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Lula anuncia que enviará a Trump relato sobre 8 de Janeiro e cita restrições a perfis pró-Bolsonaro

Política

Brasília, 12 de março de 2024 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à rádio BandNews FM, que pretende encaminhar ao ex-mandatário norte-americano Donald Trump um informe detalhado sobre a “tentativa de golpe” ocorrida em 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram a Praça dos Três Poderes.

Lula promete explicações diretas a Trump

Durante a conversa, Lula declarou que “é preciso que Trump saiba o que estava sendo feito no Brasil” e sugeriu que o republicano desconhece o contexto nacional. Sem mencionar explicitamente a invasão ao Capitólio, de janeiro de 2021, Lula comparou a situação norte-americana à investigação conduzida contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu em processo sobre suposta conspiração para contestar o resultado eleitoral de 2022.

O chefe do Executivo brasileiro argumentou que, se fatos semelhantes aos de 8 de janeiro tivessem ocorrido nos Estados Unidos, Trump estaria “sendo julgado tanto quanto Bolsonaro”. Ele adiantou que pedirá à equipe diplomática que organize o envio do material, embora não tenha fixado data nem detalhado o formato do documento.

Contexto de tensões entre Brasil e Estados Unidos

As declarações surgem num momento em que Washington e Brasília mantêm trocas de posicionamentos sobre liberdade de expressão e devido processo legal. No fim de julho do ano passado, o governo norte-americano incluiu menção a Bolsonaro em decreto que restabeleceu a taxação de certos produtos brasileiros, citando “perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado” contra o ex-chefe de Estado.

Mais recentemente, um relatório divulgado pelo Departamento de Estado sob liderança republicana apontou prejuízo ao “debate democrático” no Brasil por bloqueios a conteúdos on-line. O documento cita decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão de mais de cem perfis na rede social X (antigo Twitter). Segundo o texto, a medida atingiu de forma “desproporcional” apoiadores de Jair Bolsonaro, em vez de se limitar a publicações que incentivassem violência iminente.

Investigadores brasileiros sustentam que a derrubada das contas visou conter a propagação de apelos a atos ilícitos contra instituições. Já críticos da decisão classificam as ordens como censura, enfatizando a ausência de critérios transparentes e a falta de contraditório prévio.

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Avaliação sobre assessoria de Trump

No diálogo com a BandNews FM, Lula avaliou que Donald Trump necessita de “assessoria” capaz de oferecer “conhecimento do Brasil”. Ele alertou que, caso o ex-presidente se apoie em figuras próximas a Bolsonaro, receberá “informações deformadas e erradas”. Lula destacou, nesse ponto, a presença do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos desde o primeiro semestre de 2023. O parlamentar afirma buscar interlocução com integrantes do Partido Republicano e alega ser alvo de perseguição política no Brasil.

Questionado sobre eventual contato direto com Trump, Lula limitou-se a dizer que “mandará informar”, sem indicar se pretende conversar pessoalmente ou por meio de representantes diplomáticos. Até o momento, a embaixada norte-americana em Brasília não se pronunciou sobre a iniciativa.

Lula anuncia que enviará a Trump relato sobre 8 de Janeiro e cita restrições a perfis pró-Bolsonaro - Imagem do artigo original

Status dos processos contra Bolsonaro

Jair Bolsonaro encontra-se em prisão domiciliar em Brasília e responde a ações criminais ligadas ao suposto complô para interferir no resultado das eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República sustenta que houve articulação de militares e civis para deslegitimar o processo eleitoral e, eventualmente, alterar à força o comando do país. A defesa do ex-presidente nega participação em qualquer plano golpista, sustenta que as investigações são “politicamente motivadas” e aponta falta de provas materiais.

Além da esfera penal, Bolsonaro figura em procedimentos eleitorais que podem tornar-no inelegível até 2030. Seus advogados alegam cerceamento de defesa e apontam decisões “monocráticas” de ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.

Impacto diplomático esperado

O envio de um relatório presidencial a Trump tende a reacender o debate sobre a condução das investigações do 8 de Janeiro e sobre os limites da atuação do Judiciário brasileiro em redes sociais. Especialistas em relações internacionais observam que uma comunicação direta entre Lula e o ex-presidente norte-americano, ainda influente dentro do Partido Republicano, pode interferir no posicionamento de parlamentares dos Estados Unidos acerca de temas comerciais e de segurança regional.

Até agora, não há confirmação de que Trump responderá ao eventual documento. Entretanto, assessores próximos ao republicano vêm manifestando preocupação com alegadas violações a liberdades civis no Brasil, sobretudo no que diz respeito ao banimento de contas digitais e à prisão de manifestantes.

Analistas destacam que a troca de informações pode reforçar a narrativa defendida por Bolsonaro sobre perseguição política ou, ao contrário, servir de subsídio a futuros relatórios de organismos internacionais caso as autoridades brasileiras demonstrem ter agido dentro de parâmetros legais.

No plano interno, a iniciativa de Lula é vista como mais um movimento para consolidar a versão oficial dos acontecimentos de 8 de janeiro, ao mesmo tempo em que atinge o círculo bolsonarista nos Estados Unidos. O desfecho desse diálogo, porém, dependerá da disposição de Trump em receber os dados e da forma como serão interpretados por congressistas, imprensa e órgãos de direitos civis norte-americanos.

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