Washington, 29 ago. 2025 – A tentativa de equiparar o nacionalismo econômico do ex-presidente Donald Trump ao modelo estatal chinês voltou ao debate após editorial de um grande jornal paulista. Ao descrever as tarifas propostas por Trump como “masoquismo econômico”, o veículo sustentou que a Casa Branca estaria replicando políticas de Pequim. Análises mais detalhadas, porém, indicam que o paralelo é frágil e ignora o contexto de negociação usado por Washington.
Pressão tarifária como instrumento de barganha
Desde 2017, Trump recorreu a sobretaxas sobre aço, alumínio e componentes eletrônicos para forçar parceiros a reverem acordos considerados desfavoráveis aos Estados Unidos. A estratégia não buscou fechar o mercado interno, mas sinalizar que concessões dependeriam de reciprocidade. Segundo dados do Escritório do Representante de Comércio norte-americano, diversos parceiros renegociaram quotas e reduziram barreiras não tarifárias. Exemplo recente é o pacto com o México, que flexibilizou regras de origem para a indústria automotiva.
Analistas contrários apontam aumento de custos a curto prazo para importadores. A equipe econômica de Trump, porém, destacou que tarifas poderiam ser retiradas tão logo parceiros ajustassem práticas consideradas desleais, como subsídios ocultos. Diferentemente do modelo chinês, em que o Estado mantém participação societária em conglomerados estratégicos, o governo norte-americano não avançou sobre o controle acionário de empresas privadas nem estatizou setores.
Editorial ignora desempenho do mercado
O jornal paulista citou o austríaco Friedrich Hayek para sugerir que os EUA rumam para a “servidão”. Entretanto, indicadores de mercado não sustentam cenário de colapso. O S&P 500 renovou a máxima histórica nesta semana, impulsionado por tecnologia e consumo. Investidores enxergam resiliência na economia norte-americana, que registrou desemprego de 3,6% em julho, segundo o Bureau of Labor Statistics.
A narrativa de que tarifas destruiriam empregos foi desmentida em setores como siderurgia, que voltou a contratar após medidas antidumping. Ao contrário da estratégia chinesa de subsidiar unidades deficitárias, a administração Trump condicionou incentivos a resultados e à permanência de plantas em território nacional. Empresas que repatriaram produção, como a fabricante de eletroeletrônicos Sharp, receberam benefícios fiscais apenas após cumprir metas de geração de postos de trabalho.
Distorções na comparação com Pequim
Especialistas apontam que confundir a pressão tarifária de Washington com o planejamento centralizado de Pequim é desconhecer a diferença entre economia de mercado e capitalismo de Estado. Na China, o partido comunista define quais companhias receberão crédito subsidiado, estabelece cotas de produção e controla preços de insumos estratégicos. Nos Estados Unidos, decisões permanecem nas mãos de acionistas e conselhos independentes; o governo apenas altera o ambiente regulatório.


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Ainda assim, o editorial brasileiro classificou as políticas como “protecionismo disfarçado”. Ao colocar Trump no mesmo patamar de Bernie Sanders e Xi Jinping, a publicação ignorou o histórico de defesa do livre mercado do Partido Republicano. O alvo das tarifas foi a falta de simetria: enquanto Washington mantinha baixa carga tributária sobre importações, parceiros asiáticos aplicavam tarifas superiores a 20% sobre produtos norte-americanos.

Imagem: AAR SCHWARTZ
Reação dos críticos e a síndrome anti-Trump
Comentaristas alinhados ao jornal persistem na tese de que Washington “abandonou” o livre comércio. Contudo, a Organização Mundial do Comércio registrou queda em novos casos contra os EUA durante o governo Trump, sugerindo menos disputas frequentes que em mandatos anteriores. O fenômeno conhecido como “Trump Derangement Syndrome” – expressão usada por observadores para designar rejeição automática a qualquer medida do ex-presidente – volta a aparecer quando comparações descabidas são feitas com regimes autoritários.
Comparar a pressão tarifária temporária a um sistema de planejamento central é, no mínimo, impreciso. A Casa Branca utilizou a ameaça de tarifas como instrumento de negociação, não como pilar permanente de política industrial. Fatos recentes, como a alta recorde dos índices de Wall Street e a manutenção de pleno emprego, expõem fragilidades na crítica.
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Em síntese, números de emprego, desempenho das bolsas e ausência de estatização mostram que os EUA seguem parâmetros de mercado. A equiparação ao modelo chinês carece de base factual e reforça a necessidade de avaliações menos ideológicas. Continue acompanhando nossas publicações e compartilhe este conteúdo para ampliar o debate.
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