O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino inseriu, em decisão monocrática, uma determinação que afeta diretamente o sistema financeiro nacional. Ao analisar uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) relacionada ao desastre de Mariana (MG), o magistrado proibiu que empresas brasileiras cumpram ordens de autoridades estrangeiras sem chancela do próprio STF. A medida, interpretada como resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, coloca as instituições bancárias diante de um impasse de dezenas de bilhões de reais.
Bancos entre Washington e Brasília
O cerne do dilema é simples: quem mantiver relacionamento com Moraes corre o risco de sofrer punições nos Estados Unidos; quem encerrar as contas do ministro pode enfrentar represálias da Suprema Corte. Os bancos brasileiros operam em território norte-americano por meio de subsidiárias ou parcerias e, para isso, precisam obedecer à legislação local. Nesse contexto, a Lei Magnitsky é clara ao proibir transações com indivíduos sancionados pelo Departamento de Estado.
A norma norte-americana não obriga nenhuma instituição fora dos EUA a romper laços com a pessoa punida, mas exige que qualquer entidade que deseje atuar no mercado estadunidense siga o bloqueio. Dino, ao afirmar que decisões estrangeiras “dependem de expressa autorização desta Corte”, cria um conflito direto entre a exigência de Washington e a posição do STF.
O impacto financeiro surgiu imediatamente. Na terça-feira subsequente à decisão, os cinco maiores bancos de capital aberto perderam cerca de R$ 42 bilhões em valor de mercado na B3. O Banco do Brasil, responsável pelo pagamento dos salários dos ministros do Supremo, registrou a maior queda percentual. Até quinta-feira, nenhuma das instituições havia recuperado as perdas.
Decisão extrapola processo ambiental
A ADPF analisada por Dino tratava da possibilidade de municípios brasileiros pleitearem indenizações na Justiça britânica contra a Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, pelo rompimento da barragem em 2015. Não havia, portanto, conexão direta com sanções internacionais ou com a Lei Magnitsky. Mesmo assim, o ministro expandiu o escopo para incluir qualquer “restrição de direitos” imposta por autoridades estrangeiras a pessoas jurídicas sediadas no Brasil.
Na mesma linha, Alexandre de Moraes declarou em entrevista que punirá bancos que apliquem a legislação norte-americana contra ele. A declaração não consta de despacho formal, mas reforça a orientação política dentro do tribunal. Com isso, as instituições devem escolher entre arriscar seus negócios nos Estados Unidos ou contrariar a cúpula do Judiciário brasileiro.
Antes da intervenção de Dino, havia expectativa de que o plenário do STF julgasse ação específica sobre a aplicação da Lei Magnitsky no país. O pronunciamento isolado do ministro, porém, antecipou o debate e aumentou a insegurança jurídica, segundo analistas do setor financeiro ouvidos pelo mercado.
Consequências econômicas e políticas
O conflito se soma a outros atritos recentes entre Brasil e Estados Unidos. Mesmo após mudanças políticas em Washington, medidas tarifárias e sanções seguem em vigor. A postura do Executivo brasileiro tem sido de confronto, enquanto o STF busca blindar um de seus integrantes, transferindo o ônus para empresas privadas.
Para especialistas, a sobreposição de normas — uma nacional emanada do STF e outra estrangeira de aplicação extraterritorial — pode resultar em litígios judiciais bilionários. Além disso, investidores estrangeiros acompanham o episódio com preocupação, avaliando aumento de risco regulatório no país.


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Imagem: Rosinei Coutinho
Em paralelo, a decisão gera discussão sobre a separação de poderes. Críticos apontam que, ao inserir tema alheio aos autos originais, Dino amplia prerrogativas do Judiciário e interfere na política externa, tradicionalmente conduzida pelo Executivo, com chancela do Congresso.
Próximos passos para o setor financeiro
Até o momento, nenhum grande banco comunicou publicamente o encerramento ou a continuidade de contas vinculadas a Moraes. As direções jurídicas avaliam cenários, projetando impactos em linhas de crédito, emissões de títulos e operações de câmbio. Caso mantenham o ministro na carteira de clientes, poderão enfrentar bloqueios de ativos nos Estados Unidos. Se optarem pelo rompimento, correm risco de multa diária aplicada pelo STF.
O mercado também aguarda manifestação do Banco Central, regulador do sistema financeiro, que pode emitir orientação sobre cumprimento de sanções internacionais. A autarquia, no entanto, prefere aguardar definição mais clara do Supremo antes de se pronunciar.
A questão ilustra como decisões pontuais, sem debate colegiado, podem desencadear incertezas generalizadas. Enquanto isso, empresas e investidores adotam postura defensiva, redobrando monitoramento de eventuais desdobramentos no STF e no Departamento de Estado norte-americano.
Para acompanhar outros desdobramentos na esfera política, o leitor pode acessar a seção específica em Política, onde as atualizações serão publicadas.
Em síntese, a iniciativa de Flávio Dino gera impasse jurídico e econômico que pressiona o sistema bancário e projeta novos contenciosos internacionais. Resta aos agentes de mercado acompanhar a evolução no STF e nos Estados Unidos, mantendo estratégias alinhadas ao arcabouço regulatório de ambos os países. Continue ligado e compartilhe esta análise para ampliar o debate.

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