Brasília – A nova edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública derruba a tese de racismo sistêmico nas forças policiais ao indicar que 65,4% dos policiais assassinados em 2024 eram negros (pretos ou pardos). O número supera a proporção dessa população no país, estimada em 55,5% pelo IBGE, e revela que agentes de segurança negros são, eles próprios, alvo preferencial da criminalidade.
Violência avança no Norte e Nordeste, onde a população é majoritariamente negra
Os dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública confirmam a disparidade regional. Norte e Nordeste ocupam as primeiras posições nas taxas de mortes violentas intencionais, enquanto Sul e Sudeste apresentam índices menores. Entre os dez municípios com maior número de assassinatos por 100 mil habitantes, todos se concentram no Nordeste, distribuídos entre Bahia, Ceará e Pernambuco.
A expansão de facções criminosas nessas regiões aprofunda o quadro. O pesquisador Olavo Mendonça explica que o crescimento do consumo de drogas nos últimos 15 anos alimentou o poder econômico e bélico de organizações criminosas, responsáveis pela “violência de massa” que atinge moradores — e policiais — em territórios vulneráveis.
Exemplo emblemático é a Bahia: governada pelo mesmo partido há 18 anos, o estado ocupa o segundo lugar tanto em homicídios totais quanto em letalidade policial. Com elevado número de confrontos, o uso legítimo da força pelas corporações torna-se mais frequente, gerando inevitáveis baixas de ambos os lados.
Composição racial das corporações não determina número de mortes
Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação em 12 estados indicam que não há correlação entre cor da tropa e quantidade de mortes provocadas por policiais. No Pará, 77% do efetivo é negro, e a letalidade policial chega a 7 por 100 mil habitantes. Já Santa Catarina, com 84% de policiais brancos, registra apenas 1 morte por 100 mil habitantes — reflexo, sobretudo, da menor incidência de crimes violentos no estado.
Para Fabricio Rebelo, coordenador do Centro de Pesquisa em Direito e Segurança (Cepedes), atribuir homicídios a motivações raciais ignora o contexto objetivo: locais com maior criminalidade apresentam mais ocorrências envolvendo forças de segurança. “Se determinado segmento registra mais crimes, é natural que ali ocorram mais mortes”, resume.


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A lógica vale também para o perfil de quem veste a farda. Como observa Mendonça, o efetivo espelha a demografia local. Em estados de maioria negra, as polícias terão maioria negra. Dessa forma, a acusação de que policiais escolheriam alvos pela cor “beira ao cinismo”, nas palavras do pesquisador.
Facções impulsionam homicídios e vitimizam policiais
O aumento de facções e a dinâmica do tráfico explicam por que policiais se tornaram alvo recorrente. O Anuário mostra que quatro em cada cinco vítimas de mortes violentas são negras, patamar semelhante à proporção de agentes de segurança mortos. A convergência reforça a tese de que o fator determinante é a presença do crime organizado, e não um suposto preconceito institucional.

Imagem: Dhárcules Pinheiro
Nos estados com maior presença de facções, confrontos diretos são comuns. O resultado é familiar: mais tiroteios, mais tentativas de homicídio contra servidores públicos e, consequentemente, mais vítimas em ambos os lados da lei.
Distorções narrativas e impacto na formulação de políticas
O enfoque identitário sobre segurança pública, predominante em setores progressistas, desvia a atenção do principal desafio: enfraquecer organizações criminosas que dominam territórios. Ao priorizar debates raciais, propostas objetivas de combate ao tráfico e de fortalecimento das polícias ficam em segundo plano, atrasando soluções para as comunidades mais afetadas.
Dados consistentes, portanto, apontam que investir em inteligência, ampliar efetivos e valorizar o policial — independentemente de cor — são medidas com potencial concreto de reduzir homicídios. Ignorar estatísticas por conveniência ideológica compromete o desenho de políticas públicas eficazes.
Para ampliar sua visão sobre segurança e política, leia também a cobertura completa em nossa editoria de Política.
Em resumo, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública evidencia que a violência contra negros, policiais ou civis, está ligada a fatores regionais e à ação de facções, não a suposto racismo institucional das corporações. Conhecer os números reais ajuda a direcionar esforços para onde eles são mais necessários. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe este artigo para ampliar o debate responsável.
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