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Artigo por reajuste salarial leva Bolsonaro à prisão em 1986; relembre o caso

Política

Rio de Janeiro, 1986. Então capitão paraquedista do Exército, Jair Bolsonaro passou 15 dias detido num quartel após publicar um artigo na revista Veja defendendo reajuste salarial para a tropa. O episódio, pouco antes de sua entrada na política, marcou o primeiro confronto público do militar com a cadeia de comando e pavimentou a imagem de porta-voz dos interesses das Forças Armadas.

Reivindicação de salários e punição disciplinar

À época com 31 anos, Bolsonaro assinou o texto intitulado “O salário está baixo”. No artigo, criticou a crise financeira que atingia oficiais, sargentos e cadetes, afirmando que a falta de perspectiva funcional seria “dramática” para a instituição. Alertou ainda que um Exército desvalorizado tornaria o país vulnerável, reforçando o argumento de que o governo federal precisava “olhar com respeito” para seus militares.

A publicação foi considerada violação da disciplina. O comando militar aplicou a punição de 15 dias de prisão administrativa, em setembro de 1986. Documentos da época registram que a decisão gerou inquietação interna: circulou rascunho de manifesto assinado por cerca de 300 capitães e esposas de oficiais cogitaram uma passeata na Vila Militar, reação que exigiu contenção do alto-escalão em Brasília.

Durante o cumprimento da pena, Bolsonaro consolidou a expressão “Brasil acima de tudo”, incorporada anos depois por sua base política. No texto, o capitão escreveu: “Amo o Brasil e não sofro de desvio vocacional. Brasil acima de tudo”. A frase ganhou força como slogan nacionalista presente em campanhas eleitorais e manifestações de apoiadores.

Denúncia de 1987 e absolvição no STM

Em outubro de 1987, novamente a revista Veja trouxe Bolsonaro às manchetes, desta vez ao relatar suposto plano para detonar bombas-relógio em unidades militares do Rio de Janeiro. A reportagem mencionava outro oficial e alegava intenção de pressionar o comando por aumento salarial.

O caso chegou ao Superior Tribunal Militar (STM). Em 1988, por oito votos a três, a corte absolveu Bolsonaro, entendendo inexistirem provas suficientes para confirmar a participação dele no alegado atentado. A decisão permitiu que permanecesse na carreira militar e evitou expulsão das Forças Armadas.

Migração para a política

No mesmo 1988 em que foi absolvido, Bolsonaro deixou a farda e ingressou na vida pública. Filiado ao então Partido Democrata Cristão (PDC), elegeu-se vereador no Rio de Janeiro. Em 1990, conquistou a primeira de sete cadeiras consecutivas na Câmara dos Deputados, trajetória que culminou na eleição presidencial de 2018.

Especialistas ouvidos posteriormente apontaram a punição de 1986 como elemento decisivo para a mudança de carreira. Ao defender as demandas da caserna, Bolsonaro encontrou base eleitoral fiel entre militares da ativa, da reserva e seus familiares, nicho que viria a expandir-se para setores conservadores da sociedade.

Artigo por reajuste salarial leva Bolsonaro à prisão em 1986; relembre o caso - Imagem do artigo original
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Situação atual sob prisão domiciliar

Quase quatro décadas depois, em 4 de março, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou prisão domiciliar contra o ex-presidente. A decisão citou descumprimento reiterado de medidas cautelares, entre elas a proibição de uso de mídias digitais, condição imposta quando Bolsonaro passou a utilizar tornozeleira eletrônica.

A determinação ocorreu um dia após manifestações em várias capitais, nas quais o ex-chefe do Executivo apareceu por vídeo. Publicações de parlamentares aliados, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), exibiram as participações remotas.

A defesa declarou surpresa com a ordem de prisão domiciliar e apresentou recurso no dia 6, alegando que todas as condições impostas anteriormente foram respeitadas. O pedido aguarda análise do relator no STF.

Legado do episódio de 1986

O confinamento de duas semanas em 1986 permanece como ponto de inflexão na biografia de Bolsonaro. O episódio evidenciou atrito entre demandas salariais da tropa e a hierarquia militar durante o processo de redemocratização. Também projetou o capitão na opinião pública como defensor do soldo e do prestígio das Forças Armadas, credencial que manteve durante décadas de atuação parlamentar.

Ao longo do tempo, a narrativa de enfrentamento contra estruturas consideradas contrárias aos interesses do país tornou-se marca registrada do político. Do quartel às urnas, a expressão “Brasil acima de tudo” atravessou gerações e segue presente em faixas e cartazes de apoiadores, ilustrando como o primeiro embate disciplinar moldou a identidade pública do ex-presidente.

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