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China pressiona ricos por clima e adia aporte ao fundo florestal do Brasil

Econômia

A China reforçou em Dubai a cobrança para que as nações industrializadas assumam o custo principal das ações globais contra as mudanças climáticas e, com esse argumento, adiou qualquer compromisso financeiro com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), apresentado pelo governo brasileiro como vitrine da COP30, que ocorrerá em Belém (PA) em 2025.

Pequim mantém discurso de responsabilidades diferenciadas

Em reuniões paralelas e no plenário da conferência, o vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang citou o princípio das “responsabilidades comuns porém diferenciadas”, estabelecido na Rio-92, para sustentar que as economias desenvolvidas devem liderar a redução de emissões, honrar promessas de financiamento e transferir tecnologia a países em desenvolvimento. Segundo fontes do governo brasileiro, a delegação chinesa utilizou esse mesmo ponto para justificar a ausência de um aporte imediato ao TFFF.

O fundo idealizado por Brasília, em parceria com países como Noruega, Indonésia e França, soma atualmente cerca de US$ 5,5 bilhões já anunciados. A meta é alcançar US$ 125 bilhões por meio da combinação de recursos públicos, doações filantrópicas e investimentos privados. O mecanismo prevê remuneração de investidores e destina parte dos ganhos a governos que mantêm florestas tropicais preservadas, estimando pagamento de US$ 4 por hectare conservado.

Apesar de não abrir a carteira agora, Pequim declarou apoio político ao projeto brasileiro, considerado pelo Itamaraty um pilar diplomático da próxima COP. A sinalização, porém, ficou restrita às palavras. Na prática, a segunda maior economia do planeta mantém a estratégia de cobrar mais recursos dos países ricos, enquanto evita comprometer suas próprias reservas no curto prazo.

Histórico de cautela chinesa em fundos climáticos

A postura não surpreende negociadores veteranos. A China também permanece fora do Fundo Verde para o Clima (GCF), criado pela ONU para apoiar a transição ambiental em nações emergentes. Em ambos os casos, o país socialista invoca o mesmo princípio de responsabilizar principalmente Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Japão e outras economias que se industrializaram mais cedo e, na visão chinesa, aqueceram o planeta durante décadas.

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a participação chinesa é estratégica para dar equilíbrio financeiro e político ao TFFF, mas reconhecem que o avanço dependerá de negociações diretas ao longo de 2024. A expectativa é que o tema volte à mesa quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizar visita oficial a Pequim ou quando ministros brasileiros desembarcarem na capital chinesa.

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Nos bastidores, diplomatas relatam que o governo brasileiro pretende explorar a proximidade comercial com a China — maior parceiro de exportações do Brasil — para convencer o gigante asiático a investir na preservação das florestas tropicais, inclusive na Amazônia. As tratativas, contudo, esbarram no cálculo político de Pequim, que utiliza o debate climático como instrumento de pressão sobre o Ocidente, exigindo cifras mais altas de fundos já existentes antes de abrir contribuições bilionárias.

Enquanto isso, países europeus, a Noruega e fundações privadas seguem como principais financiadores imediatos do TFFF. O modelo escolhido pela equipe econômica brasileira liga remuneração à performance de conservação, tentando atrair capital de mercado e minimizar dependência de doações estatais. O Ministério da Fazenda avalia que o formato pode criar referência de preço para serviços ambientais e estimular a negociação de dívidas atreladas a metas verdes.

Ao mesmo tempo, o impasse com a China acende alerta sobre o ritmo de capitalização do fundo. Sem aportes robustos das maiores economias asiáticas, o montante pode levar mais tempo para alcançar a cifra ambiciosa de US$ 125 bilhões. Para gestores e investidores interessados, clareza sobre entradas de recursos é elemento decisivo antes de assumir compromissos de longo prazo.

Em Dubai, agentes privados elogiaram a iniciativa brasileira, mas pediram garantias de governança e previsibilidade financeira. A ausência imediata da China reforça a necessidade de diversificar fontes, segundo relato de participantes de reuniões fechadas. Mesmo assim, representantes do Palácio do Planalto consideram que o apoio político chinês aumenta a visibilidade do projeto e pode destravar aportes futuros, caso as negociações bilaterais amadureçam nos próximos meses.

Para acompanhar outras movimentações em Brasília e no cenário internacional, acesse nossa seção de Política.

Em resumo, a China endossou a importância do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, mas postergou qualquer contribuição financeira, exigindo primeiro maior participação dos países ricos. O governo brasileiro segue confiante em reverter a posição chinesa antes da COP30. Continue no Geral de Notícias e receba atualizações diárias sobre economia, clima e bastidores políticos.

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