Brasília – A tolerância à censura ganhou novos contornos no país depois que o Ministério Público Federal (MPF) adotou ação judicial contra um cidadão que chamou um condenado em cumprimento de pena de “ex-presidiário”. O episódio, destacado em coluna recente de Madeleine Lacsko, evidencia a utilização da máquina pública para restringir discursos considerados inconvenientes, mesmo quando estes se limitam a fatos objetivos.
Processo do MPF escancara uso do Estado para controlar linguagem
De acordo com a iniciativa do MPF, a simples menção ao termo “ex-presidiário” seria ofensiva à autoestima do envolvido. A acusação sustenta que a frase comprometera a honra subjetiva do ex-detento, convertendo um dado factual em suposto ato ilícito. Com isso, o autor da declaração passou a responder na Justiça federal, custeada integralmente pelos contribuintes brasileiros.
A medida chamou atenção por inverter o ônus da disputa: quem relata um fato evidente – a condição anterior do indivíduo – acaba pressionado pelo aparato estatal, enquanto a parte que se diz ofendida não arca com custos de defesa. Para juristas preocupados com a liberdade de expressão, o caso lança luz sobre a expansão de poderes punitivos sem debate legislativo prévio.
Judiciário amplia interferência e normaliza restrições a críticas
A ação não é um ponto fora da curva. Nas últimas semanas, multiplicaram-se relatos de decisões que limitam manifestações contrárias ao governo federal e a autoridades do Poder Judiciário. Segundo registros de advogados e entidades civis, centenas de perfis, canais e publicações foram retirados do ar por ordem judicial, em processos submetidos a sigilo. Os questionamentos sobre transparência e proporcionalidade pouco avançam, mas a prática se consolida na rotina forense.
Parlamentares de oposição atribuem o fenômeno à combinação entre um Executivo alinhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e magistrados dispostos a reinterpretar cláusulas constitucionais. Na avaliação desses congressistas, o ambiente tornou-se propício para a perseguição de críticos e para a censura prévia de determinados temas, contrariando a garantia do artigo 5º da Carta Magna que veda “restrição à manifestação do pensamento”.
Apatia social permite que abusos prosperem
Especialistas em ciência política apontam outro fator decisivo: a pouca reação popular. Medo, cansaço e descrença nas instituições explicariam o silêncio que acompanha medidas cada vez mais duras. Enquanto isso, a cobertura jornalística permanece tímida, com raras exceções, o que reduz a pressão por revogação de atos considerados autoritários.


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A acomodação também se estende à academia, às entidades de classe e ao meio artístico, tradicionais defensores de liberdades civis. Sem vozes influentes denunciando o problema, a narrativa oficial de plena normalidade avança, sustentando a ideia de que tudo ocorre estritamente dentro dos limites legais.
Censura institucionalizada coloca democracia em xeque
Os acontecimentos recentes reforçam a percepção de que a censura se institucionalizou no Brasil. A substituição de direitos individuais por controles estatais, sejam eles judiciais ou administrativos, ganha legitimidade por meio do argumento da “proteção da democracia”. Entretanto, juristas lembram que democracia pressupõe debate aberto, não silenciamento de posições dissidentes.

Imagem: Pedro França
Nesse ambiente, qualquer discordância pode ser rotulada como “ataque às instituições”, abrindo caminho para sanções desproporcionais. Analistas ouvidos por veículos independentes alertam que, se a tendência se mantiver, a autocensura se tornará regra, minando o pluralismo de ideias necessário ao regime democrático.
O caso do “ex-presidiário” sintetiza esse cenário: a verdade factual passou a depender de chancela estatal, e quem ousa afirmá-la corre risco de punição. Enquanto não houver reação institucional consistente contra tais abusos, o país seguirá aprofundando o fosso entre a letra da Constituição e a prática cotidiana.
Para acompanhar outras movimentações que envolvem liberdade de expressão e atuação dos Poderes, acesse a seção de Política do Geral de Notícias.
Em resumo, o processo movido pelo MPF contra um cidadão por usar um termo literal expõe a escalada da censura e a conivência social diante da retirada de liberdades básicas. Manter-se informado e exigir transparência das autoridades são passos fundamentais para preservar direitos duramente conquistados. Fique atento, compartilhe informações verificadas e participe do debate público.
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