A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13), resultou na prisão do ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto e de outros oito investigados. A ofensiva mira um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões que teria causado um prejuízo estimado em R$ 5 bilhões aos cofres públicos e aos beneficiários.
Alvos, mandados e suspeita de fraude em série
Ao todo, a PF cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 63 de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal. Os investigadores apontam que entidades associativas e sindicatos, com apoio de servidores e ex-gestores do INSS, descontavam mensalidades sem autorização de idosos, viúvas e órfãos. Há indícios de lavagem de dinheiro e corrupção que se estenderiam por quase três décadas dentro do órgão.
Entre os alvos de busca estão o deputado federal Euclydes Petterson (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA). Também foram incluídos na operação André Fidelis, ex-diretor de Benefícios no atual governo, e Virgílio Oliveira, ex-procurador-geral do instituto. Segundo a PF, parte dos investigados tentou manipular provas e fraudar documentos para dificultar o rastreamento do dinheiro.
CPMI do INSS vê confirmação de denúncias
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, afirmou que as prisões confirmam o que o colegiado vem relatando. “A PF comprovou o esquema nacional que roubou aposentados em 17 estados”, declarou. Sem mencionar diretamente o Palácio do Planalto, Viana atribuiu a determinação das prisões ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e prometeu novos desdobramentos: “Isso é só o começo; muita estrutura pública ainda vai cair.”
Em entrevista coletiva, o parlamentar ressaltou que a CPMI pretende avançar sobre a hierarquia interna que permitiu a fraude. A comissão, segundo ele, investigará quem nomeou os servidores envolvidos, a rota do dinheiro e o possível desaparecimento de parte dos valores desviados.
Moro destaca gravidade e elogia atuação do colegiado
O senador Sergio Moro (União-PR) celebrou a operação e lembrou que os principais alvos já haviam sido identificados pela CPMI. Para o ex-juiz, a prisão era “essencial” para impedir destruição de evidências. Ele também citou a aprovação, pelo Senado, do projeto que proíbe descontos automáticos em benefícios previdenciários, mecanismo classificado como porta de entrada para o golpe. “Infelizmente foi preciso um escândalo dessa magnitude para proteger o aposentado”, afirmou.


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Marco para o Congresso e recado aos servidores
Sergio Marinho (PL-RN) definiu o dia como um marco para o trabalho do colegiado. O senador salientou que funcionários de carreira permanecem no INSS há décadas, sustentando a estrutura fraudulenta. “Não temos bandido de estimação. Essa quadrilha aparece e reaparece a cada governo. Hoje, ela começou a ruir”, disse.
Marinho acrescentou que a força-tarefa da PF e a atuação da CPMI levaram a tornozeleiras eletrônicas, buscas e apreensões contra investigados que já haviam prestado depoimento ao Senado. A expectativa agora é identificar eventuais parlamentares que apadrinharam indicações a cargos estratégicos dentro do instituto.
Defesa de Stefanutto contesta prisão
Os advogados de Alessandro Stefanutto classificaram a prisão do ex-presidente do INSS como “completamente ilegal”. Em nota, a defesa argumentou que o investigado sempre colaborou com as autoridades e não atrapalhou as apurações. A Polícia Federal sustenta, porém, que houve tentativa de ocultação de provas e que a prisão preventiva é necessária para garantir a continuidade das investigações.

Imagem: Carlos Moura
Próximos passos da CPMI
Carlos Viana informou que o colegiado convocará novamente alguns dos já detidos e planeja ouvir gestores do primeiro, segundo e terceiro escalões do governo. A comissão busca rastrear o destino dos valores desviados e apurar se houve repartição de propinas. Viana não descartou pedidos de bloqueio de bens dos envolvidos.
Quanto aos parlamentares citados nos mandados de busca, o presidente da CPMI afirmou que serão chamados no momento oportuno, caso a investigação julgue necessário. “Estamos caminhando para o esclarecimento completo”, frisou.
A operação e a reação do Congresso reforçam a pressão por maior transparência no INSS. Senadores defendem revisão de contratos, auditoria de rotinas internas e filtros mais rígidos para descontos em folha. Já a Polícia Federal deve apresentar nova fase da investigação assim que concluir a análise do material apreendido.
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Em síntese, a Operação Sem Desconto expôs um esquema bilionário que atingiu idosos e pensionistas em todo o país. As prisões reforçaram a CPMI e abriram caminho para mudanças legais que prometem blindar o bolso dos beneficiários. Continue acompanhando nossas matérias e fique informado sobre cada passo da investigação e das medidas de proteção ao contribuinte.
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