Os números mais recentes confirmam a guinada dos investimentos chineses para o Brasil. Dados consolidados até junho de 2025 mostram que o país recebeu 10% de todo o capital externo direto proveniente da China, somando US$ 2,2 bilhões no semestre e garantindo a segunda posição global, atrás apenas da Indonésia. O resultado consolida uma trajetória iniciada em 2007 e intensificada na última década, na qual empresas estatais e privadas chinesas diversificaram suas apostas em energia, infraestrutura, manufatura e agronegócio brasileiros.
Fluxo recorde consolida tendência de longo prazo
Entre 2007 e 2023, a China destinou US$ 73,3 bilhões a 264 projetos nacionais, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O setor elétrico concentrou 45% do total (US$ 33,2 bilhões), seguido por manufatura (US$ 5,3 bilhões), obras de infraestrutura (US$ 3,3 bilhões) e agricultura (US$ 2,4 bilhões). No mesmo período, o estoque de investimentos colocou o Brasil como quarto maior receptor mundial de capital produtivo chinês, sendo o único país em desenvolvimento no grupo dos cinco principais destinos.
Em 2023, a parcela chinesa somou US$ 1,73 bilhão, avanço de 33% em relação a 2022, mesmo com a retração geral dos aportes estrangeiros diretos no Brasil (queda de 17% segundo o Banco Central) e no mundo (recuo de 7% conforme a OCDE). O movimento indica seletividade de Pequim diante do ambiente geopolítico adverso, priorizando mercados considerados estratégicos.
Distribuição setorial revela prioridades de Pequim
A entrada maciça no setor elétrico brasileiro associa-se à busca chinesa por ativos de geração, transmissão e distribuição capazes de assegurar retorno estável em moeda forte, além de influência sobre cadeias energéticas globais. Na manufatura, os aportes miram presença industrial e transferência de tecnologia; já na infraestrutura, a ênfase em ferrovias, portos e rodovias facilita o escoamento de commodities, principalmente soja, milho e minério de ferro, itens centrais na pauta de exportações para a Ásia.
No campo, embora o volume ainda pareça modesto (3% do total), o capital chinês mantém ritmo crescente. Esse avanço acionou alerta em Washington. No projeto de lei orçamentária dos serviços de inteligência dos Estados Unidos para 2026, o senador republicano Tom Cotton incluiu dispositivo que determina investigação sobre o impacto da presença chinesa no agronegócio brasileiro para a segurança alimentar norte-americana.
Comparativo internacional e trajetória de crescimento
Os Estados Unidos permanecem como principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque de US$ 272,9 bilhões em 2023. Contudo, o salto chinês impressiona: de US$ 7,9 bilhões em 2010 para US$ 53,2 bilhões em 2023, variação de 575%. No mesmo intervalo, os aportes de origem norte-americana aumentaram 148,7%. Em consequência, a China avançou da 16.ª para a 5.ª posição entre as fontes de capital produtivo instaladas no país.
No plano global, o China Global Investment Tracker registrou US$ 22 bilhões em investimentos chineses no exterior no primeiro semestre de 2025. A fatia de 10% destinada ao Brasil contrasta com a queda de 22,9% na Indonésia, que liderou o ranking com US$ 2,59 bilhões. A performance brasileira reforça a estratégia de Pequim de diversificar parceiros fora do eixo Ásia-Pacífico.
Diplomacia econômica reforça parceria Sul-Sul
As cifras divulgadas vieram na esteira da conversa telefônica de 11 de agosto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping. Segundo a agência estatal Xinhua, Xi propôs aprofundar a cooperação como “exemplo de unidade entre os países do Sul Global”. O Planalto informou que os dois governos pretendem ampliar projetos em saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites.


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Imagem: criada utilizando Dall-E
O contexto inclui o recente tarifaço norte-americano de 50% sobre produtos brasileiros, medida que pressiona Brasília a buscar alternativas para financiamento e mercados. A disposição chinesa de conceder crédito, participar de concessões e firmar joint ventures surge como opção menos onerosa, ainda que traga debate sobre soberania e concentração de ativos estratégicos.
Cautela de Pequim e seletividade de mercados
Análise do Bradesco, que apoiou o estudo do CEBC, aponta que a China “adota postura mais cautelosa e seletiva” diante de desafios internos e de um cenário geopolítico tenso. O foco recai sobre parceiros considerados estratégicos, como o Brasil, capaz de fornecer recursos naturais, energia limpa e mercado consumidor robusto.
Mesmo com essa expansão, os investimentos chineses seguem distantes dos níveis norte-americanos. A leitura conservadora vê vantagem na diversificação de fontes de capital, mas ressalta a necessidade de contratos claros e salvaguardas regulatórias que preservem controle nacional sobre infraestrutura crítica.
Em síntese, o Brasil consolidou-se, em 2025, como segundo principal destino do capital chinês no exterior, atraindo 10% dos aportes globais de Pequim no primeiro semestre. A evolução confirma a importância estratégica do país para a política econômica da China, ao mesmo tempo em que expõe desafios de competitividade e segurança para os setores envolvidos.
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Os dados reforçam a mudança no tabuleiro econômico global e convidam o leitor a seguir atento às oportunidades e riscos dessa aproximação. Mantenha-se informado e compartilhe a matéria com quem acompanha o impacto dos investimentos estrangeiros na economia brasileira.

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