O núcleo próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estabeleceu como meta central assegurar maioria conservadora no Senado a partir de 2026. A prioridade foi anunciada pelos filhos do ex-chefe do Executivo e baseia-se na avaliação de que, somente com força numérica expressiva, será possível pautar temas como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), limites às atribuições do Judiciário e a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostos abusos de magistrados.
Estratégia nacional sobrepõe interesses estaduais
O plano passa por três estados considerados estratégicos pela direita: Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina. Nessas unidades da Federação, o comando do PL entende que acordos locais devem ceder espaço a composições que ampliem a influência bolsonarista na Casa Alta.
No Distrito Federal, o partido apoiará o governador Ibaneis Rocha (MDB) para uma das vagas ao Senado, mantendo espaço para um nome alinhado diretamente a Bolsonaro na outra. A disputa interna envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que já lançou pré-candidatura em evento com a cúpula liberal. Caso Michelle migre para a disputa, o PL deverá reorganizar a chapa a fim de manter a coalizão com MDB e PP, que também contará com a vice-governadora Celina Leão (PP) na corrida ao Palácio do Buriti.
No Rio de Janeiro, reduto da família, a legenda decidiu lançar o governador Cláudio Castro (PL) para suceder o senador Carlos Portinho (PL). O movimento desagradou ao parlamentar, que cogita trocar de partido a fim de concorrer à reeleição. Segundo fontes internas, a escolha contempla acordo pelo qual Bolsonaro indicará o atual senador Flávio Bolsonaro para continuidade no cargo, enquanto Castro terá liberdade para apontar o segundo nome da chapa.
Em Santa Catarina, o entendimento é de que a candidatura do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-RJ) fortalece a estratégia nacional. Para isso, a deputada Carol De Toni (PL-SC) seria retirada da disputa, abrindo vaga para a dobradinha com o senador Esperidião Amin (PP-SC), apoiado pelo governador Jorginho Mello (PL). O arranjo resulta de pacto firmado entre Valdemar Costa Neto (PL) e Ciro Nogueira (PP), líderes das duas siglas que compõem o eixo conservador.
Conflitos internos e risco de fragmentação
A manobra para consolidar a maioria enfrenta resistências. Em Santa Catarina, lideranças estaduais, como a deputada Ana Campagnolo (PL-SC), defendem a permanência de Carol De Toni. Campagnolo foi publicamente advertida pelo senador Flávio Bolsonaro, que cobrou disciplina: “se o comandante decidiu, questionar enfraquece o exército”, declarou em vídeo.


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Possíveis candidaturas avulsas ampliam o risco de divisão do voto conservador. De Toni recebeu convite do Partido Novo e, pela expressiva votação obtida na eleição anterior, poderia desestabilizar o acordo PL-PP. No Rio de Janeiro, eventual saída de Portinho para outra sigla fragmentaria o eleitorado governista, embora analistas avaliem que o senador possui menor viabilidade frente à alta popularidade de Castro após operações de segurança no Complexo do Alemão e na Penha.
No Distrito Federal, a entrada do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) na disputa tende a atrair parcela do eleitorado conservador que não se identifica com Ibaneis. O receio é que o fracionamento abra espaço para nomes de esquerda, como a deputada Erika Kokay (PT-DF).
Cenário nacional e impacto na direita
Levantamentos recentes indicam forte concentração de votos no campo conservador, o que intensifica disputas internas. No Paraná, pesquisa da Neokemp Pesquisas aponta Deltan Dallagnol (Novo) com 24,3% e Cristina Graeml (União) com 15,6% na corrida ao Senado, enquanto Filipe Barros (PL) figura com 6%. O dado reforça a avaliação de especialistas de que a direita dispõe de “excesso de nomes competitivos”.

Imagem: Alan Santos
Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec, a fragmentação resulta de um “mercado eleitoral” favorável. Ele observa que, diferentemente do PT, que atua como partido de massa à esquerda, o campo conservador é mais pragmático, composto por legendas autônomas e personalidades de destaque. Nesse contexto, o bolsonarismo atua como movimento personalista; sua força depende da liderança de Jair Bolsonaro, fator que os filhos tentam preservar ao definir candidaturas estaduais.
Acordos com o Centrão buscam sustentabilidade
Apesar do discurso de fidelidade às bandeiras conservadoras, o PL reconhece a necessidade de alianças com o Centrão para maximizar bancadas na Câmara, Assembleias Legislativas e Senado. Interlocutores da sigla argumentam que composições com MDB e PP asseguram base ampla para reformas e projetos de interesse do eleitorado de direita, ainda que impliquem concessões regionais.
O desafio reside em conciliar os acordos nacionais com ambições pessoais de parlamentares estaduais. Cientistas políticos alertam que promessas de campanha precisam ser acompanhadas no exercício do mandato, sob risco de frustração de bases eleitorais.
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Em resumo, o núcleo bolsonarista aposta em candidaturas alinhadas para conquistar maioria no Senado e avançar em pautas conservadoras, mas a multiplicidade de lideranças direitistas impõe negociações delicadas. Continue atento às movimentações que definirão o tabuleiro eleitoral de 2026 e compartilhe este conteúdo com quem se interessa pelos rumos da política nacional.
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