Brasília, 28 ago. 2025 – Um relatório obtido pela Secretaria de Segurança do Amazonas indica que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) controlam rotas fluviais estratégicas na região amazônica, comprometendo a autoridade do Estado brasileiro sobre seu próprio território. O documento detalha quase 200 pistas clandestinas para pouso de helicópteros e aviões leves, usadas no transporte de drogas e armamentos. O achado recente de um helicóptero submerso com três quilos de skunk no lago de Juruá reforça a presença permanente do crime organizado.
Facções dividem rios e instalam quase 200 pistas clandestinas
De acordo com o levantamento, trechos específicos dos rios amazônicos foram repartidos entre CV e PCC. A divisão permite a circulação segura de embarcações ilegais e dificulta ações de patrulhamento. Além das pistas apontadas no Amazonas, há registro de infraestrutura semelhante em Roraima, próximo à fronteira com a Venezuela, e no sul do estado, nas proximidades da Bolívia.
O helicóptero localizado em Juruá, esta semana, exemplifica a logística aplicada pelos traficantes. Após a queda da aeronave, os criminosos abandonaram a carga de droga no interior do equipamento. Agentes da Polícia Civil confirmaram a apreensão do entorpecente, mas não encontraram tripulantes. A ocorrência reforça o alerta sobre a facilidade de acesso aéreo à floresta e escancara a fragilidade do policiamento regional.
Reunião ministerial expõe foco em marketing e deixa segurança em segundo plano
Enquanto o relatório emergia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou reunião ministerial em Brasília e distribuiu bonés azuis com slogan político, gesto comparado por assessores a práticas do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Durante o encontro, Lula criticou o ex-presidente norte-americano Donald Trump, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o próprio Partido União Brasil.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, foi citado nominalmente. No dia seguinte, a direção da legenda notificou o ministro do Turismo, Celso Sabino, informando que ele precisaria optar entre permanecer no cargo ou manter o apoio da sigla. A resposta evidencia tensão dentro da base aliada e sinaliza que a fidelidade cobrada publicamente pelo Palácio do Planalto não se estende de forma uniforme aos partidos do Centrão.
No juramento de posse, o presidente assumiu o compromisso de “defender, guardar e cumprir a Constituição”. Contudo, a escalada do crime organizado na Amazônia e nos centros urbanos, como o Rio de Janeiro, contrasta com a ausência de ações efetivas para reverter a perda territorial. Especialistas em segurança relatam a necessidade de presença policial e militar permanente como única maneira de restabelecer a soberania sobre áreas infiltradas por quadrilhas.


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Contradições ambientais: termelétricas avançam às vésperas da COP-30
Paralelamente ao cenário de insegurança, o governo federal autorizou leilão para novas termelétricas a carvão, gás natural e diesel – fontes de energia consideradas poluentes. A medida ocorre a pouco mais de um ano da Conferência do Clima da ONU (COP-30), programada para Belém. Projetos de hidrelétricas e a conclusão de Angra 3, alternativas de menor emissão, seguem sem cronograma definido.

Imagem: Ricardo Stuckert
Decisões judiciais e irregularidades em tribunais reforçam sensação de impunidade
Na esfera jurídica, resolução do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, anulou provas contra o doleiro Alberto Youssef, figura central da Operação Lava Jato. A sentença devolveu status de ficha limpa ao condenado, abrindo caminho para eventual participação em atividades empresariais e políticas.
Já no Rio Grande do Sul, o Tribunal de Justiça confirmou condenação ao presidente do Tribunal de Contas estadual, Antônio Lopes Peixoto, ao vice-presidente Iradir Pietroski e ao corregedor Alexandre Postal. Os três receberam licenças-prêmio consideradas ilegais e deverão devolver, respectivamente, R$ 448 mil, R$ 300 mil e R$ 471 mil aos cofres públicos. A ação foi movida em 2020 por deputados estaduais gaúchos, entre eles o atual prefeito de Porto Alegre, Sebastião Coelho.
Soberania em xeque
Os episódios combinados – avanço de facções na Amazônia, marketing político no Planalto, incentivos a combustíveis fósseis e decisões judiciais que fragilizam investigações históricas – colocam em debate a capacidade do Brasil de garantir o cumprimento das leis e a proteção do patrimônio nacional. Sem controle efetivo de território, aplicação rigorosa da Constituição e combate à corrupção, analistas avaliam que a autoridade do Estado segue ameaçada.
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Em síntese, o relatório sobre a Amazônia deixa claro: onde o Estado não se faz presente, o crime avança. Continue conosco para receber atualizações e entenda como essas decisões podem afetar seu dia a dia.

