Brasília — Sob pressão interna e externa por acusações de censura e perseguição política, o Supremo Tribunal Federal (STF) intensificou sua estratégia de comunicação. Na sexta-feira, 15 de agosto, a Corte recebeu 26 influenciadores digitais e apresentou o pacote de figurinhas “Democracilover” para WhatsApp, medidas que buscam conter o desgaste de popularidade apontado por nova pesquisa Datafolha.
Pesquisa Datafolha confirma desgaste da Corte
O levantamento, realizado em 29 e 30 de julho com 2.004 entrevistados de 130 municípios, revela que 36% consideram o desempenho do STF ruim ou péssimo, 31% avaliam como regular e apenas 29% classificam como ótimo ou bom. Na série histórica, a piora é evidente: em março do ano passado, a rejeição era de 28%, e o grupo que avaliava como regular atingia 40%.
O recorte por perfil político reforça o quadro de polarização. Entre os que aprovam o governo Lula, 66% veem o STF de forma positiva. Já entre aqueles que avaliam o Executivo petista como ruim ou péssimo, 70% desaprovam a Corte. O índice de desconfiança também pesa sobre nomes de destaque: 43% dizem não confiar em Alexandre de Moraes e 36% manifestam a mesma posição em relação ao presidente Luís Roberto Barroso.
Campanha foca em redes sociais e “combate à desinformação”
Diante desses números, o STF decidiu ampliar a presença em plataformas digitais. O pacote de figurinhas recém-lançado exibe animais caricatos acompanhados de frases como “Alerta de Fake News” e “Eu amo a Constituição”. A iniciativa tenta produzir conteúdo de fácil compartilhamento, sobretudo entre jovens, público onde a percepção sobre a Corte se mostra mais volátil.
No mesmo dia, o evento “Leis e Likes” reuniu influenciadores que abordam temas como meio ambiente, cultura de favela, questões LGBT e psicologia. A maior parte deles mantém posicionamento favorável ao governo federal e, consequentemente, às decisões recentes do tribunal. Um participante chega a se autodenominar “advogado do Xandão”, alusão a Moraes.
Os convidados percorreram o plenário, assistiram a uma sessão e gravaram vídeos com Moraes e Barroso. Questionado sobre a rapidez na tramitação do processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes atribuiu a celeridade à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, alegando que o inquérito já soma quase dois anos.


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Barroso, por sua vez, reiterou o discurso de que as redes sociais fragmentaram o consenso sobre fatos, reforçando a necessidade de combater a chamada “desinformação”. Segundo o ministro, a Constituição brasileira confere ao STF um papel abrangente, sobretudo quando há “omissão” dos demais Poderes.

Objetivo é reverter percepção negativa
A gestão Barroso vem investindo em múltiplas frentes: parcerias com universidades, palestras em think tanks e conteúdos mais leves nas redes. A primeira edição do “Leis e Likes”, promovida em 2024, teria elevado em 30% a imagem positiva da Corte na imprensa e gerado mais de 400 postagens de influenciadores, segundo dados divulgados pelo próprio tribunal.
Contudo, críticos apontam que a escolha de vozes majoritariamente alinhadas à esquerda limita o alcance junto ao público conservador, segmento onde a reprovação é mais alta. Além disso, parlamentares e organizações civis nos Estados Unidos têm questionado a postura do STF diante de bloqueios em redes sociais, o que mantém a Corte sob escrutínio internacional.
Próximos passos
Sem sinal de recuo na estratégia digital, o STF deve seguir apostando em conteúdo “pop” e na aproximação com formadores de opinião simpáticos às suas decisões. Resta saber se essa ofensiva será suficiente para reverter a tendência captada pelo Datafolha e recuperar a confiança de eleitores que veem na Corte um agente político e não apenas jurídico.
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Em resumo, a Corte reage à queda de popularidade com ações de marketing digital e alianças com influenciadores. O movimento reforça a disputa narrativa em torno do STF. Continue conosco e receba atualizações sobre o impacto dessas iniciativas no debate público.


