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Belo Horizonte aprova proposta que facilita retorno de sem-teto à cidade de origem

Política

Quem vive nas ruas da capital mineira pode ganhar a chance de voltar ao seu município de origem com passagem e orientação fornecidas pelo poder público.

Projeto recebe sinal verde

A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em primeiro turno, um projeto de lei que autoriza a prefeitura a custear o retorno de pessoas em situação de rua para suas cidades de origem. A proposta passou com votos contrários do Partido dos Trabalhadores, mas contou com apoio da maioria dos vereadores e segue agora para segunda votação.

De acordo com o texto, a administração municipal poderá oferecer transporte, alimentação e encaminhamento profissional para migrantes que tentaram a vida na capital, não alcançaram estabilidade e hoje dependem da rua para sobreviver. O caráter é voluntário: o cidadão decide se quer ou não embarcar de volta. Não há previsão de condução forçada nem qualquer medida coercitiva.

O modelo se inspira na iniciativa já executada em Florianópolis. Na capital catarinense, equipes de assistência social identificam moradores de rua, avaliam o histórico familiar e profissional e, caso seja interesse do indivíduo, providenciam o bilhete até a cidade natal, além de contato com parentes ou rede de apoio local. Belo Horizonte pretende adotar fluxo semelhante, argumentando que o reencontro com familiares e um ambiente conhecido facilita a reinserção social.

A justificativa apresentada pelos autores enfatiza a redução de riscos associados ao consumo de álcool e drogas, comuns entre desabrigados que perdem referências de trabalho e moradia. Vereadores que defenderam a matéria também ressaltaram o custo crescente de programas emergenciais, como abrigos temporários, alimentação e cuidados de saúde.

Entre os críticos, a principal alegação é de que o município deveria priorizar a criação de vagas de emprego e moradia popular em vez de incentivar o retorno dos sem-teto. Mesmo assim, a maioria considerou que a medida amplia opções para quem hoje não vê saída.

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Foco em responsabilidade social e gastos públicos

Enquanto Belo Horizonte discute a logística para viabilizar as passagens, outras administrações municipais avaliam ações de estímulo ao trabalho e de revisão de benefícios. Em Bento Gonçalves (RS), o prefeito anunciou estudo para identificar beneficiários do Bolsa Família que têm saúde plena e, ainda assim, permanecem sem ocupação formal. A intenção é suspender o repasse a quem recusar oportunidades de qualificação e emprego oferecidas pela prefeitura.

Segundo a gestão gaúcha, o objetivo não é punir, mas reforçar o princípio de que o recurso público deve priorizar famílias em condição real de vulnerabilidade. O plano prevê parceria com empresas locais para oferecer cursos técnicos, vagas de estágio e postos permanentes. Entidades como a Defensoria Pública argumentam que ninguém pode ser obrigado a trabalhar; os defensores do projeto respondem que também não é razoável obrigar o contribuinte a sustentar indefinidamente cidadãos aptos a produzir.

No cenário federal, a discussão sobre equilíbrio entre assistência e responsabilidade individual ganhou novo capítulo com a recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República. O indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 17 votos favoráveis e 10 contrários na Comissão de Constituição e Justiça, sendo confirmado em plenário por 45 a 26. O resultado reforçou a percepção de que o atual Senado dificilmente alcançará os dois terços necessários para avançar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, tema recorrente em debates sobre limites institucionais.

Para especialistas em contas públicas, o conjunto de iniciativas – da passagem para sem-teto ao pente-fino no Bolsa Família – sinaliza uma tendência de cidades e estados adotarem políticas mais firmes de incentivo ao trabalho e redução de despesas permanentes. Prefeitos e vereadores alegam que, sem ajustes, os cofres locais não suportam a expansão contínua de programas assistenciais.

A proposta mineira ainda precisa ser analisada em segundo turno. Caso repetida a votação favorável, seguirá para sanção do prefeito Fuad Noman. O Executivo já manifestou simpatia pela ideia, indicando que deve regulamentar rapidamente critérios, prazos e parcerias com empresas de transporte rodoviário.

Se confirmada, Belo Horizonte se tornará a segunda capital brasileira a adotar um programa estruturado de repatriação voluntária de moradores de rua. A expectativa é de que recursos atualmente destinados a assistência emergencial sejam redirecionados para capacitação profissional e projetos de reinserção no mercado de trabalho.

Para acompanhar outras decisões que avançam nas câmaras municipais, visite a nossa seção de Política.

Em síntese, a capital mineira aposta no retorno voluntário como caminho para reduzir a população em situação de rua e estimular o recomeço em ambiente familiar. A iniciativa se soma a movimentos paralelos que reforçam a responsabilidade individual e o uso eficiente do dinheiro do contribuinte. Continue acompanhando nossos informes e saiba como essas medidas podem impactar a gestão de recursos públicos na sua cidade.

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