Brasília, 11 de junho — O texto satírico “Sucupira contra o mundo” ganhou destaque nas redes ao ironizar a forma como parte da imprensa apresenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como herói nacional e o ex-presidente norte-americano Donald Trump como o grande vilão do cenário político. A peça compara o noticiário brasileiro a um remake de novelas clássicas, sugerindo que a narrativa midiática distorce fatos, ignora históricos de escândalos e reforça um enredo maniqueísta conveniente.
A trama: Lula como protagonista heroico
Na sátira, Lula surge exigindo respeito de Trump “porque sempre respeitou as pessoas”. O autor observa que essa construção se repete no noticiário, onde os grandes problemas dos governos petistas — do mensalão à recessão econômica — ficam em segundo plano. A descrição lembra personagens de novelas que, mesmo após interpretar papéis de vilões, voltam meses depois como mocinhos aclamados. Ao citar “regime 3 em 1” — referência irônica a possíveis interferências entre Executivo, Legislativo e Judiciário — o texto critica a centralização de poder atribuída ao atual governo.
Outra provocação recai sobre comentaristas que antes atacavam o Partido dos Trabalhadores e agora tratariam Lula como defensor da democracia. Para o autor, há condescendência jornalística com pautas progressistas e com aliados estrangeiros, como a China, a quem Lula teria pedido “alguém de confiança para regular a internet brasileira”. Segundo a sátira, esse pedido contrasta com o discurso de resistência à “invasão externa”, evidenciando dois pesos e duas medidas.
Trump na posição de antagonista
O texto coloca Trump no papel de vilão “terrível” por combater imigração ilegal, atuar contra organizações terroristas e contestar regimes autoritários. A sátira ironiza que tais iniciativas, vistas como legítimas por parte do eleitorado americano, seriam descritas no Brasil como “criminofóbicas” ou “intolerantes”. O autor ressalta a falta de empatia acusada pela imprensa progressista quando Trump critica o programa nuclear iraniano ou o apoio financeiro ao Hamas, apontando um aparente desinteresse midiático em debater ameaças concretas à segurança internacional.
Ao mencionar “causas cosméticas de Hollywood”, a obra fustiga celebridades e entidades culturais que, na avaliação do texto, abraçam pautas identitárias sem demonstrar preocupação com liberdade individual ou soberania nacional. Para o autor, esse engajamento seletivo rende dividendos de imagem, enquanto problemas práticos, como criminalidade transnacional, permanecem sem solução.
Imprensa sob olhar crítico
O fio condutor de “Sucupira contra o mundo” é a alegação de que parte da mídia brasileira aplica “licença poética” à política. A crítica central aponta que manchetes reproduzem narrativas favoráveis ao Planalto, evitam confrontar contradições e descartam detalhes inconvenientes de escândalos passados. Em contraste, líderes estrangeiros de direita, como Trump, recebem cobertura negativa padronizada, reforçando estereótipos.


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A sátira afirma que tal dinâmica se assemelha ao roteiro de uma novela, no qual mocinhos e vilões são escolhidos não por seus atos concretos, mas pela utilidade dramática. Ao brincar com comparações à “Sucupira” — cidade fictícia imortalizada por Dias Gomes — e a “Vale Tudo”, a obra sugere que o público brasileiro consome um produto jornalístico mais preocupado em entreter ou direcionar percepções do que informar com exatidão.
Repercussão e debate público
Embora não apresente novos fatos, “Sucupira contra o mundo” gerou debate sobre a responsabilidade da imprensa na formação de opinião. Usuários em redes sociais de perfil conservador destacaram trechos que mencionam a “vista grossa” a regimes autoritários aliados de Brasília e a glamorização de pautas progressistas importadas de Hollywood. Comentadores alinhados à esquerda rebateram, classificando o texto como caricatura que ignora avanços sociais dos governos petistas.
A discussão evidencia uma polarização crescente: de um lado, críticos que denunciam o que chamam de “soberanismo providencialista”, isto é, a ideia de que o Estado deve controlar setores estratégicos, inclusive a internet; de outro, defensores de políticas de intervenção estatal em nome da segurança nacional ou de suposto combate à desinformação.

Imagem: Mtag Revista Oeste
Perspectiva conservadora
Para leitores de orientação liberal-conservadora, a peça reforça a necessidade de pluralidade na cobertura jornalística e de vigilância sobre governos que concentram poder. Entre os pontos levantados estão o histórico de corrupção envolvendo lideranças petistas, a política externa que se aproxima de regimes autoritários e o risco de relativizar ameaças terroristas em nome de agendas ideológicas.
No contraponto, setores progressistas acusam textos dessa natureza de minimizar ataques a instituições democráticas norte-americanas, de ignorar a gravidade de discursos de ódio e de relativizar violações de direitos humanos em território doméstico. O resultado é um embate sobre quais narrativas merecem espaço e quais fatos recebem enquadramento negativo ou positivo.
Enquanto o debate não arrefece, “Sucupira contra o mundo” cumpre o papel de provocar reflexão sobre blindagens midiáticas e critérios de seleção de vilões e heróis na arena política. Como na velha dramaturgia, o público segue dividido entre quem aplaude o protagonista e quem torce pela queda do anti-herói — com a imprensa colocada no centro do palco.
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O texto satírico lembra que, na política, enredo e percepção caminham juntos. Fique atento, compare versões e participe do debate — a construção de um país livre depende de leitores críticos.
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