeiros.
Diante do cenário, a participação da Alemanha é vista como estratégica, dado o peso econômico e político de Berlim na União Europeia. Ainda assim, sem a cifra exata, o apoio permanece simbólico. O Planalto espera converter o sinal alemão em valores tangíveis nas próximas semanas, mas o histórico recente de promessas climáticas reforça a cautela.
Para acompanhar outras movimentações do governo no campo ambiental e político, confira a cobertura em Política.
Em resumo, o governo brasileiro conquistou apoio diplomático, mas segue sem a confirmação de recursos que considera essenciais para tirar o fundo florestal do papel. A expectativa agora se volta às próximas negociações, que definirão se o TFFF avançará além do discurso. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba primeiro quando os valores forem finalmente revelados.
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