Brasília, 11 – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou ao jornal britânico Financial Times que os Estados Unidos devem intensificar as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro – acusado de articular um golpe de Estado – não seja encerrado.
Lobby em Washington
Filho do ex-chefe do Executivo, Eduardo iniciou uma ofensiva na capital norte-americana para convencer o governo dos EUA a avançar sobre a Corte brasileira. Segundo o parlamentar, o ex-presidente Donald Trump “tem várias opções sobre a mesa”, entre elas:
– aplicação de novas sanções a autoridades do Judiciário brasileiro;
– revogação de vistos de ministros e seus aliados;
– possível adoção de medidas tarifárias que atinjam setores econômicos específicos.
O congressista justifica a iniciativa como essencial para evitar uma eventual prisão de Jair Bolsonaro. “Meu objetivo é impedir que o STF ultrapasse seus limites e preserve a democracia brasileira”, afirmou ao periódico.
Perspectiva de sanções ampliadas
Em 2023, Washington já havia imposto restrições ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo processo contra o ex-presidente. De acordo com Eduardo, Moraes “queimou todas as suas opções”, enquanto Trump ainda poderia “dobrar a aposta” dependendo da postura adotada pela Corte.
Entre as retaliações possíveis, o deputado menciona sanções contra a esposa de Moraes, apontada como responsável por parte das finanças familiares, além da suspensão de vistos concedidos a auxiliares próximos do ministro. Na semana anterior, a Embaixada dos EUA no Brasil já havia sinalizado que aliados de Moraes poderiam ser afetados por medidas semelhantes.


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Estratégia estendida à Europa
O plano de Eduardo Bolsonaro também inclui levar o tema ao Parlamento Europeu. A intenção é convencer parlamentares do bloco a replicar as penalidades aplicadas por Washington. “Quero colocar as sanções dos EUA no radar dos europeus para que o STF também seja pressionado por lá”, declarou.
Reações internas e argumentos do deputado
Empresários e setores exportadores alertam que a escalada de sanções pode afetar empregos e comprometer acordos comerciais do Brasil com parceiros internacionais. Mesmo assim, o deputado mantém a estratégia e diz estar “preparado para as críticas da esquerda”. Na avaliação dele, a mobilização é necessária para “salvar a democracia” diante do que classifica como excessos cometidos pelo Supremo.

Contexto do julgamento
Jair Bolsonaro virou réu por supostamente comandar uma tentativa de ruptura institucional após a eleição de 2022. O caso tramita no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes. Se condenado, o ex-presidente pode ser preso e tornar-se inelegível.
O processo encontra-se na fase de alegações finais. O tribunal indicou que pretende levar o caso a julgamento ainda este ano, sob intenso acompanhamento de observadores internacionais e da classe política.
Ponto de atenção nos EUA
A proximidade entre parlamentares republicanos e aliados de Jair Bolsonaro reforça a expectativa de novas ações por parte de Washington. O deputado sustenta que a adesão de congressistas norte-americanos é decisiva para ampliar o alcance das punições contra o STF e, por consequência, conter a Corte.
Próximos passos
Eduardo Bolsonaro seguirá em agenda nos Estados Unidos ao longo das próximas semanas, com encontros marcados no Congresso e em think tanks conservadores. Depois, pretende visitar Bruxelas para dialogar com eurodeputados alinhados à direita.
Enquanto isso, ministros do STF evitam comentar publicamente a possibilidade de sanções internacionais, mas reforçam que o julgamento do ex-presidente obedecerá ao devido processo legal previsto na Constituição.
O desfecho dependerá, portanto, da disposição de Washington e das instituições europeias em atender ao pedido do parlamentar brasileiro. Até lá, a tensão entre Legislativo, Judiciário e atores externos tende a permanecer no centro do debate político nacional.

