Brasília, 13 de agosto de 2025. O senador Marcio Bittar (União-AC) protocolou dois requerimentos dirigidos aos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores para obter detalhes sobre o pouso e a permanência no Brasil de um cargueiro militar russo Ilyushin Il-76TD, alvo de sanções norte-americanas desde 2023. A aeronave aterrissou na Base Aérea de Brasília no domingo (10) sem plano de voo registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e permanece isolada, afastada do setor de aviação comercial.
Aeronave sob sanções e trajeto incomum
O voo ZR1705 partiu de Moscou, fez escalas em Baku (Azerbaijão), Argel (Argélia) e Conacri (Guiné) antes de chegar à capital federal. Conacri vem sendo usada pelo Africa Corps, grupo mercenário ligado ao Kremlin que sucedeu a antiga Wagner, para distribuir armamento no continente africano. O cargueiro Il-76TD é classificado como estratégico e costuma operar em missões militares, incluindo transporte de equipamentos bélicos. Por esse histórico, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou sanções à aeronave sob suspeita de enviar material para a Coreia do Norte e dar suporte logístico ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela.
A Força Aérea Brasileira (FAB) não divulgou a finalidade da missão nem o conteúdo transportado. A previsão inicial era decolagem nesta quarta-feira (13), mas, até o início da tarde, o avião seguia estacionado. O abastecimento está a cargo da BR Aviation, subsidiária da antiga BR Distribuidora. A mesma companhia se recusou a fornecer combustível a um Ilyushin IL-96 que trouxe o chanceler russo Sergey Lavrov ao Rio de Janeiro, em fevereiro de 2024, episódio que resultou em retaliação dos Estados Unidos contra a fornecedora Jetfly, que acabou realizando o serviço na ocasião.
Requerimentos e questionamentos no Senado
No documento 593/2025, endereçado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Bittar exige explicações sobre a autorização de entrada, a rota declarada e a lista de passageiros ou tripulantes. Já o requerimento 594/2025, dirigido ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, solicita detalhes sobre a carga, a aplicação de protocolos de segurança compatíveis com sanções internacionais e a eventual participação de militares brasileiros na operação.
“Essa complacência não é neutralidade, é cumplicidade. O Brasil não pode ser o quintal de regimes que afrontam a liberdade e a ordem internacional”, afirmou Bittar, da tribuna, na terça-feira (12). O parlamentar argumenta que a aterrissagem evidencia a “perigosa indefinição” da política externa brasileira, que, em sua avaliação, repete diretrizes de inspiração marxista já responsáveis por crises em vizinhos latino-americanos. Caso os requerimentos sejam aprovados pela Mesa Diretora, o Executivo terá 30 dias para responder.
O tema deverá dominar a audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado marcada para quinta-feira (14), quando José Múcio prestará esclarecimentos. Senadores de oposição prometem insistir na divulgação de documentos que comprovem quem liberou o pouso e se houve consulta prévia a órgãos de inteligência.
Contexto político e repercussão internacional
A chegada do cargueiro russo ocorreu um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonar para Vladimir Putin. A coincidência acirrou críticas no Congresso, sobretudo porque Washington elevou a pressão sobre Brasília com novas sanções motivadas por episódios de censura e perseguição política dentro do país. Integrantes da bancada de direita veem a concessão de pouso a uma aeronave sancionada como sinalização de alinhamento a regimes autoritários, em detrimento de históricos parceiros ocidentais.


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Mesmo dentro da comunidade de defesa, existe receio de que a permanência do Il-76TD crie precedentes capazes de desgastar a relação com os Estados Unidos e comprometer futuras aquisições de tecnologia militar de origem norte-americana. Oficiais consultados reservadamente consideram atípica a ausência de informações públicas sobre a operação, prática incomum em voos militares estrangeiros que entram em território nacional.
Até o momento, nem o Palácio do Planalto nem o Itamaraty apresentaram justificativa oficial. A FAB limita-se a afirmar que “cumpriu protocolos padrões de controle de tráfego” e que detalhes sobre missões estratégicas são classificados. Essa postura de sigilo reforça as suspeitas da oposição e amplia a pressão por transparência.
O episódio revive lembranças do impasse diplomático de 2024 envolvendo o avião de Lavrov. Na ocasião, o governo buscou minimizar o constrangimento, mas acabou submetido à retaliação comercial dos Estados Unidos contra a empresa que forneceu combustível. Agora, o risco de nova reação norte-americana paira sobre órgãos e companhias que participarem do apoio logístico ao Il-76TD.
Enquanto o Encontro de Cúpula do Brics, previsto para o próximo ano no Brasil, se aproxima, aliados governistas tentam sustentar a narrativa de “pragmatismo” nas relações internacionais. O bloco, porém, reúne países alvos de constantes críticas por violações de direitos e intervenções externas. Para setores conservadores, a recepção discreta ao cargueiro russo expõe uma diplomacia que se afasta da tradição de equilíbrio e aproxima o país de interesses contrários às democracias liberais.
A permanência do Il-76TD na Base Aérea de Brasília continua sem prazo definido. Parlamentares aguardam respostas oficiais para determinar os próximos passos no Legislativo. Caso o governo mantenha o silêncio, cresce a possibilidade de convocação de autoridades e aprovação de novas medidas de fiscalização, inclusive com requerimentos de acesso a informações sigilosas.

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