BRASÍLIA — O tradicional Grito dos Excluídos, ato encampado por partidos de esquerda e centrais sindicais, registrou presença diminuta neste 7 de Setembro. A concentração reuniu poucas dezenas de pessoas na Praça Zumbi dos Palmares, a menos de dois quilômetros do desfile militar da Independência e da manifestação Reaja Brasil, que, liderada por grupos de direita, atraiu público muito superior.
Presença tímida e discurso repetitivo
Organizado por PT, PSTU e entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o evento começou por volta das 10h, uma hora após o início do desfile oficial e da concentração da direita. Mesmo com uma preparação que envolveu bandeiras, faixas e carros de som, o ato não conseguiu extrapolar algumas dezenas de participantes. Ao longe, era possível identificar pequenos grupos com camisetas vermelhas combinadas a camisas amarelas da seleção — tentativa frustrada de ressignificar um símbolo há anos associado às manifestações conservadoras.
Sem a presença de deputados ou senadores, os discursos ficaram restritos a dirigentes sindicais e ativistas. As falas giraram em torno do mote “Sem Anistia”, numa crítica à movimentação popular que pede liberdade para os presos dos protestos de 8 de janeiro, e à defesa genérica da “soberania nacional” diante das supostas sanções anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump. A retórica, porém, foi insuficiente para atrair simpatizantes além do núcleo militante histórico.
Contraste com a direita e com as Forças Armadas
No horário de maior fluxo, por volta de 11h30, imagens aéreas registraram um espaço amplo e esparso na praça ocupada pela esquerda. Já o Reaja Brasil, captado antes, às 10h30, exibiu quarteirões lotados junto à Torre de TV. O contraste ficou evidente: enquanto o público conservador se manteve sob o sol portando bandeiras nacionais, parte dos militantes do Grito dos Excluídos procurou abrigo nas marquises do Conic, distante dos alto-falantes onde ocorriam as falas.
O esvaziamento reforça uma tendência observada desde 2023: incapaz de renovar agenda e lideranças, a esquerda perde tração nas ruas. Nem mesmo a data comemorativa, historicamente aproveitada por movimentos oposicionistas, serviu de impulso. De acordo com observadores da Polícia Militar, que monitoravam ambos os atos para garantir o distanciamento, não houve incidentes ou interações relevantes entre os grupos.
Histórico e expectativa frustrada
Criado em 1995 como resposta ao desfile militar, o Grito dos Excluídos aspirava, neste ano, confrontar a pauta de anistia defendida pela direita e reafirmar o lema oficial: “A vida em primeiro lugar — Cuidar da Casa Comum e da democracia é luta de todo dia”. A meta era reproduzir o volume de público dos anos 2000, quando o movimento chegou a ocupar avenidas centrais de capitais brasileiras. A realidade, porém, foi distinta: a ausência de caravanas interestaduais e o desencanto crescente reduziram a mobilização a um ato simbólico.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Para analistas ouvidos pela reportagem, o pequeno quórum também reflete desgaste interno. Centrais sindicais enfrentam queda de filiações e cortes orçamentários, enquanto o PT vive crise de popularidade em meio às dificuldades econômicas e à polarização política.

Imagem: Luis Kawaguti
Público reduzido e sem figuras de peso
A despeito do marketing digital realizado nos dias que antecederam o feriado, lideranças de peso do campo progressista optaram por agendas alternativas ou permaneceram em outros estados. Sem parlamentares para atrair cobertura e ecoar mensagens nas redes sociais, a mobilização se limitou às falas de dirigentes locais. Sob o calor de quase 30 °C, os presentes alternaram gritos de ordem e música de apoio ao ex-presidente Lula, mas o ambiente esvaziado favoreceu a dispersão precoce. Por volta das 12h30, parte dos participantes já se retirava.
Comparativo de mobilização
Enquanto o pequeno grupo da esquerda ecoava palavras de ordem, a manifestação conservadora reuniu milhares de pessoas na Torre de TV. Entre as reivindicações, a anistia para presos de 8 de janeiro, a defesa das Forças Armadas e a crítica ao Supremo Tribunal Federal dominaram os palanques. A participação de deputados federais e senadores deu peso institucional ao ato à direita, em contraste com o anonimato que marcou o Grito dos Excluídos.
Para entender o cenário político mais amplo e os reflexos dessas manifestações, vale acompanhar nossa cobertura completa na seção de política do site Geral de Notícias.
Em síntese, o 7 de Setembro reforçou a diferença de capacidade de mobilização entre os dois espectros políticos. Enquanto a direita manteve a tradição de ocupar as ruas com grande público, a esquerda enfrentou mais um revés, sinalizando um desafio crescente para reconquistar protagonismo popular. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo com quem busca informação direta e objetiva sobre a política nacional.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

