Preta Gil, cantora e integrante de uma das famílias mais conhecidas da música brasileira, morreu no último domingo, 20, em um hospital dos Estados Unidos. A artista estava em tratamento oncológico desde 2023 e não resistiu às complicações da doença. O velório será realizado no Rio de Janeiro ainda nesta semana, em local a ser confirmado pela família.
A filha de Gilberto Gil decidiu dar continuidade ao tratamento fora do Brasil no início deste ano. De acordo com atualização recente feita por Flora Gil, esposa do ex-ministro da Cultura, a internação em território norte-americano estava prevista para se estender “pelo menos até agosto”, período em que a equipe médica avaliaria novos protocolos. A evolução negativo do quadro, porém, interrompeu o planejamento.
O diagnóstico original, revelado pela própria artista em 2023, apontou câncer no intestino. Desde então, Preta passou por cirurgias, ciclos de quimioterapia e sessões de radioterapia. Em entrevistas ao longo do tratamento, ela relatou fases de internação prolongada e mudanças de rotina que incluíram reeducação alimentar e acompanhamento psicológico. A irmã, Bela Gil, chegou a comentar em janeiro que “havia muito sofrimento”, mas que a cantora mantinha a disposição para enfrentar cada etapa.
Mesmo submetida a um regime intenso de cuidados médicos, a artista lançou, em agosto de 2024, a biografia “Preta Gil: os primeiros 50”, pela Globo Livros. A obra reúne relatos de infância, bastidores de shows, episódios familiares e a separação de Rodrigo Godoy, com quem foi casada durante oito anos. Na publicação, Preta aborda ainda episódios de preconceito, fala sobre a paixão platônica que nutriu pela cantora Ana Carolina e relembra impasses provocados por seu verdadeiro nome no cartório, tema que gerou protesto do pai no momento do registro.
O livro teve edição de Guilherme Samora. Em postagem no Instagram, o editor revelou que o título partiu de um pedido direto da cantora: ela desejava algo que transmitisse a intenção de viver “pelo menos mais 50 anos”. Segundo Samora, a escolha por “Os primeiros 50” refletiu a “sede de viver” de sua parceira de trabalho.


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Esse processo editorial é o ponto que liga a trajetória de Preta à de Rita Lee. A publicação destaca que um detalhe percebido por poucos aproxima as duas artistas e reforça a importância de registrar a própria história em livros ou produções audiovisuais. Assim como Preta, Rita tem sua vida documentada em projetos recentes, entre eles um novo documentário que, ainda nos minutos iniciais, relembra momentos decisivos de sua carreira e o episódio em que mandou “homens para aquele lugar”, alteração considerada marcante para o rock nacional.
A repercussão da morte de Preta mobilizou colegas de profissão e personalidades da televisão. Durante transmissão ao vivo, a atriz Carolina Ferraz segurou o choro ao lembrar da trajetória da cantora e destacou o entusiasmo da artista pela vida. Mensagens de despedida também circularam nas redes sociais, com fãs mencionando a irreverência da voz de sucessos como “Sinais de Fogo” e “Stereo”.
Além da comoção, a notícia reacendeu o debate sobre a prevenção do câncer colorretal, tipo mais comum em pessoas acima dos 50 anos, mas que tem apresentado crescimento entre adultos mais jovens. A Sociedade Brasileira de Coloproctologia reforça a importância de exames periódicos, principalmente para quem possui histórico familiar de tumores gastrointestinais.
Preta Gil iniciou a carreira em 2003 com o álbum “Prêt-à-Porter”, elogiado pela mistura de pop e música brasileira. Ao longo de duas décadas, lançou discos, comandou o “Bloco da Preta” no carnaval carioca e participou de projetos televisivos. Fora dos palcos, engajou-se em campanhas de combate à intolerância religiosa, defesa dos direitos LGBTQIA+ e promoção da diversidade corporal.
Com a confirmação do óbito, o Ministério da Cultura divulgou nota de pesar lembrando que a artista integrou iniciativas de formação musical em comunidades carentes. Já a assessoria da família informou que as cerimônias serão restritas a parentes e amigos próximos, mas haverá espaço para despedida dos fãs em momento que será anunciado após definição do local.
O legado de Preta Gil ganha novo contorno a partir de agora. Sua última contribuição editorial, concebida em parceria com Guilherme Samora, passa a representar não só o marco dos 50 anos recém-completados, mas também a celebração de uma existência que, segundo palavras da própria cantora, “ainda teria muitos capítulos”. Ao traçar esse paralelo com Rita Lee, outra voz fundamental da música brasileira, a notícia sublinha como o registro biográfico pode eternizar as conquistas e os desafios de artistas que marcaram gerações.


