São Paulo, 11 mar. — Detido durante a operação Desfortuna, o influenciador Maurício, conhecido nas redes sociais como Maumau ZK, deixou a prisão no sábado (9) depois de pagar fiança fixada em cem salários mínimos, equivalente a R$ 151,8 mil. Antes da liberação, ele publicou vídeos gravados de dentro da cela da Delegacia de Guarulhos (SP), onde aguardava o alvará de soltura.
Vídeos na cela e liberação após audiência de custódia
Nas imagens divulgadas no próprio perfil do influenciador no Instagram, Maurício aparece vestindo roupas simples, comentando a rotina no cárcere e afirmando que faria uma oração com outros detidos antes de sair. “Vou tomar uma ducha e esperar o alvará de soltura”, declarou em um dos registros. Minutos depois, ao ser informado da liberação, acrescentou: “Um homem de Deus não vai ficar preso. Eu não sou ladrão, não sou bandido. Maumau é do povo, Maumau é Brasil”.
A Justiça concedeu liberdade provisória após audiência de custódia realizada na tarde de sábado. Além do pagamento da fiança, o magistrado impôs medidas cautelares: comparecimento bimestral ao juízo da comarca de residência para informar atividades, proibição de ausentar-se da cidade por período superior a dez dias sem autorização judicial e obrigação de participar de todos os atos processuais. O descumprimento dessas condições pode resultar na revogação da liberdade.
Operação Desfortuna investiga apostas ilegais e lavagem de dinheiro
Deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, a operação Desfortuna tem como foco a promoção ilícita de jogos de azar on-line, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. Quinze influenciadores digitais estão sob investigação por suposta participação no esquema.
Durante busca na residência de Maurício, os agentes encontraram uma arma de fogo com numeração suprimida e sem posse legal, o que resultou no flagrante por porte ilegal de arma — crime previsto no Estatuto do Desarmamento. De acordo com a Polícia Civil, o influenciador não apresentou documentação que autorizasse o porte ou a propriedade do armamento.
Posicionamento da defesa e justificativas do influenciador
Em nota, a defesa confirmou que os vídeos foram gravados de dentro da cela, mas sustentou que Maurício não teve acesso direto a um aparelho celular. Segundo os advogados, as imagens teriam sido realizadas com suporte de terceiros e encaminhadas à equipe de comunicação do influenciador.


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Já em liberdade, Maumau ZK publicou novos conteúdos nas redes sociais. Ele mostrou a compra de um telefone celular e de um computador, produtos adquiridos logo após a saída do presídio. Nos stories de parceria com uma loja, divulgou promoções de eletrônicos aos seguidores.
O influenciador nega participação em qualquer esquema ilegal envolvendo apostas on-line. De acordo com ele, existe apenas um contrato de publicidade com uma casa de apostas, celebrado nos moldes da legislação vigente. Sobre a arma apreendida, afirmou que nunca foi utilizada e que foi entregue voluntariamente aos policiais. Maurício explicou que recebeu o armamento como “presente” durante ação publicitária em um estande de tiro, sem verificar posteriormente a regularidade da numeração ou do registro.

Fiança máxima para porte ilegal de arma
O valor arbitrado de cem salários mínimos representa o teto previsto em lei para o crime de porte ilegal de arma. A quantia foi paga poucas horas depois da decisão judicial. Fontes ligadas ao processo afirmam que a medida objetiva garantir eventual reparação de danos, além de assegurar o comparecimento do investigado às próximas fases do inquérito.
Em paralelo ao processo por porte ilegal, o influenciador segue como alvo das apurações sobre apostas clandestinas. Caso seja comprovada a participação no suposto esquema, ele poderá responder pelos crimes de promoção de jogos de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que somadas podem ultrapassar dez anos de reclusão.
Próximos passos na investigação
A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), responsável pelo inquérito, analisa documentos, contratos de publicidade e fluxos financeiros dos 15 influenciadores investigados. O material apreendido, tanto físico quanto digital, será submetido a perícia. A polícia busca identificar eventual recebimento de valores de origem ilícita e movimentações atípicas em contas bancárias.
O Ministério Público do Rio de Janeiro acompanha o andamento da operação e poderá oferecer denúncia caso encontre indícios suficientes de crime. Até o momento, não há previsão de novas audiências. As autoridades aguardam laudos técnicos e relatórios financeiros para definir os próximos desdobramentos.
Enquanto isso, Maurício mantém atividade nas redes sociais, embora assessores tenham informado que ele seguirá orientação jurídica quanto ao conteúdo publicado. Nos bastidores, o influenciador tenta retomar contratos de publicidade e reforçar a imagem junto ao público, apoiando-se no discurso de que confia na Justiça e pretende provar inocência.


