Brasília, 7 de dezembro – A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou uma nova nota em que volta a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevando a temperatura da já tensa relação diplomática entre os dois países.
Documento culpa Moraes por censura e perseguição
No comunicado oficial, emitido nesta quinta-feira (7), a representação norte-americana descreve Moraes como “principal arquiteto” de um suposto aparato de censura e perseguição voltado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores. A nota sustenta que o magistrado seria responsável por “flagrantes violações de direitos humanos”, argumento utilizado para justificar a aplicação de sanções individuais previstas na Lei Magnitsky. Segundo o texto, as punições teriam sido determinadas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O documento acrescenta que “aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados” a não endossar, nem facilitar, a conduta atribuída ao ministro. Em tom de advertência, a embaixada afirma acompanhar “de perto” as decisões do STF e não descarta “novas medidas de retaliação” contra autoridades brasileiras envolvidas em processos contra Bolsonaro.
Reação ocorre após prisão domiciliar de Bolsonaro
A manifestação da embaixada norte-americana chega três dias depois de Moraes ter imposto prisão domiciliar a Jair Bolsonaro. Na decisão da segunda-feira (4), o ministro apontou suposto descumprimento de medidas cautelares impostas em julho. De acordo com o despacho, o ex-presidente teria utilizado perfis de aliados, inclusive dos filhos, para publicar mensagens que, na avaliação de Moraes, incentivam hostilidades ao STF e defendem intervenção estrangeira no Poder Judiciário.
Além da detenção em regime domiciliar, o magistrado proibiu visitas, exceto as de advogados e parentes próximos, e ordenou o recolhimento dos aparelhos celulares de Bolsonaro. As restrições motivaram reação imediata de parlamentares da oposição, que denunciaram cerceamento de direitos políticos e cerco judicial ao ex-chefe do Executivo.
Pressão diplomática cresce desde julho
A nota desta quinta-feira não é a primeira ofensiva diplomática contra Moraes. Em 24 de julho, o perfil oficial da Embaixada dos EUA já havia classificado o ministro como “coração pulsante” de um suposto “complexo de perseguição” que visaria calar o ex-presidente. À época, a declaração coincidiu com articulações de congressistas conservadores brasileiros em busca de apoio internacional para frear decisões do STF.


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Desde então, a tensão bilateral ganhou novos capítulos. Em Washington, aliados de Trump passaram a pressionar pela inclusão de integrantes do Tribunal na lista de sanções Magnitsky, mecanismo que permite punir estrangeiros acusados de violar liberdades fundamentais. No Brasil, deputados ligados à oposição intensificaram pedidos de investigação sobre o que chamam de “extrapolação de competências” do Supremo.
Trump comemora possível redirecionamento de recursos
O comunicado ainda menciona publicação de Donald Trump na rede Truth Social, na qual o ex-presidente celebra que “bilhões de dólares” vão “começar a fluir para os EUA” após anos de “aproveitamento” por parte de outros países, sem citar diretamente o Brasil. O recado foi interpretado por analistas como respaldo às sanções aplicadas contra autoridades brasileiras.

A postura norte-americana contrasta com o posicionamento do governo Joe Biden, que, oficialmente, adotou tom mais contido sobre assuntos internos brasileiros. Apesar disso, fontes diplomáticas confirmam que o Departamento de Estado acompanha a situação e mantém relatórios periódicos sobre decisões judiciais envolvendo Bolsonaro.
Impacto interno e próximos passos
No Planalto, auxiliares veem a nota da embaixada como novo fator de pressão sobre o STF. Parlamentares governistas, por outro lado, acusam Washington de interferência em assuntos internos e prometem acionar a Comissão de Relações Exteriores do Senado para exigir explicações.
Do lado oposicionista, a nova manifestação dos Estados Unidos é celebrada como sinal de fortalecimento da mobilização internacional contra o que consideram abusos de autoridade do Supremo. Deputados conservadores pretendem levar o tema à próxima reunião do Parlamento do Mercosul, pedindo posicionamento dos demais membros do bloco.
Enquanto isso, a defesa de Jair Bolsonaro planeja recorrer da decisão de prisão domiciliar, argumentando ausência de crime e alegando que a limitação de comunicação fere garantias constitucionais. O recurso deve ser apresentado nos próximos dias diretamente ao STF.
Com a embaixada prometendo vigilância constante e possíveis novas retaliações, o impasse entre Suprema Corte e aliados de Bolsonaro tende a ganhar dimensão internacional inédita, mantendo o tema no centro do debate político brasileiro nas próximas semanas.

