Um visitante do Centre Pompidou-Metz, no nordeste da França, comeu a banana que integra a instalação “Comedian”, obra do artista italiano Maurizio Cattelan avaliada em US$ 6,2 milhões. O episódio ocorreu no sábado (12) e foi divulgado pelo museu na sexta-feira (19).
Intervenção rápida e restauração imediata
Segundo nota oficial, a equipe de segurança agiu “rápida e calmamente” assim que percebeu que o visitante retirava a fruta da parede. Poucos minutos depois, o objeto foi reinstalado, cumprindo as instruções do artista, que prevê a troca periódica da banana devido à sua natureza perecível.
Cattelan declarou ter ficado desapontado porque o autor da ação não mastigou também a casca e a fita adesiva que sustentavam a fruta. Para ele, o visitante “confundiu a fruta com a obra”, pois a peça completa inclui todos os elementos fixados na parede.
Obra polêmica desde a estreia
“Comedian” foi apresentada pela primeira vez em 2019, na Art Basel de Miami, onde causou repercussão ao ser colocada à venda por US$ 120 mil. Cattelan afirmou à época que pretendia criticar a especulação no mercado de arte. Desde então, a instalação ganhou notoriedade e protagonizou outros incidentes semelhantes.
Em dezembro de 2019, o artista performático David Datuna removeu e comeu a banana durante a feira em Miami, alegando estar com fome. A ação foi registrada em vídeo e amplamente divulgada. Em novembro de 2024, o empresário Justin Sun, fundador da plataforma de criptomoedas Tron e atual proprietário da obra, repetiu o ato em Hong Kong após adquirir a peça por US$ 6,2 milhões.
Procedimento preserva conceito da obra
O museu francês confirmou que a substituição da fruta faz parte do protocolo recomendado pelo criador. Sempre que a banana escurece ou é retirada, a equipe repõe o elemento, mantendo a integridade do trabalho. A fita adesiva permanece a mesma, respeitando o conceito original.


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Imagem: g1.globo.com
Embora o autor do incidente no Pompidou-Metz não tenha sido identificado publicamente, nenhuma medida legal foi anunciada. A direção da instituição salientou que a obra não sofreu danos permanentes e segue disponível ao público.
Outras criações controversas
Conhecido por obras provocativas, Maurizio Cattelan também assinou “América”, vaso sanitário funcional de ouro maciço de 18 quilates. A peça foi oferecida à Casa Branca durante o mandato de Donald Trump e mais tarde furtada de uma exposição no Palácio de Blenheim, no Reino Unido, em 2020. Dois suspeitos foram presos em março deste ano, mas o ouro não foi recuperado.
No caso da banana, a discussão sobre o valor real de uma fruta presa à parede continua alimentando debates sobre limites e critérios de valorização no universo da arte contemporânea. Para o artista, as reações — inclusive o ato de comer a obra — reforçam a mensagem crítica que ele pretendia transmitir desde a estreia.
Após o incidente em Metz, “Comedian” voltou a ocupar a sala expositiva sem alterações de conceito, enquanto visitantes se dividem entre registrar fotos, questionar o preço e, agora, pensar duas vezes antes de ceder à tentação de provar a próxima banana milionária.


