A revista britânica The Economist dedicou a sua capa desta quinta-feira (28) ao processo que o Supremo Tribunal Federal começará a analisar na próxima terça-feira (2). O caso envolve a suposta participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados em uma tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022.
Capa destaca “recuperação” após onda populista
No destaque gráfico, Bolsonaro aparece caracterizado como o “Viking do Capitólio”, figura que marcou a invasão ao Congresso dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021. A revista sustenta que o julgamento simboliza a “recuperação do Brasil após uma febre populista” e contrasta essa avaliação com a ascensão de líderes de perfil semelhante em países europeus, como Polônia e Reino Unido.
Segundo a publicação, Brasil e Estados Unidos estariam “trocando de lugar” no que se refere à resiliência institucional. Enquanto Washington, na visão do semanário, se torna “mais corrupta, protecionista e autoritária”, Brasília demonstraria disposição em “salvaguardar e fortalecer a democracia”, mesmo diante de pressões externas.
Visão sobre o STF: guardião e alvo de críticas
A matéria reconhece o Supremo como “guardião da democracia brasileira”, mas chama atenção para o volume de poder concentrado em uma corte cujos ministros não passam pelo crivo eleitoral. Com uma constituição de 65 000 palavras, o tribunal supervisiona temas que vão de política tributária a esportes, situação que levou a 114 000 decisões apenas em 2024, conforme o texto do Economist.
A publicação observa que, para lidar com essa carga, a maioria das deliberações fica a cargo de ministros individualmente. O semanário avalia que esse modelo gera reconhecimento de que “juízes não eleitos, com tanto poder, podem corroer a política tanto quanto salvá-la de golpes”. A reforma do STF, portanto, é descrita como “tarefa-chave”, cercada de obstáculos e dependente de acordos entre atores que costumam preservar suas próprias prerrogativas.
Divisões internas e possíveis reflexos do julgamento
O texto salienta que o Brasil segue “profundamente dividido” e que uma eventual decisão severa contra Bolsonaro pode mobilizar apoiadores “fanáticos”, nas palavras da revista. Ao mesmo tempo, o Economist sustenta que líderes políticos de diferentes matizes mostram disposição de “jogar conforme as regras e avançar por meio de reformas”, característica apontada como sinal de maturidade democrática.


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Nesse cenário, ressalta a revista, o país exige que certos grupos “abram mão de privilégios” para viabilizar crescimento econômico. A análise conclui que, pelo menos temporariamente, o “papel de adulto democrático” no hemisfério ocidental teria migrado para o sul.

Imagem: Internet
Comparação com Estados Unidos e reação internacional
Na avaliação da publicação britânica, a postura do governo norte-americano de sancionar o Brasil pela condução do processo contra Bolsonaro expõe um contraste: a nação sul-americana buscaria preservar a legalidade, enquanto os Estados Unidos enfrentariam tensões internas alimentadas pelo ex-presidente Donald Trump. O semanário menciona interferências de Trump sobre o Federal Reserve e ameaças a cidades governadas por democratas como sinais de enfraquecimento institucional norte-americano.
A reportagem também lembra que memórias da ditadura militar (1964-1985) e a percepção de que houve uma trama para manter Bolsonaro no poder após a eleição explicam por que o Brasil adotou um caminho distinto de outras democracias que lidam com líderes populistas.
Reformas e cenário futuro
Embora a necessidade de reformar o Judiciário seja reconhecida, o Economist indica que o processo exigirá concessões entre grupos historicamente rivais. O principal desafio, segundo a revista, está em conciliar o desejo de crescimento econômico com a inevitável perda de vantagens corporativas por parte de setores influentes. A conclusão sugere que o país pode sair fortalecido, desde que consiga avançar em mudanças estruturais sem sacrificar a estabilidade.
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Em síntese, a capa da The Economist coloca o julgamento de Jair Bolsonaro no epicentro de um debate internacional sobre populismo, instituições e futuro democrático. Fique atento às próximas atualizações e compartilhe este conteúdo para que mais pessoas entendam os impactos desse processo no Brasil e no exterior.

